REABILITAÇÃO

AACD de Mogi promove autonomia e inclusão de assistidos

Unidade de Mogi da AACD atende hoje 280 pacientes de Mogi e região com o apoio do Condemat. (Foto: Eisner Soares)
Unidade de Mogi da AACD atende hoje 280 pacientes de Mogi e região com o apoio do Condemat. (Foto: Eisner Soares)

Inclusão e autonomia. Essas são as palavras principais para descrever o atendimento prestado na AACD. Desde 2011, Mogi das Cruzes conta com uma unidade da instituição, que hoje atende cerca de 280 pacientes das cidades da Região. Em outubro de 2018, um contrato foi assinado com o Consórcio de Desenvolvimento dos Municípios do Alto Tietê (Condemat) que é quem investe R$190 mil por mês para a manutenção do espaço.

Desta maneira, o valor é dividido entre as cidades, de acordo com o número de atendidos em cada uma delas. Para que a pessoa seja atendida no local, é necessário buscar a Secretaria de Saúde do município em que reside com um encaminhamento médico e outros documentos, como RG, CPF e comprovante de residência.

Caso esteja tudo de acordo com o que é solicitado, é a médica fisiatra da AACD quem avalia se o diagnóstico é compatível com os serviços prestados por lá, já que a instituição realiza somente a reabilitação física. Estando tudo de acordo, o paciente passa ainda por uma avaliação global, onde todos os terapeutas estão juntos para avaliar o caso e verificar quais terapias serão feitas.

Com a concretização da parceria com o Condemat, ficaram disponíveis 350 vagas e, por isso, hoje não há fila de espera para ingressar no atendimento. Entre os 280 atendidos, 51% são crianças de até 10 anos e outros 21% são pessoas acima dos 50.

“O que pode acontecer é de o paciente precisar esperar um pouco para trocar de terapia, porque não há vaga em alguma outra naquele momento. Mas, hoje, o Consórcio supre as despesas da unidade. Existem ainda dificuldades para a AACD enquanto instituição, porque em outras cidades o dinheiro que é repassado não cobre os custos. Por isso precisamos muito das doações”, explica a gerente da unidade mogiana, Paula Pavan.

Junto dela, há uma equipe formada por mais 32 funcionários que integram a parte administrativa, de apoio e de terapia, esta formada por fisioterapeuta de solo e aquático, terapeuta ocupacional, pedagogo, psicólogo, assistente social, fonoaudiólogo e uma médica fisiatra. Além disso, a unidade conta com a colaboração de 30 voluntários.

Da porta de sua sala, Paula consegue ver quem entra e quem sai da AACD de Mogi. Ela brinca dizendo que é um lugar estratégico para que possa acompanhar a evolução dos pacientes. “É muito satisfatório poder assistir tudo isso de perto. Pessoas que chegam aqui de cadeira de rodas e saem daqui andando. Também tem a socialização, eles criam laços aqui. Então, vemos que a autonomia e a inclusão estão realmente sendo promovidas”, finaliza a gerente.

Atividades melhoram a qualidade de vida de José 

Em 2007, José Valle Perez Junior, 61, foi diagnosticado com esclerose múltipla. Apesar dos quase 13 anos convivendo com a doença neurológica que não tem cura e é progressiva, ele nunca procurou um tratamento físico, apenas fazia uso da medicação por meio de injeções. Há cerca de um ano chegou à AACD de Mogi das Cruzes, onde passa por atendimentos que têm como objetivo dar uma melhor qualidade de vida a ele.

José Valle Perez Junior tem esclerose múltipla e se exercita. (Foto: Eisner Soares)

“Eu piorei muito com a doença e comecei a vir aqui, depois do encaminhamento da minha médica, com a esperança de viver melhor. É difícil, porque a cada dia aparece alguma coisa e eu pioro um pouco. Então, preciso continuar vindo. Preciso cuidar, porque a esclerose aumenta muito”, disse Junior.

Após ter sido diagnosticado, ele ainda continuou trabalhando por aproximadamente dois anos. Formando em administração de empresas, dava cursos em bancos enquanto era gerente do Serasa. Mesmo quando foi afastado do emprego, ele lembra que ainda estava bem e conseguia desempenhar diversas funções, como dirigir, o que hoje ele não faz mais.

Junior é morador de Suzano, e toda semana vem à cidade com o transporte por aplicativo. Na AACD faz terapia ocupacional, fisioterapia aquática e de solo, além de passar por sessões com a psicóloga eu também com a fonoaudióloga. Por mais que o tratamento oferecido não possa curar a esclerose, ele se faz necessário para que o paciente tenha qualidade de vida.

Rogério morreria ou vegetaria 

“No próximo mês eu vou me casar”. A frase pode parecer simples se dita por outras pessoas, mas não quando é falada por Rogério Campos Miranda, 52. Em junho de 2017, ele viu sua vida mudar completamente quando sofreu um Acidente Vascular Cerebral (AVC). Após 25 dias em coma e outros 21 em quarto de hospital, o diagnóstico por parte dos médicos era certo: ele morreria ou ficaria até o fim dos dias em estado vegetativo.

Naquele mesmo ano, em outubro, ele foi encaminhado para a AACD de Mogi das Cruzes, onde é atendido até hoje. Agora, além de falar, ele consegue sentar, se locomover em uma cadeira de rodas e, até, tomar banho sozinho, uma grande conquista para quem anos atrás movimentava apenas os olhos. O movimento das mãos também tem melhorado o que possibilita que o ex-gestor de logística esteja escrevendo um livro para contar sua história.

Rogério Campos Miranda recebeu diagnóstico de um fim sombrio, mas venceu e vai se casar. (Foto: Eisner Soares)(

Morador de Mogi, Rogério trabalhava em Taubaté no Instituto Adolfo Lutz. Por lá, saiu para jantar com um casal de amigos e quando estava indo embora passou mal enquanto dirigia e bateu o carro. Ainda sim, conseguiu chegar a uma casa onde passava três dias da semana na cidade do Vale do Paraíba. Por lá, passou mal mais uma vez, mas pensou que fosse somente um mal estar.

“Quando me senti melhor ainda guardei o carro e tomei banho. Quando fui dormir, caí ao lado da cama. Como morava sozinho, fiquei desacordado por 14 horas. Depois disso, me encontraram e chamaram o SAMU. Fui para a UPA e depois para o Hospital Regional de Taubaté. A lesão que tive foi profunda, por isso diziam que eu iria morrer ou vegetar”, conta Rogério.

Vendo seu progresso semanal na AACD, ele – que já passou por terapia ocupacional, fonoaudióloga, psicóloga, fisioterapia de solo e hoje faz a aquática – diz que acredita que vai voltar a andar para poder dar seu testemunho de que Deus e a instituição foram os responsáveis por sua recuperação.

No dia 1º de janeiro Rogério ficou noivo de Valdete, uma antiga conhecida com quem já se casa no próximo mês. Ainda este ano, ele também pretende lançar o livro de sua autoria, que já está sendo finalizado.


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