EDITORIAL

Viva a Democracia

No dia 11 de novembro de 1947, dois anos após a derrota do nazismo, de Hitler e da Alemanha, num discurso na Câmara dos Comuns, Winston Churchill, um dos mais aclamados oradores do Século XX, soltava uma das suas históricas frases: “A democracia é a pior forma de governo, com exceção de todas as demais”.

Pois da eleição de um ano atrás, marcada pelo antagonismo dos extremos, saiu-se galhardamente o Brasil. Não pela vitória de um ou outro lado – e nenhum deles a obteve por inteiro –, mas pelo recado claro e límpido dado pelo eleitor, que impôs a mais ampla das renovações nas casas legislativas.

A começar pelo Senado, onde apenas 1/3 dos antigos ocupantes foi reconduzido. Pelo MDB por princípio, que reduziu, dos 14 senadores que tinha, sua bancada para metade (7). Pior ainda para o PT, que viu sua bancada diminuir dos então 11, para 4 parlamentares. Sobrou para todos os da velha rotina: PR (hoje PL) passou de 4 para 1.

Quadro semelhante ocorreu com a Câmara dos Deputados, onde o MDB, dos 51 representantes, iniciou a nova legislatura com 34. Perda por perda, perdeu menos o PT: caiu de 61 para 56. Em compensação, o outrora nanico PSL, de 8 deputados, iniciou 2019 com 52 representantes.

Nas duas casas o PSDB esfacelou: tinha 6 senadores, tem 4; tinha 49 deputados, tem 29.

Esse quadro, imaginávamos todos, exigiria uma recomposição de forças e renovação de estratégias. Esta semana, infelizmente, vimos, uma vez mais, o Congresso brasileiro ceder aos velhos costumes e agir contra o País na votação da reforma previdenciária. Imaginávamos que o fim dos governos de coalizão que sustentaram os últimos presidentes da República, com o loteamento descarado das capitanias políticas representadas por ministérios, estatais, autarquias, agências reguladoras etc. indicaria a chegada de um novo Brasil. Não aconteceu isso.

Mais uma vez nos vem, da mais antiga monarquia parlamentarista do mundo, a do Reino Unido, uma lição. Desta feita expressa por Margareth Thatcher (1925-2013), primeira mulher a exercer o comando do governo (1979-1990): “A democracia não é um sistema feito para garantir que os melhores sejam eleitos, mas para impedir que os ruins fiquem para sempre.”

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