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Como ter harmonia na vida em condomínios durante a pandemia

É preciso saber lidar com problemas de convivência gerados pela proximidade entre vizinhos e o maior tempo que as pessoas passam em casa

Heitor HerrusoPublicado em 16/04/2021 às 14:56Atualizado há 2 meses
Danilo Scarpa
Danilo Scarpa

No dicionário, a palavra “regra” é tida como “o que regula, disciplina ou rege”. Outra definição para este substantivo é “fórmula que indica o modo correto de agir em determinados casos”. Considerando isso, para Nivaldo Natale, 62 anos, proprietário de uma empresa de síndicos profissionais e síndico de pelo menos seis condomínios em Mogi das Cruzes, são as regras que garantem o “bom relacionamento” dentro destes espaços, principalmente durante a pandemia de Covid-19. 

São as normas que fazem com que as pessoas aprendam a lidar com o barulho que o vizinho faz durante a tarde, como aquela “reforminha” que atrapalha o home office, por exemplo. Ou então com o fato de que com mais pessoas em casa, o consumo de água e gás será maior, o que pode impactar locais em que há rateio entre condôminos. Além de, claro, muitas outras situações. Ou até mesmo a utilização correta do elevador social, para serviços, mudanças e subir com as compras.

Para Nivaldo, a convivência em condomínios é mais delicada do que em “logradouros normais, de rua”, já que a “proximidade entre os moradores” faz com que existam condutas específicas. Isso vale para casas e apartamentos, embora a “interferência” seja muito maior em empreendimentos verticais. 

Como diria Tim Maia, é preciso “chamar o síndico”, ou a síndica. É preciso chamar este profissional que faz a mediação dos problemas gerados por essas tais interferências. Um exemplo é a não aceitação de alguns moradores sobre as áreas de lazer, entretenimento e atividades físicas, que permanecem fechadas por segurança e para garantir o distanciamento social.

Para Nivaldo, as diferenças são resultados já esperados de uma tentativa de “viver dentro de uma comunidade”, seja ela pequena ou grande. E por isso a presença de um profissional é necessária. “É para onde se recorre”, diz ele, que tem que explicar não ser uma decisão do condomínio fechar áreas de lazer. “O decreto da prefeitura incluiu áreas privadas. Questionamos a vigilância sanitária que esclareceu que estão incluídas aí quadras, piscinas, SPAs”.

A saída está em uma das palavras ditas por Nivaldo. Ele enxerga condomínios como “comunidades”. Portanto, vê nestes ambientes um problema que não está relacionado a apartamentos, andares ou garagens. São questões que vão além, questões da sociedade.

No entanto, acredita que “via de regra” as pessoas “têm feito esforço gigantesco pra tentar se adaptar e respeitar”. É claro que há situações complicadas, como as “raras” festas dentro de apartamentos, que precisam ser combatidas. E é aí que entram as denúncias para o síndico, que age por meio de notificações e outras medidas previstas nas já citadas – e tão importantes – regras, que embora sejam parecidas, apresentam especificidades em cada endereço.

Vale lembrar que, seja no corredor, na escada, na recepção ou em qualquer outro ambiente compartilhado, é preciso seguir os mesmos protocolos sanitários que existem fora dos condomínios. Ou seja, uso correto de máscara e álcool gel, distanciamento social. E bom senso.

 Trabalho em casa. Almoço para fazer, louça para lavar. Ajudar na lição de casa do filho. Com tantas tarefas, é difícil se concentrar estando em casa. Quem relata essa dificuldade é Pedro de Jesus Ferreira Júnior, 35, que faz da mesa da sala de jantar, em um apartamento, um escritório da área administrativa, de finanças.

Na verdade, a mesa é dividida com o filho, Enzo, de 7 anos, que espalha os livros, cadernos e outros materiais escolares para participar de aulas online. E é assim, entre exercícios escolares e reuniões virtuais, que Pedro trabalha. O maior desafio, segundo ele, é manter uma jornada regular. Quando está na empresa, tem “horário determinado para almoço” e também para começar e finalizar o expediente. E em casa isso é mais livre.

