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LEGADO

Instituto Dona Placidina, de Mogi, completa 90 anos, de olho no centenário

Fundação católica de ensino e assistência social formou milhares de estudantes durante a trajetória na cidade

Fábio Palodette Publicado em 30/10/2021 às 16:10Atualizado há 3 meses
Foto: Eisner Soares / O Diário
Foto: Eisner Soares / O Diário

O Instituto Dona Placidina celebra 90 anos de história, profundamente ligados à trajetória das últimas gerações de Mogi das Cruzes. A fundação católica de assistência social e educacional estabelecida à rua Senador Dantas, cresceu e se desenvolveu junto à cidade: em quase um século com as portas abertas – marca de mérito para qualquer organização privada ou assistencial no País, onde ultrapassar meio século já é um ato heroico - atendeu pais, filhos e até netos.

Uma missa e uma solenidade marcaram a efeméride com a presença de ex-alunos, autoridades, colaboradores e dirigentes da escola. A unidade atende hoje cerca de 1,3 mil estudantes e seus dirigentes falam em modernização, após uma substituição recente no comando que dividiu opiniões e até parou na Justiça.

Ao longo de quase um século, milhares de estudantes foram formados no tradicional endereço de ensino. Para se ter uma ideia, apenas na década entre 2011 e 2021 foram 17 mil alunos bolsistas e não bolsistas.

O atual diretor presidente do instituto, monsenhor Antônio Robson Gonçalves, afirma que o novo comando está bem estabelecida, sem pendências para resolver, e destacou o objetivo de modernizar o sistema de ensino, mas sem abandonar os valores tradicionais idealizados pelo padre João Lourenço de Siqueira. 

No século passado, o instituto nasceu de um desejo expresso pelo padre João de proporcionar futuro justo e igualitário para garotas órfãs, em tempos que pouco se incentivava a educação das mulheres, com a construção de um internato. Após falecer, o religioso deixou os seus bens para que a instituição pudesse atender as crianças. Ao longo dos anos, o projeto se tornou uma importante escola particular, com base no ensino católico. Atualmente este complexo soma nove unidades e cerca de 1,3 mil alunos matriculados. A pedra fundamental do prédio e base foi colocada em 1.931. 

Uma solenidade na noite desta quinta-feira (28) - no aniversário  - marcou a data. Alunos, pais e autoridades foram ao prédio da Senador Dantas, onde foram destacados o passado e o futuro da instituição. 

Profissionais mais antigos da casa foram homenageados – bem como outros representantes da cidade. Estiveram presentes o secretário municipal de Educação de Mogi, André Stábile, o adjunto da pasta, Caio Callegari, a diretora regional de ensino Estela Vanessa de Menezes Cruz, vereadores e o bispo dom Pedro Luiz Stringhini, que mais cedo presidiu missa na catedral de Santana também em celebração da data. Quem recepcionou a todos e abriu a solenidade foi o vice-presidente do Placidina, padre Marcos Sulivan. 

Ele referenciou o trabalho das mulheres e de tantos colaboradores durante décadas, bem como o sonho de João Lourenço. “90 anos depois da concretização do sonho, o instituto segue trabalhando com a missão de oferecer educação de qualidade para crianças e jovens de Mogi das Cruzes”, destacou. 

A religiosa da Congregação das Irmãs Ursulinas da Sagrada Família, irmã Érica Simone Miranda Cordeiro, também contextualizou as mudanças vividas no endereço. Ela recém assumiu a direção pedagógica do estabelecimento, após a saída de irmã Elena Ramos Bonfim. 

A diretora destacou que “celebrar essa data nos leva a recordar da vinda da congregação das irmãs Ursulinas, convidadas no século passado para assumir a coordenação da instituição”. Naquela época era somente esse prédio. Uma escola pequena. Hoje são “nove décadas construindo valores, formando cidadãos para nossa cidade”, acrescenta. Desde 1967 até o momento, a Direção Pedagógica está nas mãos das Irmãs Ursulinas da Sagrada Família. 

“Trabalhos sempre foram desenvolvidos com muito amor zelo e cuidado. Cuidado pela fundação e pela família”, destacou. 

Ela não deixou de mencionar e agradecer os trabalhos da irmã Elena, que “sempre buscava algo novo para o currículo dos alunos”

Em entrevista para O Diário, o monsenhor Antônio Robson avalia que o aniversário de 90 anos mostra a “solidez da instituição”. Questionado sobre pendências na mudança da direção, ele se limitou a dizer que é uma página virada, já com detalhes acertados. O objetivo é continuar com modernizações. “Trazemos a gestão a partir de uma governança corporativa. Sem nunca desviar dos nossos ideais, hoje, por exemplo, a escola mantém o externato”, explica

Por causa da pandemia, as salas de aulas do Placidina optam por modelo híbrido de ensino, assim como a rede municipal de Mogi. 

A autoridade conta que as celebrações foram um tanto contidas, ainda por causa da crise sanitária. Mas, antecipou que já sãofeitos planos para uma grande celebração do Centenário. 

    Desligamento

A demissão de parte da diretoria do Instituto Dona Placidina, em Mogi das Cruzes, já abordada por este jornal, causou polarização na comunidade escolar.

O monsenhor Antônio Robson Gonçalves, vigário-geral e judicial da Diocese de Mogi das Cruzes e o padre Marcos Sulivan Vieira, reitor do Santuário Senhor Bom Jesus e diretor do Colégio Diocesano Paulo VI, assumiram a presidência e a vice-presidência do Dona Placidina. Antonio Gonçalves substitui o padre João Paulo da Silva, destituído do cargo, após a demissão da ex-diretora pedagógica.

Para alguns, o desligamento da irmã coloca em risco a permanência da Ordem de Santa Úrsula na condução pedagógica e a liberdade de cátedra no Instituto Dona Placidina. 

Já na Internet, também houve alunos e pais que defenderam as mudanças que buscam modernizações.

Além do que já foi feito, pela frente o Placidina tem missão de seguir formando cidadãos. Agora, que venham os 100 anos.

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