Zelo necessário

A crise econômica que tende a persistir nos próximos anos, independente do encaminhamento da crise política nacional, pode mesmo provocar uma radical mudança na condução dos programas de governo, que começam a ser elaborados pelos candidatos a prefeito de Mogi das Cruzes. A redução da atividade econômica e o fechamento de postos de trabalho e de negócios formais impactam diretamente na arrecadação de impostos e na base das contribuições fiscais. Aliado a isso, o rigor na prestação das contas públicas exige, necessária, uma máquina administrativa pautada por números reais. Simplificando, não adianta o candidato prometer ao eleitor mundos e fundos, sem ter como cumprir as promessas. Em especial, com hoje, quando a sucessão eleitoral municipal coincide com a efervescência alimentada pelos escândalos financeiros, pedaladas fiscais e as denúncias de corrupção política ferindo, ainda mais, a tão já maculada credibilidade da gestão pública em todos os níveis de governo.Simplificando: ao contrário de eleições mais recentes, os políticos terão de apresentar razões concretas para ganhar a confiança do eleitor. Não há dúvida de que acerta o secretário municipal de Saúde, Marcelo Cusatis, ao definir que o futuro prefeito terá de se mostrar um ótimo zelador de Mogi das Cruzes para conseguir vencer as nuvens negras enfrentadas atualmente em muitos municípios e estados brasileiros completamente falidos e desacreditados.
De um bom zelador espera-se rigor, diligência, empenho e pontualidade para o cumprimento de seus deveres. No caso do futuro prefeito, essas características serão necessárias para controlar os gastos, manter os serviços públicos e a estrutura atual em funcionamento e, principalmente, garantir o repasse de verbas federais que são vinculadas ao cumprimento de metas pré-estabelecidas.
Em 2015, a queda na arrecadação beirou os 20%: foram arrecadados R$ 922 milhões, frustrando a expectativa da Prefeitura de obter R$ 1,146 bilhão. No final do ano passado, antes da aceleração da crise econômica, o governo municipal previa uma baixa de 10% da meta em 2016.
Todas as informações são importantes nesse momento, quando o eleitor vai começar a receber as ideias, opiniões e os programas de governo que serão apresentados pelos candidatos a prefeito. Mágica, não existe no fechamento das contas públicas e nem das privadas, como a operação Lava Jato tão bem clarifica. Com a melhoria dos mecanismos de controle sobre onde é aplicado o dinheiro público, tentativas de maquiar números e metas podem até aparecer na disputa eleitoral. Caberá ao eleitor separar o joio do trigo, e não se iludir pelo bem do futuro da Cidade.


Deixe seu comentário