HORA DO ADEUS

VW Tiguan, uma compra de ocasião

VW Tiguan (Foto: Isabel Almeida/Autopress)

Próximo de sair de cena, o veterano SUV esbanja agilidade com o motor turbo 1.4 litro e preço já tem descontos

A data protocolar de lançamento de um automóvel nem sempre é suficiente para identificar sua modernidade. Uma troca de gerações pode ser provocada mais pela datação estética que pela atualidade tecnológica. Há modelos que já chegam ao mercado defasados, enquanto outros dão adeus quando ainda têm recursos de sobra para encarar os rivais. Este é o caso do SUV médio Volkswagen Tiguan. Como se trata de um modelo importado, ele responde às demandas de mercados mais sofisticados, como o europeu e o norte-americano, enquanto aqui no Brasil ainda está bem próximo do que os rivais oferecem.

A nova geração, já lançada lá fora, deve chegar em março do ano que vem, numa versão para sete passageiros. Para aumentar o poder de atração do Tiguan nesta fase de transição, no ano passado a Volkswagen tirou de cena as configurações mais caras, que tinham o propulsor 2.0 litros TSI, e passou a oferecer apenas configurações mais acessíveis com o motor 1.4 litro TSI, o mesmo que anima o Jetta e o Golf nacionais.

O motor turbo 1.4 do Tiguan rende 150 cv de potência e torque de 25,5 kgfm, disponíveis entre 1.500 rpm e 3.500 giros. A tração é dianteira – não há mais opção de tração integral na linha – e o câmbio é o automatizado DSG, de dupla embreagem e seis velocidades. Segundo a Volkswagen, esse trem de força consegue levar o Tiguan do zero aos 100 km/h em 9,2 segundos. Com 1.501 quilos, sua relação peso/potência é de 10 kg/cv.

Visualmente, o modelo vendido atualmente é o mesmo desde a linha 2012, quando foi promovido um “face-lift”. Com motor 1.4, as barras de teto, molduras das janelas e faixas laterais são pretas, no lugar dos cromados utilizados por boa parte dos carros atualmente. As rodas de liga leve têm 17 polegadas, mas podem chegar ao aro 18 polegadas a partir de um pacote opcional. Por dentro, os bancos são de tecido, o que surpreende um pouco, mas se justifica por tratar-se de uma configuração de entrada, única mantida na linha. Não há qualquer requinte no habitáculo. Os plásticos até são suaves, mas o interior não impressiona. Tudo é muito racional e funcional, mas sem apelo visual ou luxo.

A lista de itens de série era muito boa até pouco tempo atrás. Mas a proliferação de SUVs no mercado nacional fez com que as fabricantes atentassem para a categoria em seus diversos tamanhos. De série, o modelo vem central multimídia com sistemas MirrorLink, Apple CarPlay e Google Android Auto, mas opcionalmente é possível escolher uma versão com navegador GPS nativo. O preço parte de R$ 128.270, mas já é possível ver as concessionárias entregando o modelo sem opcionais com descontos expressivos, abaixo de R$ 100 mil. Não à toa, das 941 unidades emplacadas nos onze primeiros meses de 2017, 390 exemplares, ou 40% delas, foram em novembro.

Sistema start/stop, direção elétrica, seis airbags, controlador de velocidade de cruzeiro, ar-condicionado manual, controles eletrônicos de estabilidade e tração, volante multifuncional com acabamento de couro e ajuste de distância e profundidade, computador de bordo, freio de estacionamento elétrico com função “auto-hold” e sensor de estacionamento traseiro chegam para todos.

