ARTIGO

Vivendo e reaprendendo

Rafael Sampaio

O reaprendendo tem o óbvio sentido de aprender coisas novas e diferentes, mas significa também a reafirmação do que já se sabe.

No caso da mídia mais poderosa para a construção de marcas e ativação de negócios, que é a TV, e da mídia digital, a mais funcional para aprofundar o relacionamento e operacionalizar negócios, todos os dias estamos reaprendendo a empregá-las com maior eficiência e eficácia – seja descobrindo coisas novas, alterando nosso modo de uso ou reforçando nosso conhecimento.

Sabemos, por observação e reflexão, que a TV movimenta mais a internet do que o digital substitui as funções da TV, mas está comprovado que os recursos interativos digitais aumentam o poder e a eficiência da TV, da mesma forma que a ativação feita pela televisão reforça em muito o valor do digital para os negócios.

Os sinais desse movimento cada vez mais de simbiose do que de competição entre o digital e a TV estão em fatos como o investimento crescente dos mega players digitais na publicidade da TV; a consistência sobre os resultados obtidos pelas marcas que investem na TV e a crescente decepção em relação à mídia digital; e o aumento do hábito de assistir TV simultaneamente à navegação pela internet, em especial no celular, seja em conexão com os sites das marcas como nas redes sociais.

Reflexões feitas a partir de pesquisa nos mercado de emprego mais sofisticado tanto da TV como da web podem ser transpostas para nossa realidade e reforçam que para construir marcas de alto consumo e visando público em geral, altas audiências permanecem como a alternativa mais indicada.

Audiências menores, por sua vez, são eficientes tanto para marcas com targets mais reduzidos e focados como para a publicidade que precisa levar o consumidor a alguma ação, de conhecer mais ou comprar através da internet.

A verdade é que temos que parar de agir de modo automático pensando apenas nas tradições do passado ou abraçando as novidades sem cuidadosa avaliação crítica.

O ambiente mais complexo da mídia, a overdose de informação comercial sobre os consumidores e as presentes dificuldades do mercado demandam mais consciência, inteligência e criatividade pelos anunciantes e agências.

Rafael Sampaio é consultor em Propaganda e Marketing