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TRÂNSITO

O perigo trafega ao lado: Mogi Salesópolis soma problemas

Na rodovia, o problema maior fica por conta da falta de fiscalizadores de velocidade; muitos veículos abusam dos limites

Natan LiraPublicado em 31/07/2021 às 11:38Atualizado em 31/07/2021 às 16:49
Eisner Soares/O Diário
Eisner Soares/O Diário

“Aqui já pode ser considerada a rodovia da morte”. A fala é do comerciante Aparecido de Faria, de 60 anos, que há 18 anos mantém um estabelecimento às margens da rodovia Mogi-Salesópolis (SP 088), na altura do km 70, no bairro Irohy, em Biritiba Mirim, e acompanha a série de acidentes que a via registra recentemente. Além de ligar as duas cidades, a rodovia também é uma alternativa para quem segue rumo às praias de Caraguatatuba, via Estrada de Pitas, por isso vê aumentar o movimento em feriados prolongados, férias e final de ano. 

Mas antes desse trecho onde está o Petshop do Faria, está a lanchonete, na altura do km 61, em Cocuera, que é o local de trabalho da balconista Lorrany Santos, de 20 anos, há três meses. Apesar do pouco tempo, ela disse que já soube de diversas ocorrências. “Alguns trechos acontecem com mais frequência, como perto da NGK, onde recentemente duas pessoas morreram no acidente com o ônibus e um carro. Eu quase não vejo policiamento aqui, talvez por ficar aqui dentro. Mas é uma rodovia muito perigosa, as pessoas passam aqui em alta velocidade”, ressalta.

No limite entre os municípios de Mogi das Cruzes e Biritiba Mirim, na reta conhecida por ter uma caixa d’água da Sabesp, Robson Lugoboni, de 48 anos, tem uma borracharia. Para ele, a retirada dos radares, desde o início deste ano, deu “aval” para que os motoristas praticassem inúmeras imprudências.

“Tem essa reta toda aqui sem um radar, as pessoas metem o pé mesmo. A rodovia está boa, faltam mesmo os radares. A velocidade aqui é de 60 km, só que ninguém respeita. Até para a gente sair por aqui é perigoso, porque aí vem um veículo ultrapassando o outro e pode causar acidente. Aqui são mais acidentes de carros e motos”, disse.

A reportagem de O Diário percorreu a rodovia e, mais à frente, conversou com Aparecido, que considera a rodovia mortal. No trecho em que tem o petshop, a velocidade é de 40 km/h, por ser área urbana, mas em pouco tempo no local foi possível acompanhar diversos motoristas em alta velocidade. “Um dia desses, eu estava aqui na frente e um carro ultrapassou o outro aqui pelo acostamento. Não tem necessidade de andar assim em um trecho desses. Por isso que direto tem acidente por aqui”, disse.

Pressão

O comerciário Alessandro Santana, de 42 anos, mora no bairro Irohy há duas décadas e acredita que a falta de radares na rodovia, atrelado à imprudência dos motoristas, é a combinação para tantas ocorrências no trânsito. “Essa semana, um amigo da gente parou para entrar no comércio e o cara veio e bateu nele. Antes tinha um radar aqui perto e inibia as pessoas que andavam por aqui assim, nesse desespero, mas tiraram desde o começo da pandemia. A gente pensou que iria voltar, mas desde então ficamos sem radar aqui”, conta.

Condições

Não há falta de sinalização na rodovia Mogi-Salesópolis. O pavimento também está em bom estado de conservação. Há um problema de acúmulo de água no apenas km 73,5, na pista sentido Salesópolis. O problema maior fica por conta da falta de fiscalizadores de velocidade. O único radar em operação está instalado ainda no trecho urbano da avenida Engenheiro Miguel Gemma, em Mogi das Cruzes, que liga à rodovia SP-88.

Outros dois pontos apontados por quem conhece a rodovia como um dos mais caóticos são já em Salesópolis. O primeiro deles na saída da rodovia para a represa de Ponte Nova e o outro já no distrito dos Remédios, na altura do km 82, onde uma curva muito acentuada registra acidentes constantes.

