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Volkswagen Golf GTI justifica sua boa fama

No Brasil, o Volkswagen Golf GTI é equipado com um motor turbo de 230 cavalos de potência (Foto Jorge Rodrigues Jorge/AutoPress)

No mundo inteiro, o Volkswagen Golf GTI é visto como um esportivo emblemático. Na Europa, ele ajuda a puxar os enormes volumes que torna a linha campeã de vendas no continente. No Brasil, no entanto, os efeitos de capitalismo de periferia se fazem sentir e o nicho de hatches médios é um dos que mais sofre esvaziamento. Atualmente, apenas as versões hatch de Ford Focus e Chevrolet Cruze brigam com a linha Golf. E mais: ninguém disputa diretamente com o GTI no Brasil. Nem em proposta, nem em comportamento dinâmico, nem em preço. A tabela do Golf GTI começa em R$ 143.790 e cresce até os R$ 165.440 com todos os opcionais. O Golf de entrada, Comfortline TSI, com motor 1.0 de 128 cv, parte de pouco mais de R$ 91 mil. Os valores altos jogam a versão esportiva na briga com hatches de luxo da BMW, Mercedes, Audi e Volvo.
O motor 2.0 turbo com injeção direta é importado da Alemanha para ser instalado no modelo em São José dos Pinhais, no Paraná. Ele rende excelentes 230 cv, praticamente o limite de potência que a indústria se impõe, a título de segurança, para modelos com tração dianteira. O torque de 35,7 kgfm, já disponível a 1.500 giros, faz com que o carro fique aceso desde que sai da imobilidade. O câmbio é o DSG, de dupla embreagem, e o diferencial têm escorregamento limitado eletronicamente. A direção elétrica filtra o torque da roda e facilita o controle nas tocadas mais esportivas. Segundo a Volkswagen, o zero a 100 km/h é feito em sete segundos cravados e a máxima chega a 238 km/h.

O hatch esportivo da VW entrega desempenho instigante, graças ao alto torque do motor (Foto Jorge Rodrigues Jorge/AutoPress)

O propulsor parece exagerado quando se olha os frios números da ficha técnica. É muito mesmo, mas o carro mostra que tem condições para sustentar tanta potência. O Golf arranca com a força de seus 35,7 kgfm de torque a 1.500 rpm, capazes de espremer os ocupantes contra o banco. E mesmo sendo um carro de tração dianteira, a frente não empina e qualquer transferência de torque para o volante é filtrado pela direção elétrica.
No convívio, o Golf é um carro extremamente prazeroso. Apesar de estar calçado com pneus 225/40 com rodas de 18 polegadas, ele não arrasta a frente na hora de enfrentar um desnível, como numa de entrada de garagem. Também não é barulhento, mesmo quando é exigido. E traz a grande vantagem do motor turbo, que é a versatilidade de uso. Ele se comporta muito bem quanto é usado como carro comum, no trânsito urbano, por exemplo, e muitíssimo bem quanto é exigido esportivamente.

Preço não anima: Golf GTI custa R$ 144 mil mas pode chegar aos R$ 165 mil com opcionais (Foto Jorge Rodrigues Jorge/AutoPress)

Por dentro, o Golf GTI se diferencia dos demais modelos da gama em vários conteúdos. A começar pelo painel digital configurável e pelo sistema multimídia com reconhecimento vocal, com tela sensível à aproximação de oito polegadas. De série, o Golf traz sete airbags, controle eletrônico de estabilidade, retrovisor eletrocrômico, luz diurna em LED, luz de neblina com função de iluminação em curvas, lanternas traseiras em LED, seleção de modos de condução (normal, eco, sport e individual), sensores de obstáculos dianteiro e traseiro, câmera de ré, ar-condicionado de duas zonas, controle de cruzeiro e sistema start/stop.
Os equipamentos mais tecnológicos e luxuosos fazem parte dos pacotes de opcionais. Casos do controle de cruzeiro adaptativo com função de frenagem de emergência, assistente para farol alto, faróis em LED, sistema de estacionamento automático de segunda geração, detector de fadiga, rodas aro 18 polegadas, teto solar panorâmico elétrico, banco do motorista com ajustes elétricos e revestimento em couro para os bancos com pespontos em vermelho. Esta mesma combinação se repete no aro do volante, forrado em couro.

