EDITORIAL

Vocação política

Se o povo tem fome e não tem pão, que coma brioches”.

As manifestações populares estão no âmago da maior parte dos rompimentos institucionais da humanidade. Foi assim, decorrente da Queda da Bastilha (1789), que a Revolução Francesa derrocou, em apenas três anos, uma monarquia absolutista de séculos. Não muito diferente na Alemanha que antecedeu a ascensão de Adolf Hitler (1933).

Quem mais sofreu com a distância permanente à vontade popular, foi a decapitada (1793) Maria Antonieta, rainha consorte da França, condenada por traição. É dela a célebre frase: “Se o povo tem fome e não tem pão, que coma brioches”.

Para nos ater ao cenário brasileiro, bom lembrar os episódios que levaram Getúlio Vargas ao poder, em 1930, também aqueles que antecederam seu suicídio (1954). Mais recentemente, a renúncia forçada de Fernando Collor (1992) e o impeachment de Dilma Rousseff (2011) decorreram de processos legislativos legítimos, com suporte em manifestações populares.

Agora mesmo, nos debates em torno da reforma previdenciária, a ninguém escapa que sua tramitação, hoje às vésperas de votação no Congresso, tem muito a ver com as demonstrações de apoio das ruas. Como exemplo, bastam os aplausos que o presidente Jair Bolsonaro e seu ministro da Justiça receberam, há poucos dias, quando se dispuseram à exposição franca em um jogo de futebol, no estádio Mané Garrincha, em Brasília.

Há que ter, os condutores do negócio público, uma fina sintonia com os anseios e necessidades populares. Muitos dos prefeitos que passaram por Mogi demonstraram essa vocação. Com o advento do instituto da reeleição, nos é fácil citar os dois que exerceram mandado sob essa nova ordem e foram reconduzidos: Junji Abe e Marco Bertaiolli. Eles tinham estilos diferentes de governar. O primeiro se pautava pela formalidade, o segundo pela informalidade. Ambos, sem macular a liturgia do cargo.

Bom não esquecer de Waldemar Costa Filho, eleito quatro vezes, ao tempo em que não havia reeleição (1968, 1976, 1988 e 1996).

Há uma longa distância entre o que idealiza o político, no mais das vezes inebriado pelo poder, e o que almeja a opinião pública. Administrar essas duas vertentes é sinal aparente de vocação política.


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