VW Gol mostra evolução racional

A Volkswagen até planejou a saída do Volkswagen Gol da liderança nacional quando lançou o Up, no início de 2014. Mas a ideia era que as vendas de um se transferissem para o outro, o que não aconteceu. Foram dois anos de posições menos nobres no ranking para a marca promover, em fevereiro de 2016, uma reestilização no Gol que foi além do “tapa no visual”. O compacto agora adota o moderno e econômico motor 1.0 de três cilindros da marca em todas as versões e, de quebra, ainda garantiu um patamar acima para a versão Comfortline 1.0: além do trem de força vigoroso, a configuração pode receber boa dose de conectividade com opcionais de centrais multimídias que incluem até espelhamento de celulares. Algo relativamente raro em modelos com motorização tão baixa.

 Mesmo quem não opta por esses equipamentos conta com um sistema de som com Bluetooth e ainda pode pagar à parte por um suporte para celular, instalado no topo e ao centro do painel. Ele permite deixar o smartphone em posição mais interativa e facilita o uso de aplicativos que auxiliam o trabalho do motorista. Por dentro, a transformação inclui painel modernizado e acabamento melhorado com mistura de tons e apliques brilhantes.
Por fora, a mudanças foram sutis, mas incorporaram um ar mais contemporâneo à linha. Os conjuntos óticos frontais foram redesenhados e receberam linhas mais angulosas. A grade também é nova, assim como os para-choques, que destacam as linhas horizontalizadas. De perfil, um novo vinco lateral contorna quase toda a carroceria e transmite uma ideia de largura ampliada. Já a traseira foi mais mexida. As lanternas cresceram e ganharam um aspecto tridimensional, também destacando os traços horizontalizados. A tampa traseira tem estilo mais retilíneo, com duas linhas que se conectam com o interior das lanternas e o vidro ganhou formato mais plano.
 A mudança mais impactante vem embaixo do capô. No lugar do antigo 1.0 quatro cilindros, agora o Gol adota o 1.0 12V de três cilindros, que a marca utiliza em toda a sua gama a partir deste ano. São 82 cv e 10,4 kgfm máximos com etanol no tanque e se trata de um dos mais eficientes do segmento. Isso, sem dúvida, aumenta o poder de atração do carro. As vendas de todas as versões já mostraram isso em março, primeiro mês cheio de emplacamentos da linha 2017. Foram 5.296 comercializações, contra as cerca de 3.900 que registrou na média do primeiro bimestre de 2016.
Ponto a ponto
Desempenho – O motor 1.0 de três cilindros empurra o Volkswagen Gol com boa desenvoltura. A impressão é de que se trata de um propulsor maior. O bom torque de 9,7 kgfm com gasolina e 10,4 kgfm  com etanol só aparece entre 3 mil e 3.800 rpm, mas a sensação é de que a maior parte dele já surge bem antes. Não há falta de força nos pisos planos e retomadas e ultrapassagens são feitas com eficiência. Nota 8.
Estabilidade – O Gol não é um modelo que expresse esportividade em suas versões de entrada. Ele até mantém as quatro rodas bem presas ao chão, mesmo em curvas mais fechadas. Mas convém evitar abusos, até porque essa nem é a proposta da versão Comfortline 1.0. Nota 8.
Interatividade – As mudanças deixaram o interior mais bonito, mas não mexeram com o lado funcional do Gol. O painel é simples, com poucos comandos. Mas tem tudo que é preciso para informar o motorista durante as viagens. E tudo bem à mão do condutor, de uso intuitivo. Há até um suporte opcional que comporta celulares de diversos tamanhos e facilita bastante a vida do motorista. Nota 8.
Consumo – No Programa de Etiquetagem do InMetro não consta avaliação do Volkswagen Gol com motor 1.0 12V. Nota 7.
Conforto – O Gol é um carro simples e que não privilegia tanto o espaço interno. Quatro pessoas de estatura média se acomodam relativamente bem, mas um passageiro mais alto ou com pernas mais compridas pode sofrer apertos atrás. A suspensão é firme a ponto de não absorver boa parte dos impactos causados pelos desníveis nas ruas brasileiras. E o isolamento acústico deixa um pouco a desejar quando seu motor trabalha em rotações altas – mas nada tão incômodo assim. Nota 7.
Tecnologia – A plataforma é, na verdade, uma simplificação da utilizada pela quarta geração do Volkswagen Polo, que já tem 15 anos de vida. O motor três cilindros de 1.0 litro, porém, é moderno, potente e extremamente econômico. A lista de itens de série e opcionais contempla alguns equipamentos interessantes, como central multimídia que espelha celulares – não incluída na unidade testada. Nota 8.
Habitabilidade – Há espaço para garrafas e outras coisas nos bolsões das portas e porta-trecos. De maneira geral, é fácil acomodar carteira, celular e chaves, por exemplo. O porta-malas leva bons 285 litros. Nota 8.
Acabamento – Há plásticos por toda a parte, mas de qualidade razoável. Não há folgas aparentes nos encaixes. Mas não são materiais de toque agradável. Nesse ponto, a Volkswagen nunca foi uma grande referência. Principalmente na faixa de preços em que o Gol atua. Nota 6.
Design – A reestilização aproximou o Gol da nova identidade visual da Volkswagen, sem dúvida. Mas não tirou dele as formas já cansadas e batidas do hatch compacto. Não se trata de um design muito atraente ou surpreendente. A sensação de “déjà vu” é inevitável. Nota 6.
Custo/benefício – A Volkswagen cobra R$ 42.690 pelo Gol Confortline 1.0, mas ele chega a R$ 46.330 na unidade testada, completo sem central multimídia ou volante multifuncional. Ele é o hatch compacto de marca generalista mais caro nesta configuração, chegando a custar 10% a mais que alguns concorrentes diretos. Um Renault Sandero Expression 1.0, com central multimídia e até GPS, por exemplo, sai por R$ 44.250. A vantagem do Gol é, sem dúvida, o motor moderno e eficiente de três cilindros. Nota 6.
Total – O Volkswagen Gol Comfortline 1.0 somou 72 pontos em 100 possíveis.

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