Painel digital configurável e sistema multimídia com comando de voz são alguns dos destaques (Foto Jorge Rodrigues Jorge/AutoPress)

O conforto adicionado pelos equipamentos opcionais é realmente sedutor. Entre eles, os destaques são mesmo o ACC, que controla a distância para o carro da frente, e o sistema de frenagem automática, que funciona até em manobras a baixas velocidades. Quando os sensores julgam que o carro está próximo demais de um obstáculo, ele freia por conta própria. Os sistemas de condução semi-autônoma realmente melhoram a vida de quem conduz, mas enquanto forem produzidos carros agradáveis e equilibrados como o GTI, o melhor mesmo é controlar o volante sem intermediários tecnológicos.
As portas trazem friso em vermelho, semelhante ao externo na grade que transpassa os conjuntos óticos. Para melhorar o conforto a bordo, uma luz em LED fica permanentemente ligada no teto entre as duas fileiras de assentos. A sigla GTI aparece na tampa traseira e na grade em preto brilhante. E ainda encravada na moldura em alumínio do volante. Como se alguém que estivesse sentado ali pudesse esquecer de que carro se trata. (Eduardo Rocha/AutoPress)

Ponto a ponto – Golf GTI

Desempenho – O objetivo do Golf GTI é instigar quem está atrás do volante com seu desempenho. O torque de 35,7 kgfm, presentes desde 1.500 giros, faz com que o hatch arranque com total disposição. O zero a 100 km/h é cumprido em apenas sete segundos. Já os 230 cv são convertidos numa subida rápida do velocímetro. A máxima é apontada pela Volkswagen em 238 km/h. Cada um dos cavalos responde por apenas 5,96 quilos e é isso que faz com que o Golf impressione. O câmbio DSG é ágil e não rouba o ânimo do esportivo. Nota 10
Estabilidade – A suspensão do Golf tem compromisso com a estabilidade E ainda conta com a plataforma MQB, muito leve e rígida. O resultado é que o GTI fica grudado ao chão e se mantém neutro tanto em retas quanto em trechos sinuosos contornados de forma agressiva. É preciso fazer muita estripulia para ultrapassar o equilíbrio natural do hatch e chegar a fazer os controles dinâmicos se pronunciarem. O fato de calçar um conjunto opcional de aro 18 com pneus 225/40 também ajuda na aderência. Nota 10
Interatividade – Todos os comandos tradicionais estão em seus devidos lugares. Mesmo os novos, que controlam tecnologias recentes, são muito intuitivos e recebem um auxílio luminoso do painel digital. A tela central é sensível à proximidade, o que pode causar um pouco de confusão até que se tenha familiaridade, pois ela às vezes parece ganhar vontade própria. O GTI oferece um pacote com assistente de estacionamento, freio automático de emergência, faróis full LED, farol alto automático e detector de fadiga, entre outros. Nota 9
Consumo – O InMetro avaliou o Golf GTI DSG e aferiu média de 9 km/l de gasolina na cidade e 12 km/l na estrada. Obteve nota D entre modelos médios e C no geral. Isso em ritmo de teste, que é feito com muita de disciplina e sem explorar a esportividade. Nota 6
Conforto – A suspensão do Golf é rígida e transfere para o habitáculo boa parte das imperfeições do piso. Mas se o pavimento for razoável, não chega a roubar de forma dramática o conforto a bordo. Por outro lado, os bancos são ergonômicos e o isolamento acústico se mostrou eficiente para um carro com aspirações esportivas. Nota 8
Tecnologia – O Golf GTI é um carro sólido, com plataforma moderna e motor atualizado. Traz sete airbags, ar-condicionado de duas zonas, controles de estabilidade e tração, bloqueio eletrônico de diferencial, sensor de luminosidade e de chuva, sensores de estacionamento dianteiro e traseiro, sistema de informação e entretenimento interativo com comando vocal e tela sensível ao toque de oito polegadas, entre outros. Fora uma lista extensa de opcionais, com equipamentos que podem adicionar R$ 20 mil ao preço final. Nota 9
Habitabilidade – A distância entre-eixos de 2,63 metros não chega a ser das mais generosas. Por isso mesmo, o espaço interno é apenas correto. Quatro adultos viajam bem. Já o porta-malas tem 25 litros a mais que as outras versões do Golf por conta do estepe temporário do GTI. São 338 litros de capacidade, bom para a média do segmento. O fato de ter quatro portas, mesmo sendo um esportivo, facilita a vida. Nota 8
Acabamento – Nada que impressione nem vire tema de conversa. Há muito material plástico, mas todas as superfícies são macias. A unidade testada trazia revestimento opcional em couro preto com costuras em vermelho, o que melhora muito o aspecto geral. Os revestimentos aparentam qualidade, embora não dêem a ideia de luxo ou requinte. Há detalhes que valorizam a versão, como o volante e os painéis em plástico preto brilhante. Nota 7
Design – Independentemente da geração, é fácil reconhecer um Golf. Isso quer dizer que os designers têm de quebrar a cabeça para faze-lo parecer moderno ao mesmo tempo que mantêm as referências ao modelo passado. O resultado não incomoda. No caso do GTI, é preciso papagaiar um pouco o carro, com frisos vermelhos e outros detalhes, para afastar a ideia de modelo tradicional. Nota 7
Custo/benefício – O Golf GTI parte de R$ 143.790 e, completo, vai a assustadores R$ 165.440. Não há exatamente um rival direto para o hatch médio da Volkswagen. Outros modelos do segmento, como Chevrolet Cruze Sport6 ou Ford Focus, não têm versões esportivas. Isso leva o Golf a brigar com modelos premium, como BMW 120iA ou Mercedes A200, que custam na mesma faixa de preço e são menos equipados, mas oferecem mais status. Nota 6
Total – O Golf GTI DSG somou 80 pontos em 100 possíveis.

