EDITORIAL

Volta às aulas

As primeiras decisões sobre a volta às aulas presenciais impõem medidas e restrições que exigirão muito dos professores, pais, alunos, governos. Levaremos alguns bons anos para reduzir a desigualdade acentuada durante a pandemia entre o ensino fundamental, médio e superior público e privado.

A educação será durante muito tempo tema polêmico e tenso quando a pandemia passar e o Brasil contar seus erros e acertos. Hoje é uma vergonha nacional o conjunto de resultados educacionais de 2019 (Pnad, do IBGE): pouco menos da metade dos brasileiros chegou aos 25 anos (47%) com o diploma do ensino médio em 2018.

A pandemia expôs grandes dramas da educação. E agora nos apresenta desafios ainda mais urgentes. Será preciso zelar pelas condições que serão dadas aos alunos e aos profissionais da educação (professor, agente de limpeza e administrativo, diretor) a partir de setembro, data estimada para a reabertura das escolas.

No papel, as condições para a reabertura são as esperadas: manutenção do distanciamento de 1,5 metro entre os alunos, revesamento de turmas, ocupação mínima das escolas, reforço da limpeza diária em espaços como os banheiros, e o controle epidemiológico (professor, aluno, pode ser contaminado até se descobrir a vacina).

Impossível reduzir em poucos meses as baixas na educação registradas por décadas (precariedade dos salários, da capacitação, modernização e tecnologia).

Inegociável, no entanto, será fazer de tudo para minimizar as falhas que os alunos apresentarão – mesmo os da rede particular que em poucas semanas após a quarentena começaram a ter acesso ao conteúdo online.

Isso demandará investimentos financeiros, contratação de funcionários que passarão a ter outros encargos – eles serão os responsáveis, por exemplo pelo monitoramento de novos casos da Covid-19.

Somente a educação pode tratar os males retirados da caixa de pandora desde o início deste ano. A terra não é plana. A ciência é o meio de solucionar grandes problemas.

A educação tem vocação natural para melhorar o que o homem já possui: a capacidade de se adaptar ao ambiente. Na retomada das aulas, essa condição terá de surgir do diálogo e de um pacto social porque está, no ensino, a chave para qualificar a vida, cuidar das pessoas e do futuro planeta.


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