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Guedes critica Bancos Centrais sobre a inflação global: ‘Dormiram ao volante’

Ministro da Economia afirma que as autoridades monetárias pensam que estão fazendo um bom trabalho, mas que problemas foram mascarados pela ascensão chinesa

Agência O GloboPublicado em 06/12/2021 às 17:07Atualizado há 2 meses
Foto: Cristiano Mariz / Agência O Globo
Foto: Cristiano Mariz / Agência O Globo

O ministro da Economia, Paulo Guedes, criticou a atuação de Bancos Centrais e Tesouros Nacionais de todo mundo no combate à inflação. Ele afirmou que os preços de bens e serviços nos mercados globais estiveram “calmos” por duas ou três décadas quando não houve moderação de Bancos Centrais ou pelos Tesouros,avaliando a política fiscal, diferente do momento atual de disparada de preços.

— Enquanto isso, os Bancos Centrais e Tesouros estão achando que estão fazendo um grande trabalho. Vão descobrir brevemente que dormiram ao volante– afirmou o ministro durante evento do Tesouro Nacional nesta segunda-feira (6).

Em sua avaliação, a inflação mundial não se manifestou por um problema de equilíbrio geral. Ele citou o ingresso de 3,7 bilhões de eurasianos nos mercados de trabalho globais, o que teria cegado os radares das autoridades monetárias, pois afetou salários e a oscilação de preços em todo o mundo.

O ministro faz essa relação com eurasianos com frequência. Ele usa a expressão para se referir às mudanças promovidas pela China em seu processo de abertura ao mercado.

Ele disse que deixava essa provocação para o conferencista do evento, o economista John Cochrane, especialista em economia financeira e macroeconomia e ex-professor da Universidade de Chicago.

Guedes também citou o Teorema da Equalização do Preço dos Fatores (quando preços de mercadorias e de capital e trabalho se igualam a medida que países caminham para o livre comércio) ao afirmar que os Bancos Centrais de países avançados se beneficiaram da globalização.

Acrítica genérica de Guedes às autoridades monetárias vem na esteira de um período de elevação global na inflação. No Brasil,a alta nos preços já está em 10,3% nos últimos 12 meses e vem forçando o Banco Central a promover seguidas elevações da taxa básica de juros, a Selic, para conter os preços.

Apesar de Guedes não citar nominalmente o presidente do BC, Roberto Campos Neto, este vem seguidamente apontando o risco na condução da política fiscal como um fator complicador para a persistência da inflação elevada.

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