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RESUMÃO DA PEREGRINAÇÃO

Após 23 dias, Padre Alessandro cumpre sua promessa; veja resumo

Padre chega, finalmente, à Catedral de Santiago de Compostela, após longa peregrinação

Darwin Valente Publicado em 29/10/2021 às 12:00Atualizado há 1 mês
Foto: arquivo pessoal
Foto: arquivo pessoal

As dores, quedas, cansaço, fome e sede, lágrimas e desânimo... tudo ficou para trás, perdido entre as pedras, subidas, descidas e mistérios do Caminho de Santiago, quando padre Alessandro Campos dobrou os joelhos sobre os paralelepípedos da enorme praça, diante da Catedral de Compostela.

Após 23 longos dias de caminhada enfrentando o frio cortante da região dos Pirineus e montanhas próximas, as chuvas e instalações improvisadas dos albergues, o religioso pôde, finalmente, agradecer a Deus por haver livrado a sobrinha Rebeca, quando tinha apenas 1 ano de idade, do diagnóstico de autismo, que levou o padre a prometer a viagem, a pé, pelos 869 km que separam Saint-Jean-Pied-de-Port, em Paris (França), de Santiago de Compostela, na Galícia (Espanha).

Ajoelhado em plena praça,  uma bandeira do Brasil com a imagem de Nossa Senhora Aparecida sobre o peito, padre Alessandro viveu momentos de intensa emoção, contemplando a grandiosidade da Catedral de Compostela e agradecendo ao Senhor pelo milagre da sobrinha, pela avó Joana, hoje vítima do Mal de Alzheimer, a mãe Fátima, os demais familiares e, em especial, os seus dois companheiros de viagem, Thiago Gomes e Claudio Silva, o “Zum”. 

Com os dois amigos, seus companheiros de trabalho nos palcos da vida, padre Alessandro Campos dividiu as tristezas e alegrias de uma viagem que será eterna para todos eles.

A trajetória foi contada, dia a dia, por este jornal e acompanhada de perto por fiéis seguidoras do padre cantor. Pessoas como Noeci Reis, de Blumenau (SC); Salete Campiol, de Valinhos (SP); Madalena Tobias e sua amiga Terezinha, assim como a madrinha Ana Maria Damasceno, de Mogi das Cruzes, que viveram e sofreram com o religioso, todos os percalços de uma viagem de imprevistos, mas também de alegrias. 

Em seus depoimentos a este jornal, enquanto torciam pela chegada do padre ao seu destino final, todas demonstraram o quanto as palavras e ações de Alessandro, seja na igreja, no palco ou na tevê, significam para elas.

“Tinha medo que ele pegasse uma pneumonia”, disse Salete. 

“Rezei e pedi a Deus que o livrasse de tanto sofrimento”, contou Noeci, ao ver o padre fraquejar de cansaço, na subida de uma das muitas escadas do Caminho.

“Achei a viagem muito pesada. Foi muito sofrimento”, disse Maria Madalena.

“Lia O Diário e ficava preocupada. Era um pedaço de filho que estava sofrendo”, atestou Ana Maria, que acompanha a vida do afilhado desde quando ele tinha apenas 9 anos e morava no Jardim Santa Tereza, em Braz Cubas.

Foi lá que a irmã Daiane, mãe da pequena Rebeca, hoje com 1 ano e 10 meses e frequantando a pré-escola, esperava, a cada dois dias, o telefonema do mano, dando notícias  da viagem e ouvindo palavras de incentivo da família que ainda aguarda, com grande expectativa, a volta para casa do padre pagador de promessas.

Bons momentos

E se exigiu muito sacrifício dos três amigos, a viagem também proporcionou a alegria de encontros e reencontros, como o primeiro contato com um grupo de brasileiros, em Los Arcos, logo no começo da caminhada, que terminou com padre Alessandro dando um show de música sertaneja em pela praça da cidade. 

Mais emocionante que isso só o reencontro do religioso com Irmã Maria Gonzales, que voltou para a Espanha após permanecer mais de 30 anos no Brasil, a maior parte desse tempo em Mogi das Cruzes, como integrante do Instituto Amor Misericordioso. 

Irmã Maria foi uma das grandes incentivadoras para que o menino que brincava de rezar missa usando um roupão da avó como batina e suco de uva no lugar de vinho, estudasse para se tornar sacerdote. Aquele que, agora, fez questão de celebrar uma missa na capela da congregação, em Bilbao, onde ofereceu a hóstia consagrada a Irmã Maria, que tenta vencer o câncer de mama que a afastou do Brasil há mais de uma década.

O encontro com o amigo Nico Russi, de Santa Catarina, numa igreja de Astorga, foi outro momento de alegria vivido por padre Alessandro, quando já ingressava na etapa final da viagem.

Tudo isso só pôde ser comparado às emoções vividas por ele ao participar de celebrações nas maravilhosas igrejas situadas ao longo do caminho, verdadeiros tesouros arquitetônicos de beleza incomensurável, capazes de deixar boquiaberto o religioso que já conhece templos de diversas outras partes do mundo.

Foi assim em cidades maiores, como Los Arcos, Burgos e León, mas também em menores, como Astorga, ou mesmo em pequenos povoados. A beleza das igrejas impressionou o padre pela conservação e pela história que acompanha a existência de cada uma delas.

Enfim, uma viagem de situações surpreendentes vivenciadas pelos três amigos, durante todo o tempo de caminhada. Na madrugada de ontem, na Espanha, padre Alessandro, ainda cansado, mas aliviado, falou a O Diário sobre a principal lição tirada da grande aventura:

“Ela veio logo no primeiro dia, quando caminhamos perto de 20 horas, passando fome e sede. Nós precisamos de muito pouco para sermos felizes. A gente se preocupa demais com tantas coisas, tantos afazeres; se preocupa demais em ter, em possuir, com o poder, a beleza, a riqueza, o sucesso. Tudo isso é um nada, quando você está no meio de uma mata, sem comer, sem beber, com fome, com sede, com frio... se eu tivesse milhões de reais ali, não valeriam nada... então a primeira lição foi que precisamos de pouco para sermos felizes. E a segunda lição é que o Brasil é o melhor país do mundo para se viver. O carinho, o afeto, o calor humano são coisas que não se encontram longe de nossa terra. O melhor lugar do mundo chama-se Brasil. E ponto final". 

Lembrando as “queridas velhinhas”

Diante da Catedral de Santiago de Compostela, o padre dedicou parte de seus agradecimentos às suas seguidoras, que ele chama carinhosamente de “minhas queridas velhinhas”, o seu público fiel da terceira idade. 

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