PATRIMÔNIO

Vizinhos tentam proteger casarão dos Duque, em Mogi

ABANDONADO Sem obras e proteção, o casarão dos Duque corre riscos de desabar, apesar de intervenção judicial e do Comphap. (Foto: Elton Ishikawa)
ABANDONADO Sem obras e proteção, o casarão dos Duque corre riscos de desabar, apesar de intervenção judicial e do Comphap. (Foto: Elton Ishikawa)

Prestes a completar dois meses que a Vara da Fazenda Pública de Mogi das Cruzes deferiu uma liminar em caráter emergencial para que a empresa Sotto Teixeira Obras de Engenharia e Incorporação Ltda fizesse o isolamento e reparos no Casarão dos Duque, a construção do século XIX ainda permanece abandonada. Quem mora perto do local precisou se preocupar em comprar cadeado para fechar a propriedade, localizada na rua Dr. Deodato Wertheimer. No entanto, portas e janelas estão abertas, além disso, afirmam os vizinhos, telhas foram retiradas, deteriorando ainda mais o interior do prédio.

A decisão foi ajuizada pela Prefeitura de Mogi das Cruzes, atendendo a um pedido do Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural, Artístico e Paisagístico de Mogi das Cruzes (Comphap). Na decisão, o juiz Bruno Machado Miano determinou que a área fosse isolada em até 48 horas, além dos devidos reparos estabelecidos pelo Comphap. A pena afixada foi de multa diária de R$ 1 mil.

Procurado pela reportagem de O Diário, o Comphap se limitou a dizer que tomou todas as medidas cabíveis e que acompanha o processo.

O arquiteto José Reinaldo Stilhano Gomes é vizinho do casarão e vivenciou as diversas fases do espaço, desde quando era conhecido como Fazendinha, porque além do café, também o lugar possuía pés de inúmeras frutas. Ele conta que a região era tomada de chácaras, e o casarão ajuda a contar a história do entorno do Mogi Moderno.

“Lá ainda está abandonado, o mato está invadindo tudo, e vândalos estão entrando. A gente realmente não vê nenhuma obra sendo realizada. Os próprios vizinhos que colocaram cadeados e tentam impedir essas invasões. Mas portas e janelas estão abertas. Não há muito o que fazer”, pontua.

O arquiteto Paulo Pinhal visitou a estrutura do casarão e diz que a depredação da estrutura que ocorre no local é uma ação do homem, e não da natureza. Ele diz que não há como provar a autoria, mas que a intenção certamente é a de que o casarão vá abaixo.

“Um dos crimes maiores que ele sofreu foi a retirada das telhas, para que a água infiltre nas paredes e elas caiam. Quando estive lá, a gente viu um bambu que com certeza foi utilizado para retirar as telhas. A gente fez um estudo, e elas não sairiam do lugar assim, porque pesam cerca de dois quilos”, detalhou.

Pinhal garante ainda que a estrutura do casarão, construído com o método de taipa de pilão, é resistente e aguenta um restauro especializado. “É possível, sim. Mas a gente vê que a intenção do proprietário é que ele caia, termine em ruínas”, pontua.

Procurada, a empresa Sotto Teixeira Obras de Engenharia e Incorporação Ltda não respondeu aos questionamentos da reportagem até o fechamento dessa matéria, às 17h de ontem.


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