Ficha técnica
VW Golf GTI

(Foto Jorge Rodrigues Jorge/AutoPress)

Motor: A gasolina, dianteiro, transversal, 1.984 cm³, quatro cilindros em linha, com quatro válvulas por cilindro. Com injeção direta de combustível, turbocompressor e comando variável de válvulas. Acelerador eletrônico.
Transmissão: Câmbio automatizado com acionamento eletro-hidráulico de dupla embreagem com seis marchas à frente e uma a ré. Tração dianteira. Oferece controle eletrônico de tração e bloqueio eletrônico do diferencial.
Aceleração de zero a 100 km/h: 7 segundos.
Velocidade máxima: 238 km/h.
Potência máxima: 230 cv com gasolina entre 4.700 e 6.200 rpm.
Torque máximo: 35,7 kgfm entre 1.500 e 4.600 rpm.
Diâmetro e curso: 82,5 mm x 92,8 mm. Taxa de compressão: 9,6:1.
Suspensão: Dianteira independente do tipo McPherson, com triângulos inferiores, amortecedores hidráulicos e barra estabilizadora. Traseira independente do tipo Multilink, com molas helicoidais, amortecedores telescópicos hidráulicos e barra estabilizadora. Oferece controle eletrônico de estabilidade.
Carroceria: Hatch em monobloco com quatro portas e cinco lugares. Com 4,25 metros de comprimento, 1,79 m de largura, 1,46 m de altura e 2,63 m de distância entre-eixos. Oferece airbags frontais, laterais, de cortina e de joelhos para motorista de série.
Freios: Discos ventilados na frente e sólidos atrás, com ABS
Pneus: 225/45 R17.
Peso: 1.371 kg em ordem de marcha.
Capacidade do porta-malas: 338 litros.
Tanque de combustível: 51 litros.
Produção: São José dos Pinhas, Paraná.
Lançamento da sétima geração do Golf: 2012