Ar-condicionado digital com duas zonas de controle, chave presencial, câmara de ré e sensores

crepuscular e de chuva são pagos à parte. Há ainda a opção do teto solar panorâmico, que custa R$ 7.025. Completo, o Tiguan 1.4 na cor branca da unidade testada chega aos R$ 141.332. (Márcio Maio/AutoPress)

PONTO A PONTO

Desempenho – O motor turbo utilizado no Tiguan é o mesmo que a Volkswagen adota nas versões 1.4 de modelos como Jetta e Golf. São 150 cv e um bom torque de 25,5 kgfm já a partir de 1.500 giros. O resultado é um carro sempre animado, pronto para uma acelerada mais forte. Ultrapassagens e retomadas são realizadas com facilidade e o câmbio automatizado DSG, de dupla embreagem e seis velocidades, interage bem com o propulsor e as trocas são feitas de maneira ágil e no tempo certo. Apesar dos 1.501 quilos em ordem de marcha, o zero a 100 km/ é feito em 9,2 segundos. Já a velocidade máxima vai a 195 km/h. Nota 8

Estabilidade – Apesar de ser um SUV médio, o Tiguan não é um carro muito grande. Sua dirigibilidade se assemelha bastante à de um hatch esportivo e a suspensão bem calibrada contribui para garantir o equilíbrio em caminhos mais sinuosos. As rolagens de carroceria são imperceptíveis e a sensação de segurança é constante. Nota 9

Interatividade – A visibilidade é boa à frente e atrás e o sistema de entretenimento tem tela sensível ao toque, além de GPS nativo e uso bastante simples. O volante é multifuncional e há comandos para trocas manuais de marcha. Mas os ajustes do banco do carona surpreendem, não sendo possível recliná-lo muito. Nota 7

Consumo – O Tiguan 1.4, única versão vendida atualmente no Brasil, não é flex. Na avaliação do InMetro, obteve média de 10,1 km/l na cidade e 11,6 km/ na estrada, sempre com gasolina, resultando em 2,04 MJ/km de consumo energético. Foi nota A na categoria e C no geral. Nota 8

Conforto – O espaço no Tiguan se assemelha ao de um sedã médio e acomoda muito bem até quatro pessoas. Nessas condições, há espaço para pernas, ombros e cabeças. Já um quinto passageiro pode apertar um pouco os ocupantes de trás. A suspensão tem calibragem correta e absorve com competência as buraqueiras das ruas brasileiras. Nota 8

Tecnologia – O Tiguan traz um motor que não chega a ser forte e nem flex, mas é suficiente para mover o carro com competência, além de contar com câmbio automatizado de dupla embreagem bastante ágil. O recheio é correto, ainda mais na versão mais completa, e não mostra defasagem em relação ao que é oferecido por utilitários esportivos, mesmo alguns lançados recentemente. Nota 7

Habitabilidade – O SUV da Volkswanegn até é “altinho”, mas não chega a ser algo que atrapalhe a entrada e saída do modelo. O teto panorâmico e solar ajuda a ampliar a sensação de espaço, A oferta de porta-objetos é boa e o porta-malas de 470 litros fica na média do segmento. Nota 7

Acabamento – A Volkswagen é uma das marcas mais racionais nesse aspecto e também bastante conservadora. Os plásticos têm toque macio e os encaixes são corretos. Mas não há qualquer requinte, o que decepciona por se tratar de um carro que, completo, ultrapassa os R$ 140 mil. Não há sequer couro nos bancos. Nota 7

Design – O Tiguan é um carro discreto, pouco ousado e que ainda remete demais à identidade visual passada da Volkswagen. E que já ganhou nova geração no exterior, que chegará em breve ao Brasil. Ou seja: é um veículo que sai novo da concessionária, mas já com desenho ultrapassado. Nota 5

Custo/benefício – O preço do Tiguan 1.4 começa em R$ 128.270, mas chega a R$ 141.332 completo. Os pacotes incluem teto solar, ar-condicionado digital de duas zonas, câmara de ré, retrovisor interno antiofuscante, rodas de liga leve aro 18, sensores de chuva e crepuscular, sistema multimídia com GPS e chave presencial para trava e ignição. São tecnologias já comuns atualmente. Um Chevrolet Equinox Premium, que recebe motor 2.0 turbo de 269 cv e é mais equipado, sai a R$ 149.900. E um Jeep Compass 2.0 aspirado de 166 cv completo sai a R$ 131.230. Ou seja, mesmo perto de sair de cena, o Tiguan ainda mantém preço próximo ao de modelos mais modernos. Nota 5

Total – O Volkswagen Tiguan 1.4 TFSI somou 71 pontos em 100 possíveis.


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