As medidas implementadas ao longo do ano para tentar conter o avanço do novo coronavírus trouxe consequência para os mais diversos setores. Segundo o Sindicato do Comércio Varejista (Sincomércio) de Mogi das Cruzes e Região, mais de 5 mil estabelecimentos foram fechadas no Alto Tietê ao longo de 2020, sendo que cerca de 1,2 mil eram de Mogi das Cruzes. Nos últimos três meses, o segmento apresentou uma leve recuperação, mas o momento ainda é de desconfiança.

"A gente vai depender muito do que vai acontecer nos próximos dias. Existe a possibilidade de um retorno para a fase vermelha, o que seria muito ruim para o comércio. A situação é preocupante, porque nós sabemos que os casos e mortes estão aumentando e nós fizemos a nossa parte. Sempre orientamos os comerciantes e tomamos os cuidados necessários. Mas, infelizmente, pagamos pela irresponsabilidade de pessoas que fazem festas clandestinas ou abusam das aglomerações", reivindica Valterli Martinez, presidente do Sincomércio.

Ele explica que não é possível saber o número exato de estabelecimentos fechados, porque muitos deles não encerram as atividades do Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ). Desta forma, uma empresa que está com as portas fechadas pode ter mudado de endereço ou transferidos os trabalhos somente para as plataformas virtuais. 

Ainda assim, a estimativa da entidade é de que junto às empresas que fecharam este ano, quase 7 mil empregos tenham sido perdidos no Alto Tietê. Entretanto, nos últimos três meses o setor tem ensaiado uma recuperação e houve um aumento de 1,2 mil novos lojistas no cadastro do Sincomércio. Com isso, foram efetuadas quase 2,5 mil contratações.

"Isso dá um ânimo para o comerciante, mesmo que ainda seja um número baixo se comparado com tudo o que foi perdido. Um retorno para a fase vermelha poderia pôr tudo isso a perder, porque muitos empresários não teriam mais fôlego para se manter com as portas fechadas, principalmente neste período do ano em que as trocas dos presentes de Natal ainda refletem positivamente para o comércio", afirma Martinez.

Retrospectiva

Lembrando como se deu o desenrolar deste ano atípico, Martinez lamenta terem se passado 90 dias com todo o comércio de portas fechadas. Neste período da quarentena, as vendas só podiam ser feitas por sistema drive-thru ou pela internet. Com a chegada do Dia dos Namorados, no dia 12 de junho, o atendimento presencial foi liberado com restrições.

As lojas foram permitidas a abrir durante 4 horas por dia, o que já ocasionou um aumento entre 10 a 15% das vendas se comparado com o período em que as compras eram feitas somente à distância. Com a evolução da Região no Plano São Paulo, o aumento ficou entre 3 a 5% de um mês para o outro, até novembro.

"Em novembro o aumento foi maior e chegou aos 10% por conta da Black Friday. Ainda assim foi bem abaixo do esperado para comércio presencial e refletiu a preferência do consumidor pelas compras online. Agora, enquanto há a permissão para funcionar por 12 horas diária, o lojista fica mais confiante, mas as vendas ainda estão baixas em relação ao ano passado. A gente espera que até dia 24 dê para recuperar as vendas no comércio presencial", conclui o presidente.