Nada que não seja possível administrar. Afinal, já faz um ano que a pandemia de Covid-19 é uma realidade. Se Pedro gasta mais tempo do que o previsto lavando louça, por exemplo, ele estende o trabalho ao final do dia, por exemplo.

Mas e quando, no meio de uma ligação, surge uma dúvida relacionada a um exercício da aula do filho? “Esse é o ponto mais difícil de conciliar. É preciso administrar e ver caso a caso. Se for coisa simples, e eu estiver conversando com um cliente importante, ou diretor/gestor, ele espera um pouquinho. Mas se for algum colega de trabalho que entende, peço um momento e ligo depois”. 

No caso de Pedro, que não se incomoda com o barulho de vizinhos, é importante manter a cabeça em ordem. Afinal, ele pode estar em casa em alguns dias da semana, mas lida com “folha de pagamento, variação de risco de crédito” e outras demandas em que “qualquer erro pode gerar prejuízo”. (H.H.)

Recomendações para uma boa convivência*

*Fonte: Sínnal Síndico Profissional

- Respeite  os espaços públicos como a garagem, onde carros e motos têm vagas específicas.

-  Caso  seja preciso subir com compras no elevador, é indicada a utilização do elevador de serviço.

- Pessoas  da mesma família podem utilizar o elevador social. Não há lei sobre isso, mas recomenda-se que pessoas estranhas a esta família aguardem, para que possam se preservar. 

-  Não  faça barulho ou escute música alta após às 22 horas, como prevê a Lei do Silêncio.

- Antes de fazer reformas ou mudanças, consulte o regulamento interno do condomínio para entender horários e condições, e sempre comunique o síndico.

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As regras de condomínio estão previstas em convenção e regimento interno. Elas norteiam os direitos e deveres dos condôminos

  

Os aluguéis

- A pandemIa do novo coronavírus levou ao desemprego e perda de renda de diversas pessoas

- Neste sentido, há proprietários e inquilinos que têm negociado alternativas para passar por esse período sem despejos

- Como acordar um desconto para os meses de pandemia e, depois, parcelar uma diferença nas cobranças futuras

- Já para os proprietários, a ideia é evitar ter um imóvel vazio e lidar com os processos para uma próxima locação durante esse período de distanciamento social

  

Há síndicos, conselhos e administradoras que têm adotado novas medidas como:

- Distribuição de álcool em gel

- Fechar o acesso às áreas comuns, como piscina, academia, salão

de festa, etc

- Uso de máscara pra circular nas áreas comuns

- Intensificar a limpeza, principalmente de puxadores, maçanetas e botões

 Importante

-  Caso  seja preciso subir com compras no elevador de prédios residenciais, é indicada a utilização do elevador de serviço.

- Na pandemia, algumas recomendações sobre a circulação em espaços internos são divulgadas  pelos administradores dos prédios.

  

 Relação entre inquilinos e proprietários

- Caso o condômino também seja inquilino, vale enviar uma cópia da advertência ou multa ao proprietário para que fique ciente da situação

- O proprietário também pode conversar com o inquilino sobre o problema, se cabe ajuda, etc

- O inquilino deve seguir as regras do condomínio sob pena de infração contratual

- Por morar no local, ele deve arcar com eventuais multas

- Caso haja inadimplência, o condomínio pode responsabilizar o proprietário pelo pagamento

- O proprietário por sua vez, pode acionar o inquilino para que ele pague a dívida

- O proprietário pode entrar com ação de despejo por infração contratual

 O que acontece ao quebrar as regras?

- Converse e conscientize os condôminos sobre as novas medidas

- Se mesmo após estar ciente, alguém persistir no problema, o síndico deve seguir o que está previsto na Convenção e Regulamento Interno em relação às infrações, como advertir e multar

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