HISTÓRIAS DA BOLA

Zenon, moderno no passado

O meia catarinense Zenon de Souza Farias, nascido em Tubarão, no dia 31 de março de 1954, foi na década de 80 um jogador moderno até mesmo para os dias atuais. Sua inteligência e visão de jogo eram características que os clubes de hoje em dia desejam em seus meias. Zenon era um exímio lançador, perfeito cobrador de faltas, o autêntico meia-esquerda dos sonhos de qualquer treinador.

Sabedor de suas qualidades, o craque sempre exigia vestir a camisa 10. O craque era do tempo em que a mística da camisa 10 era fascinante, fazendo o papel do meia à moda antiga, sempre deixando os companheiros na cara do gol.

Zenon chegou a dizer que preferia ficar no banco de reservas a jogar com outra camisa que não fosse a 10. Isso aconteceu no Guarani, onde brigou com um treinador que queria obrigá-lo a vestir a camisa 8, atuando fora de suas características.

Zenon não imaginava levar a vida como boleiro. Mas quando começou a jogar, gostou tanto que resolveu não largar mais. Em 1971, com 17 anos de idade, iniciou no modesto Hercílio Luz, da cidade de Tubarão, em Santa Catarina, onde aprendeu a jogar na posição que segundo ele próprio, aprendeu a amar.

Dois anos depois rumou para o Avaí, onde jogou três temporadas, conquistando o Campeonato Catarinense em 1973 e 1975. Em 1976 foi contratado pelo Guarani, onde tornou-se o cérebro da equipe, chamando a atenção em todo o Brasil.

No Bugre, conquistou o Campeonato Brasileiro de 1978 em cima do Palmeiras, no maior time do Guarani em todos os tempos. Em seguida recebeu um convite do Al Ahli, da Arábia Saudita, onde atuou por três anos. Em 1981 retornou ao Brasil para defender o Corinthians.

No Parque São Jorge Zenon foi o meia-armador que o time não via desde a saída de Roberto Rivellino. Ao lado de Sócrates, formou uma das mais afinadas duplas de meio-campo da história do Timão.

Seus passes perfeitos, seus lançamentos, cobranças de faltas e o inconfundível jeito de tocar na bola fizeram com que Zenon fosse o grande maestro da equipe, regendo uma orquestra que além de Sócrates contava com Casagrande, Biro-Biro, Ataliba, Wladimir, entre outros. O cérebro mosqueteiro foi fundamental na conquista do bicampeonato Paulista em 82 e 83, na era da “Democracia Corinthiana”.

Mesmo sendo um gênio da bola, Zenon não conseguia oportunidades na Seleção Brasileira, pois o treinador Carlos Alberto Parreira entendia que o futebol daquela época não tinha espaços para meias como ele. Zenon jogou ainda no Atlético Mineiro, Portuguesa de Desportos, Guarani e Grêmio Maringá, encerrando a carreira em 1991 no São Bento de Sorocaba, aos 37 anos de idade.

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