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Duplicação da Mogi-Dutra guarda histórias ainda desconhecidas

Ex-deputado Junji Abe lembra dos entraves políticos e administrativos a serem vencidos para permitir que a segunda pista da rodovia fosse projetada e executada pelo governo estadual

Darwin ValentePublicado em 24/09/2021 às 15:35Atualizado há 21 dias
Arquivo O Diário
Arquivo O Diário

A duplicação da rodovia Mogi-Dutra ainda guarda histórias desconhecidas, como uma contada esta semana à coluna pelo ex-deputado Junji Abe (MDB), que envolveu o que se pode chamar de verdadeiro imbróglio político-partidário apenas para se chegar aos recursos para o projeto executivo da obra.

No final da década de 1990,  o deputado Junji Abe estava filiado ao PFL, à época comandado pelo cacique baiano, Antonio Carlos Magalhães, que desejava ver, a todo custo, o apresentador Silvio Santos como candidato a prefeito de São Paulo pelo partido. 

A intenção contrariava os planos de Arthur Alves Pinto, então comandante da legenda no Estado. 

O impasse acabou provocando uma intervenção no partido. Mas antes disso, liderado pelo já experiente articulador Gilberto Kassab, um grupo de seis deputados abandonou a legenda. 

Temiam ficar impedidos de concorrer à reeleição. E foram todos para o PL. 

Depois de reeleito, o sexteto retornou ao PFL. 

Foi quando Kassab promoveu uma  espetaculosa puxada de tapete, tirou o ex-ministro da Agricultura, Antonio Cabrera, do comando e acabou assumindo a presidência do PFL paulista. 

A essa altura da história, vale um parênteses: uma de suas primeiras medidas de Kassab foi trazer para o grupo um garoto muito esperto, que era auxiliar direto de Cabrera, de nome Rodrigo Garcia, mais tarde seu companheiro de chapa para deputado estadual e hoje vice-governador de São Paulo, ao de João Doria, ambos do PSDB. 

Mas voltemos à saga dos pefelistas. 

Sob o controle absoluto de Kassab, o PFL buscou aproximar-se do governador paulista da época, Mário Covas (PSDB), que nos encontros com a bancada, sempre ouvia os apelos de Junji  para que a Mogi-Dutra fosse duplicada. 

O deputado sempre levava consigo recortes do jornal O Diário mostrando graves acidentes e cobrando a segunda pista na rodovia já saturada pelo excesso de tráfego.

Certo dia, certamente já incomodado com as cobranças de Junji, o governador propôs: se ele arrumasse R$ 100 mil para o projeto, o governo faria a obra. Naquele ano de 1997, tal quantia significava muito dinheiro, até para o governador que recebeu os cofres raspados da administração Fleury Filho (PMDB).

Mas naquele ano, já no governo, o PFL recebeu vários cargos na administração do Estado. Ao dividir os postos entre a bancada, Kassab deixou para Junji a nomeação do futuro diretor de Operações do DER.

E o que fez o mogiano? Em lugar de indicar alguém de seu grupo político, Junji procurou o superintendente do órgão e pediu que ele apontasse alguém de carreira para o cargo. 

O engenheiro Pedro Ricardo Frissina Blassioli foi o escolhido e logo procurado por Junji para falar sobre a duplicação da Mogi-Dutra. 

Comentou com ele sobre os R$ 100 mil para o projeto e pediu ajuda do indicado para viabilizar a obra. 

Passaram-se alguns dias, até que Junji foi chamado para um café por Blassioli, que lhe comunicou: graças a uma verdadeira ginástica contábil, o diretor havia conseguido raspar o cofre do setor e arranjar o dinheiro do projeto. 

Junji saiu de lá direto para o gabinete de Covas. O primeiro passo para a duplicação havia sido dado.

Com projeto pronto, a obra seria realizada por Geraldo Alckmin (PSDB), sucessor de Covas no governo paulista.

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