CHICO ORNELLAS

A cidade há 70 anos

TEMPOS PASSADOS – Era assim a Praça Firmina Santana no início da década de 1950. O Cine Urupema recém construído e o prédio da loja A Triunfante em obras. Uma Cidade de 60 mil habitantes, a 13º maior do Estado. Hoje, com 440 mil habitantes é a 12º mais populosa de São Paulo.
TEMPOS PASSADOS – Era assim a Praça Firmina Santana no início da década de 1950. O Cine Urupema recém construído e o prédio da loja A Triunfante em obras. Uma Cidade de 60 mil habitantes, a 13º maior do Estado. Hoje, com 440 mil habitantes é a 12º mais populosa de São Paulo.

Há alguns dias, sem outros temas, alguém propôs um desafio lá em casa. Como não havia repentistas no grupo, decidiu-se que a memória de cada um prevaleceria. O desafio: todos deveriam imaginar um passeio pela Mogi das Cruzes do início dos anos 50, preferencialmente ao comércio local. Cada um ia falando, eu ia anotando sem qualquer preocupação de ordem. Depois, uma rápida pesquisa deu-me os endereços dos estabelecimentos citados.

Vamos a esse passeio:

O Bazar do Celso (Rua José Bonifácio, 200) concorria com o Bazar Urupema (de Américo Rodrigues Orosco, Praça Firmina Santana, 17). Perto deste, atendia o dentista Luiz Antônio Mori (Praça Firmina Santana). O Café Lourenço era um dos campeões de vendas, junto com o Café Itapety, de Fouad Bou Ghosson (Rua Coronel Souza Franco, 699). E Enrico Cecconi (Rua São João, 541) comercializava madeiras de lei e carvão vegetal da melhor qualidade. O ponto de encontro da Cidade era a Leiteria Glória (Rua Dr. Deodato Wertheimer, 224) e Alfio Lanfranco e Álvaro Loureiro eram fotógrafos disputados (Foto Brasil, Rua Braz Cubas, 78-B). Assim como o fotógrafo J.B. Fittipaldi (Rua Dr. Paulo Frontin, 43). José B. Batalha respondia pela Farmácia Nossa Senhora Aparecida (Rua Dr. Deodato Wertheimer, 460) e Eduardo A. Poyares pela Casa Eduardo de calçados finos (Rua Dr. Deodato Wertheimer, 288). Miranda & Faria era a razão social do Bazar Santo Alberto (Rua Rodrigues Alves, 273) e Diogo Domingues & Domingues o dono da Casa Doxa (Rua Coronel Souza Franco, 364).

Médico de crianças era Aziz A. Rizek (Rua José Bonifácio, 160) e representante da Cerâmica São Caetano o comerciante Salvador Boucault (Rua Ricardo Vilela, 122). José Moreno comandava a Casa Moreno (Rua Dr. Deodato Wertheimer, 178), Ismael Pereira cuidava da Casa Cacique (Rua Coronel Souza Franco, 253) e José Ignácio Bicudo do Bar São Jorge (Rua Braz Cubas, esquina com a Praça Oswaldo Cruz). Leonor Pereira Chaves, sucessora de Adolpho Pereira, respondia pelo Serviço Funerário (Rua José Bonifácio, 49) e os Ariza pela Farmácia São José (Rua Coronel Souza Franco, 379), concorrendo com a Farmácia Santa Teresinha, de Acácio Cruz (Rua Dr. Deodato Wertheimer, 188). Carlos Costa era o dono da Padaria Central (Rua Dr. Paulo Frontin, 275) e Alberto Peixoto Bastos da Padaria Mogiana (Rua Coronel Souza Franco, 561). Também havia a Padaria São Sebastião (Rua Paulo Frontin, 164), de Francisco Assis Ferreira de Andrade.

A Casa de Carnes São José ficava na Avenida Pinheiro Franco, 404 e a Mercearia Madre Theodora na Rua Flaviano de Melo, 913). Marão Elias trabalhava no Armazém Marão (Rua Flaviano de Melo, 974) e João Rodrigues da Cunha no Bazar Santo Antônio (Rua Coronel Souza Franco, 323). Os irmãos Cardoso Pereira tocavam a Cerealista Mogiana (Avenida Pinheiro Franco, 354). O Hotel e Restaurante Jardim (Praça Oswaldo Cruz, 43) era propriedade da firma Namura, Abib & Cia. Ltda., que também administrava os hotéis Avenida (Avenida Pinheiro Franco, 884), em Mogi e Máximo (Rua Barão de Jaceguai, 32), em Jacareí.

Outro hotel da Cidade, longe do centro, era o Estância dos Reis, de Carlos Barattino. E Vicente Manna cuidava da Casa Manna (Rua Flaviano de Melo, 992. A propósito: a Empresa de Ônibus Eroles, mantida pela firma Henrique Eroles & Filho Ltda., funcionava na Rua Dr. Deodato Wertheimer, 596 e operava nove linhas – de Mogi para Capela do Ribeirão; Sertão dos Freire; Taquarussú; Tapanhaú; Biritiba Ussú; Barroso; Braz Cubas e Jundiapeba e de Jundiapeba ao Asilo Santo Ângelo.

Nessa época – início dos anos 50 – Mogi das Cruzes tinha cerca de 60 mil habitantes e era o 13º município mais populoso do Estado. Hoje, com 440 mil, ocupa a 12ª posição.

