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Padre Alessandro fala das lições e surpresas enfrentadas durante 30 dias de viagem na Europa

Depois de participar da Procissão das Velas, no Santuário de Fátima, em Portugal, padre Alessandro aprende lições em uma igreja dos Mensageiros da Paz, em Madri, na derradeira passagem pela Espanha

Darwin ValentePublicado em 05/11/2021 às 14:58Atualizado há 3 meses

Após todas as dificuldades, encontros e desencontros vividos ao longo da caminhada pelos 869 km do trajeto entre Saint-Jean-Pied-de-Port, nos arredores de Paris (França) e o Santuário de Santiago de Compostela, na região de La Coruña (Espanha), participando de concelebrações nas mais belas, luxuosas e centenárias igrejas de cidades igualmente ricas, o padre Alessandro Campos aprendeu uma de suas maiores lições, num templo localizado num canto de Madri, a capital espanhola.

Padre Alessandro se emociona no reencontro com o público brasileiro, em Mogi

Foi lá que o brasileiro conheceu de perto uma igreja totalmente diferente de todas as que encontrou pelo Caminho de Santiago, dirigida por um padre com nome de anjo, Angel García Rodriguez, integrante do grupo Mensajeros de La Paz, ou Mensageiros da Paz, que promove um trabalho voltado fundamentalmente para os desvalidos e excluídos.

Para o padre Alessandro, ao contrário de tantas outras, a Igreja de San Antón, ou Santo Antonio, não era “só de paramentos e incensos, mas algo muito diferente de tudo isso. Estou ainda refletindo sobre tudo o que lá encontrei, pois nunca havia visto nada igual".

O religioso se encontrou no interior de um templo que nunca fecha suas portas e onde todos podem entrar, conforme está escrito junto à porta principal: “Esta é uma igreja de todos os pobres, marginalizados, sem-tetos, moradores de rua, mendigos, gays, prostitutas, negros, brancos e etc...” Uma igreja sem diferenças ou diferentes, que oferece café da manhã, almoço, café da tarde e jantar para os pobres, além de manter uma prateleira com mantimentos. “Ali, quem tem deixa; quem não tem, leva”, seguindo os ensinamentos de Cristo, citados pelo apóstolo Mateus: “Dai-vos de comer”, diz ele.

Em lugar do dourado das igrejas do Caminho de Compostela, as paredes de San Antón estão cobertas por lições do papa Francisco, mostrando o comprometimento do verdadeiro Catolicismo com os menos favorecidos e com as orações expressas por meio de duas missas diárias, ao meio-dia e 19 horas, além do Santo Rosário, vigílias e encontros de oração, bênção dos enfermos, objetos, animais, etc. Aliás, num dos banners dependurados num dos pontos de maior visibilidade do santuário está escrito: “Nesta igreja é permitido entrar com cachorro, com bebê, beber água, comer, tirar fotografias, usar o wi-fi, o banheiro, deixar e levar alimentos, caso necessite, e também curar o seu coração.”

Os padres Alessandro e Angel conversaram muito, ficaram amigos e, já distante da igreja, o brasileiro recebeu a seguinte mensagem, em seu celular:

“Mil gracias, campeon; tenemos que en Brasil abrir una iglesia 24 horas. Abrazo”.

Padre Alessandro gostou da ideia e, no dia de ontem, falava com entusiasmo da proposta de Angel, que antes de ser colocada em prática, precisa receber o aval de seus superiores da Igreja, algo que, nem de longe, arrefecia seu entusiasmo pela ideia. Ele só tinha dúvidas se um templo como esse teria de funcionar em Mogi das Cruzes ou em alguma outra cidade da região, mais carente de apoio como esse para seus habitantes menos favorecidos. 

Em Fátima

Mas antes das lições da igreja de Madri, padre Alessandro e seus dois amigos, Thiago Gomes e Claudio “Zum” Silva, viveram as emoções, mistérios e devoção dos peregrinos presentes ao Santuário de Fátima, na Cova da Iria, a 130 km de Lisboa, em Portugal.  O templo foi construído no local onde, de acordo com a Igreja Católica, a Virgem Maria apareceu para três crianças pastorinhas – Lúcia, Francisco e Jacinta –, em 13 de maio de 1917, transmitindo a elas segredos que somente poderiam ser revelados para o papa, que lá esteve, logo após a notícia daquela e outras aparições haver se espalhado pelo país. 

Foi lá que padre Alessandro participou da tradicional Procissão das Velas, um cortejo diário noturno, em que as pessoas caminham, conduzindo nas mãos uma vela acesa e percorrendo o trajeto entre duas grandes igrejas ali existentes, conduzindo uma cruz de madeira e um andor com a imagem de Nossa Senhora de Fátima, que o brasileiro ajudou a carregar.

A procissão percorre um amplo espaço localizado entre a Basílica de Nossa Senhora do Rosário e a Basílica da Santíssima Trindade, num dos pontos de maior afluência de turistas de todo o mundo. O complexo do Santuário de Fátima recebeu cerca de 10 milhões de fiéis, em 2017, quando foram celebrados os 100 anos da primeira aparição da Virgem Maria às crianças. O movimento, que sofreu um forte abalo por conta da pandemia da Covid-19, já começa a se recuperar, como pôde constatar o padre Alessandro, durante o período em que esteve naquela região de Portugal.

“Foi uma emoção muito grande”, atestou ele, que após a celebração, sentou-se na grande praça já vazia, entre as duas igrejas, para meditar, durante um longo tempo, sobre as experiências vividas ao longo do último mês de viagem, antes do retorno  pra a Espanha que o levaria ainda às surpresas da igreja de Madri, antes de viver os últimos momentos naquela região da Europa.

Logo sem seguida, chegou, finalmente, o momento de  embarcar de volta para o Brasil, que aconteceria na quinta-feira (4), no começo da noite da Espanha.

“Foi  uma experiência fantástica que comprovou, mais uma vez, que diante de Deus, tudo é possível. Deus renova a nova vida e a nossa história”, disse

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