REIVINDICAÇÃO

Estrada da Volta Fria pode ser prioridade do Governo do Estado

FUTURO Com problemas, Estrada da Volta Fria espera por obras. (Foto: Eisner Soares)

Se depender das expectativas do secretário João Octaviano Machado, de Logística e Transportes, a pavimentação e retificação da Estrada da Volta Fria, com a construção de uma nova ponte sobre o rio Tietê, na altura do bairro do Rio Abaixo, deverão ser incluídas no primeiro lote de obras viárias a ser licitado pelo Governo do Estado, ainda no primeiro semestre deste ano. “Ela vai virar Volta Quente”, disse ele, em entrevista exclusiva a O Diário. O secretário está otimista com o andamento do projeto e falou também sobre a possibilidade de a rodovia Mogi-Bertioga vir a ser incluída na licitação para a concessão da Rodovia Presidente Dutra, conforme o Estado vem negociando com o governo de Jair Bolsonaro. A seguir, os principais pontos da entrevista:

Qual é a situação atual da Mogi-Bertioga?

Estamos fazendo estudos, inclusive com uma proposição ao Governo Federal, para ver se ela tem espaço na concessão da Via Dutra. Independente disso, estamos trabalhando com melhoras que o DER possa fazer na parte física da via e na questão operacional. Como nós podemos melhorar a performance da rodovia Mogi-Bertioga, com o que ela tem hoje.

Em que pé se encontra essa tentativa de incluir a Mogi-Bertioga da concessão da Via Dutra?

O vice-governador Rodrigo Garcia esteve, há uma semana, numa reunião com o ministro Tarcísio Gomes de Freitas, de Infraestrutura, e isso está sendo tratado porque tem lá uma negociação com o governo federal e que coincide com a própria modelagem da concessão. Afinal, qual é o problema da Mogi-Bertioga, por que não fazemos nós mesmos? É por conta dos pedágios. Como é que eu vou colocar pedágios num trecho que cruza vários municípios?

E é uma estrada de pista simples…

Além disso, mesmo que eu consiga fazer uma duplicação, tenho o problema da operação dela. Ela não consegue ter uma faixa segregada. Terá sempre a interconexão do morador desses diversos municípios ou bairros, que cruza a via. Então, isso traz um desconforto. E o governador foi absolutamente taxativo: ele não quer que os pedágios prejudiquem os moradores. Então, onde tiver praça de pedágio, que tiver esses projetos, eles têm de ser, de forma operacional, favoráveis ao deslocamento de longa distância na estrada, sem implicar numa penalização ou numa tarifação daquele usuário de curta distância.

O senhor acredita na viabilidade desse entendimento?

Olha, está se conversando e a coisa vai indo bem, mas nós vamos depender muito da visão do Governo Federal na modelagem que ele tem para a concessão da Via Dutra. Claro que uma operação como a da Mogi-Bertioga vai impactar fortemente o equilíbrio desse contrato, que se pretende fazer através da licitação do Governo Federal. Mas o governo tem sido bastante simpático à ideia, estamos conversando e vamos aguardar aí que o Ministério consiga incorporar esse projeto. Senão, nós vamos ter de buscar alternativas locais.

O senhor esteve com o deputado federal Marco Bertaiolli visitando a Estrada da Volta Fria…

Estive, os estudos caminharam e ela vai virar “Volta Quente”, pois o projeto está muito bom. Nós tínhamos um problema, que era a ponte sobre o rio Tietê e as áreas ao lado, que seriam usadas para uma duplicação, pois não tem sentido você fazer um projeto desses e manter uma ponte de pista simples.

Nem uma estrada de pista simples, pois ela deverá receber um movimento muito grande de veículos com o término da Avenida das Orquídeas, que a Prefeitura de Mogi está concluindo…

O que nós estamos pretendendo? É fazer esta conexão da melhor forma possível, porque essa avenida terá um papel importantíssimo depois, na conexão com os municípios circunvizinhos, principalmente com Suzano. Então, qual é a ideia?

A Volta Fria vai ter uma característica de conexão entre a chegada da Mogi-Dutra com esse outro trecho que entra e faz parte de uma mobilidade urbana que se conecta com as demais cidades da região. O projeto já está bem avançado, nós gastamos um tempo maior do que imaginávamos para resolver a questão da ponte. A Volta Fria vai estar presente nos planos de investimentos do DER. Nós vamos discutir com o governo, agora, os investimentos que serão liberados e eu creio que a Volta Fria fará parte do primeiro grupo a ser liberado pelo atual governo, pela importância que ela traz para Mogi e para a própria região do Alto Tietê.

É possível se falar em prazo?

Olha, eu imagino que a gente deva ter, aí pelo final do primeiro semestre, essa definição por parte da Fazenda, por parte da Secretaria de Governo, dos valores a serem liberados para os investimentos. Uma vez feito isso, podemos liberar os trechos prioritários. E me parece, por todas as características da Volta Fria, que ela entrará neste primeiro grupo de prioridades a ser liberado ainda neste semestre.

E a questão das alças de acesso ao Rodoanel, em Suzano, e ao distrito industrial do Taboão, em Mogi?

Tivemos recentemente uma reunião com prefeitos de região para retomar a discussão sobre a alça de acesso ao Rodoanel e ao Taboão. Tivemos uma conversa com as concessionárias e estão encaminhando, via Artesp, essas duas discussões. Tanto do acesso ao Rodonel, cuja alça pode ser ali no entroncamento em Suzano, ou em Poá, e o que irá definir isso será o melhor projeto e o menor custo. E a outra questão que foi muito bem apresentada pelo prefeito Marcus Melo e pelos deputados Bertaiolli, Estevam Galvão e André do Prado. Todos eles têm uma visão da importância que se reveste esta discussão do trevo do Taboão para o distrito industrial. Isso já está consolidado e nós vamos discutir, agora, com a Artesp, as aprovações necessárias e ver se ela comporta esse projeto dentro da concessão da rodovia. Mas está bem encaminhado. E, eu acredito, terá um desfecho positivo. (C.O./D.V.)


Deixe seu comentário