Carta a um amigo

O Casarão da Coronel

Caro leitor

Por deferência de Paulito Costa, redigi o prefácio do livro “O Casarão da Coronel e Suas Histórias”, que ele e Vanice Assaz acabam de apresentar a Mogi e, desde pronto, transformou-se no maior sucesso editorial dos últimos anos por aqui. Suas duas primeiras edições estão esgotadas.

Pelo sucesso, achei oportuno compartilhar com você o prefácio que se segue:

Como eu, sei que vocês vão se apaixonar pelo relato com que nos brinda Paulo Costa Junior, neste O casarão da coronel. Nada a ver com devaneios, tudo interage com a cidade a partir de uma decisão familiar tomada por João Cardoso de Siqueira Primo, no início do século XX: construir uma casa para a família. Na provinciana Mogi das Cruzes desse tempo, era uma casa diferente. Sua concepção arquitetônica e a decoração interna remetiam a ares europeus. Sem luxo, mas com amor, ela ocupou um terreno de 1.200 m2 na então rua Municipal, atual Coronel Souza Franco. Havia poucos vizinhos e, de referência, apenas o prédio do antigo Fórum e Cadeia Pública – está lá ainda hoje. Nem o Colégio do Estado existia; viria apenas em 1938. O casarão, desde o início da década de 1920.

LIVRO – “O Casarão da Coronel e Suas Histórias”, Paulo Costa Junior e Vanice Assaz, Lopes & Acioli Editora, 162 páginas.

Pois ele é o microcosmo em torno do qual orbitam amores e desamores; uniões e desavenças; verdades e mentiras. E histórias, muitas histórias de gente que fez, e faz, parte de nossa Mogi.

A aglutiná-las, no texto de Paulito, há uma mulher forte. O bastante para ter encarado o que viesse da vida, desde que se viu sozinha, com quatro filhos pequenos. Lucinda era assim. Deve ter tido seus momentos de desespero, os curtiu solitária. Cada episódio parecia tirar-lhe, das entranhas, um espírito de Fênix, o mitológico pássaro que colhe, nas próprias derrotas, força para ressurgir. Cada vez mais forte.

E uma mulher que ouve, atributo peculiar dos sábios. Foi assim, iniciado o ano de 1953, quando escutou, de um professor que lhe tomava refeições em Jacareí, a sugestão de assumir uma pensão disponível em Mogi, maior do que aquela que mantinha. Ouviu, pesquisou, prospectou com os proprietários e mudou-se, com os quatro filhos, no domingo, 12 de julho de 1953.

O professor que lhe sugeriu era Boris Grinberg, também advogado e que, 13 anos depois, participaria da fundação das primeiras faculdades, que viriam integrar a Universidade Braz Cubas. Boris era assim mesmo: diretor da Faculdade de Direito Braz Cubas, ficava inquieto enquanto não conseguisse indicar casas, para que muitos de seus professores se mudassem para Mogi. Sei de vários exemplos. Eu próprio tive um momento decisivo com ele. Estava no 3º ano de sua faculdade quando, em um jantar de professores, no Restaurante Piatto D’Oro, Boris me apontou para um dos convidados, então editor do jornal O Estado de S. Paulo e lhe disse: “Pedroso, o Chiquinho Ornellas faz bom trabalho no jornal daqui, você não pode testá-lo no Estadão?”. Começava ali – 1969 – minha trajetória de 44 anos na imprensa paulistana.

Voltemos ao Casarão da coronel e às deliciosas reminiscências de Paulito. Há de tudo, paixões juvenis, outras tantas maduras; também algumas não correspondidas. Passeia-se pela rotina da educação 50 anos atrás e pelos costumes de então. Conta-nos de sonhos idealizados e de pesadelos vividos. Neste particular, o autor despe-se, por completo, e nos abre a alma, mais que sentimentos.

E que fim levou a casa sonhada e construída, há 100 anos, por João Cardoso de Siqueira Primo? Ela continua lá, agora preservada e restaurada. Ao final desta deliciosa leitura podemos, sem convite, passear por seus aposentos, tão bem descritos pela jornalista Vanice Assaz

Como eu, sei que vocês vão se apaixonar pelo relato com que nos brinda Paulo Costa Junior, neste O casarão da coronel.

FRANCISCO ORNELLAS, jornalista, é membro titular do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo.”

GENTE DE MOGI

PROATIVO – O dia, para ele, parecia não se limitar a 24 horas. Passava da calma absoluta à frenética vontade de resolver – o que fosse. Graduado pela Faculdade de Odontologia da UMC, elegeu-se vereador, pela primeira vez, em 1992 e cumpriu a 11ª Legislatura; reeleito em 1996, quis o destino que seu segundo mandato durasse apenas 10 meses, tolhido por um infarto fulminante, quando em viagem oficial ao Japão. Jefferson da Silva, o , foi sepultado dia 9 de outubro de 1997 no Cemitério de São Salvador..

O melhor de Mogi

Que falta nos faz uma representação política de peso: agora foi a unidade local da Procuradoria Seccional da Fazenda, desativada por ato do procurador-geral da Fazenda Nacional. Quem precisar de seus serviços, que vá a São José dos Campos ou Guarulhos.

O pior de Mogi

O mercado local de gastronomia. Já não se passa vergonha, por aqui, quando se recebe uma visita e a leva a um dos restaurantes da cidade.

Ser mogiano é…

Ser mogiano é… chamar a Praça Coronel Almeida de Largo da Matriz, mesmo sabendo que a Catedral de Santana está ali há quase 60 anos.


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