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PEDÁGIO NÃO

Junji Abe assina carta de número 13 contra pedágios em Mogi

Diariamente, desde o dia 1º de maio, o jornal traz uma carta escrita por liderança ou representante da sociedade civil de Mogi

O DiárioPublicado em 19/05/2021 às 16:55Atualizado em 20/05/2021 às 18:59
Arquivo - O Diário
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Nesta quirta-feira (20), o ex-prefeito de Mogi e ex-deputado federal, Junji Abe (MDB), assina a carta publicada por O Diário endereçada ao Governo do Estado de São Paulo com argumentos contrários à instalação do pedágio na rodovia Mogi-Dutra. Atualmente, ele é empresário e líder rural. 

Diariamente, desde o dia 1º de maio, o jornal traz uma carta escrita por liderança ou representante da sociedade civil de Mogi e cidades do Alto Tietê apontando os prejuízos que a praça de cobrança poderá provocar ao município e à região. 

O texto não tem interferência editorial do jornal e apresenta as justificativas e defesas do próprio convidado. 

 Ao Governo do Estado

Venho por meio desta manifestar minha profunda contrariedade à implantação de postos de pedágio nas rodovias estaduais Mogi-Dutra (SP-88) e Mogi-Bertioga (SP-98). Por integral legitimidade e justiça, ombreio-me às manifestações de prefeitos, vereadores, deputados estaduais e federais, lideranças e participantes do movimento “Pedágio Não”, de toda a região do Alto Tietê, que lutam com bravura contra a instalação dos malfadados postos de pedágio. 

Senhor governador, tenho certeza de que são de conhecimento de Vossa Excelência, como a Secretaria Estadual de Transportes e da Artesp, as razões de toda a nossa contrariedade. Aproveito para agregar outros fatos históricos que, talvez, tenham sido esquecidos pelas autoridades públicas. Falo das gigantescas contribuições oferecidas pelos municípios do Alto Tietê ao Estado, sem jamais terem recebido um pingo de consideração de seguidos governantes.

Refiro-me às construções de seis barragens, instaladas inicialmente para contenção de enchentes nas cidades de São Paulo: a) reservatório de Rio Claro, entre Salesópolis e Biritiba Mirim, inaugurado em 1932; b) reservatório da Ponte Nova, em Salesópolis, em 1972; c) reservatório de Taiaçupeba, entre Suzano e Mogi das Cruzes, em 1976; d) reservatório de Jundiaí, em Mogi das Cruzes, em 1989; e) reservatório de Biritiba Mirim, entre Biritiba Mirim e Mogi, em 2001; e f) reservatório de Paraitinga, em Salesópolis, em 2003. Exceto o reservatório de Rio Claro, as outras cinco foram transformadas em reservatórios para garantir o abastecimento a milhões de paulistas, por meio do Sistema Produtor de Água do Alto Tietê.

Senhor governador, nada contra as importantes obras públicas que visam o interesse público. Porém, ao longo de três décadas (1970 a 2000), as represas sepultaram cerca de 900 pequenas e médias propriedades produtivas de alimentos, como ceifaram mais de 4 mil empregos diretos nas lavouras.

Os produtores com áreas desapropriadas jamais conseguiram se recuperar, visto que o governo estadual se apossava das terras, incluindo as produções de hortaliças, frutíferas e granjeiros, depositando na Justiça valores de indenizações que representavam menos de 10% dos preços de mercado. Aos que discordavam, restava recorrer ao Poder Judiciário e se submeter à morosidade do sistema. Os municípios, que cederam vastas áreas para a construção de barragens, jamais receberam compensação financeira do Estado, ao contrário do que faz o governo federal oferecendo compensação de ordem tributária para cidades alagadas em função da construção de hidrelétricas. Nenhum benefício chegou aos municípios do Alto Tietê, segregados para produção de água, apesar da nossa retumbante luta, desenvolvida ao longo dos anos em que atuei como deputado estadual, deputado federal e prefeito.  

Senhor Governador, somos defensores intransigentes do meio ambiente, porém, é necessário registrar que os municípios alvos de represas têm imensas áreas sob proteção ambiental. Essas restrições inviabilizam o desenvolvimento regular dessas cidades. Salesópolis e Biritiba Mirim têm mais de 90% de seus territórios invioláveis, enquanto Mogi 60%.

Senhor governador João Doria, reafirmo à Vossa Excelência que a implantação de postos de pedágios nas Rodovias Mogi-Dutra e Mogi-Bertioga, além de uma injustiça imperdoável, representa a paralisação do desenvolvimento sustentável do Alto Tietê e o retrocesso dos avanços socioeconômicos conquistados ao longo de sua existência. Respeitosamente, apelo à Vossa Excelência se digne a mudar o projeto e, terminantemente, aborte os pretendidos postos de pedágio. Se não for pela certeza do futuro macabro que as cobranças significam, que seja para honrar os inomináveis sacrifícios já ofertados pelo povo do Alto Tietê! 

Junji Abe

Líder rural e foi vereador, deputado estadual, deputado federal e prefeito de Mogi das Cruzes

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