Kaio Lorca, de 34 anos, tem uma mecânica no distrito e disse que não é difícil ver alguém se perder na curva, sobretudo aos finais de semana. Apesar de sinalizada com mais de uma placa, ele diz que os motoristas entram em alta velocidade e se perdem.

“Final de semana sempre tem um acidente de moto nessa pista. Depois que reformaram, ficou boa, o pessoal excede a velocidade. Nessa curva que é muito fechada, as pessoas querem fazer como se fosse uma rodovia rápida. A pista é segura para quem respeita o limite de velocidade. Se o motorista quiser andar certo, os outros vêm e ultrapassam. Próximo à barragem mesmo, a polícia fica direto ali, porque é muito acidente por imprudência”, ressalta.

Acidentes com vítimas fatais assustam moradores

Desde o começo do ano a rodovia Mogi-Salesópolis vem registrando uma série de acidentes, a maior parte deles noticiada por O Diário

No terceiro dia deste 2021, um motociclista bateu de frente com um ônibus intermunicipal e morreu na hora. O coletivo pegou fogo e foi destruído pelas chamas.

Algumas semanas depois, em 21 de março, um carro e um caminhão bateram no bairro do Irohy, no km 69, em Biritiba Mirim. 

O Samu prestou atendimento e constatou o óbito de uma das vítimas, enquanto as outras duas foram encaminhadas para o hospital.

Um mês depois, a Polícia Rodoviária registrou um capotamento na rodovia, no km 75, em Biritiba Mirim. O veículo acidentado foi parar no acostamento.

Já em 21 de maio, outra ocorrência fatal: uma pessoa morreu e a outra ficou ferida em uma colisão envolvendo um carro e uma motocicleta, desta vez no km 67, já na cidade de Biritiba Mirim. 

Mais recente

Um dos últimos e grave s acidentes na rodovia vitimou três pessoas. Foi no começo da manhã do dia 17 de julho, um sábado, na altura do quilômetro 61, no bairro do Cocuera, em Mogi das Cruzes, nas proximidades de uma rotatória existente neste ponto. Um carro e um ônibus colidiram próximo à NGK do Brasil. Dois homens ocupantes do veículo morreram na hora e um dos passageiros do ônibus ficou levemente ferido. As duas vítimas fatais eram funcionários da empresa.

Segundo moradores, nesse trecho, um desnível da pista pode ser apontado como um dos riscos. 

7 meses sem os radares

A imprudência dos motoristas é apontada por quem vive às margens da rodovia Mogi-Salesópolis (SP 088) como um dos principais fatores que levam às ocorrências de trânsito. 

Entretanto, moradores e trabalhadores das empresas instaladas naquela região pontuam que esse comportamento piorou após a retirada dos radares da rodovia, no ano passado. Já são mais de seis meses sem a fiscalização eletrônica, que garante o cumprimento do limite de veloocidade. Os órgãos estaduais afirmam que a fiscalização feita pela Polícia Rodoviária também ocorre, porém, não se compara os resulados entre uma e outra.

 Em janeiro deste ano, o Departamento de Estradas de Rodagem (DER) informou que estava em andamento a contratação de uma nova empresa para operar os fiscalizadores na rodoviausada por moradores das três cidades, Mogi, Biritiba Mirim e Salesópolis, e por quem passa a caminho da praia, utilizando a Estrada do Nagao, alternativa para se chegar à Mogi-Bertioga.

Agora, sete meses depois o DER, órgão ligado à Secretaria de Estado de Transporte e Logística, informa que, em razão do término do contrato com a empresa responsável pelo trecho, os radares foram desligados e removidos. “O processo licitatório para novos aparelhos segue os trâmites previstos na legislação, e será concluído em breve. O DER informa que a fiscalização da velocidade continua sendo realizada pela Polícia Militar Rodoviária por meio dos radares portáteis, operados por agentes”, destacou nota. 

DER explica, mas não tem prazo

Há sete meses, o Governo do Estado realiza licitação para retomar a operação dos radares. Questionado por O Diário, DER diz que fiscalização voltará “em breve”, sem apontar data

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