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Sindicância sobre troca de corpos em Mogi ainda não foi aberta

Enquanto o inquérito não é iniciado, a funerária envolvida apresenta sua versão dos fatos, responsabilizando o Hospital Municipal por erro cometido

Heitor HerrusoPublicado em 08/06/2021 às 17:55Atualizado há 16 dias
Ana Paula de Souza, que havia sido enterrada por engano em Mogi, já foi sepultada em Suzano / Reprodução - Facebook Lana Camargo
Ana Paula de Souza, que havia sido enterrada por engano em Mogi, já foi sepultada em Suzano / Reprodução - Facebook Lana Camargo

Na última sexta-feira (4), quando os corpos de Ana Paula de Souza (que terá missa de sétimo dia amanhã) e Hélio do Carmo Silva foram trocados no Hospital Municipal de Mogi das Cruzes, a entidade gestora da unidade, Fundação do ABC, responsabilizou a funerária envolvida no caso. Agora, a empresa Assibraff apresenta outra versão dos fatos, em que aponta justamente o hospital como culpado pelo erro. A prefeitura ainda não abriu a sindicância que vai apurar o caso.

Em nota no dia do ocorrido, a Fundação do ABC afirmou “que não houve troca de corpos dentro do Hospital Municipal de Mogi das Cruzes e que o protocolo utilizado foi seguido com rigor”. Contudo, “apesar das identificações claras e da orientação pelo funcionário do Hospital que abriu o Morgue para a remoção do corpo, o erro foi cometido, sob a justificativa posterior de que se tratava de um funcionário novo da funerária, ainda inexperiente”.

A funerária Assibraff (Assistência Brasileira de Atendimento Funeral a Família), que até então não havia se manifestado, enviou sua versão dos fatos a O Diário nesta segunda-feira (7). O texto, que abaixo pode ser conferido na íntegra, credita o erro à unidade de saúde, alegando que “o representante do hospital é quem tinha conhecimento da identidade do falecido e local onde estava o corpo a ser retirado”. Confira:

A empresa Assibraff vem à público para manifestar apoio e condolências às vítimas que perderam suas vidas pelo vírus que assombra o Brasil e o mundo.

No dia 03 de junho de 2021, faleceu o Sr. Helio do Carmo Silva, conveniado da Assibraff. A família informou à empresa que, prontamente, providenciou os preparativos para o velório e sepultamento.

Em seguida, o funcionário da Assibraff foi retirar o corpo do falecido no Hospital Municipal de Brás Cubas, tendo sido recebido pelo responsável do nosocômio.

O representante do hospital é quem tinha conhecimento da identidade do falecido e local onde estava o corpo a ser retirado. No caso, a empresa Assibraff, tal como as demais, não dispõe de autorização para ingressar no hospital, sem acompanhamento e autorização expressa.

Assim sendo, devidamente autorizada, conduziu o corpo indicado pelo Hospital para o respectivo sepultamento.

Ato seguinte, o hospital entrou em contato com a empresa Assbraff, afirmando que houvera sido entregue outro corpo, no caso, da Sra. Ana Paula de Souza, de forma equivocada.

Cumpre esclarecer, que a responsabilidade para elucidar a ocorrência é do Hospital que promoveu a entrega do corpo, não sendo, por conseguinte, correta a imputação da culpa ao servidor da Assibraff.

Insta destacar, que a empresa atua no ramo há mais de 25 anos e jamais se envolveu em situação semelhante. A Assibraff preza pela responsabilidade e qualidade dos seus serviços.

A nota acima não menciona o fato citado pela Fundação do ABC, sobre um "funcionário novo". O Diário questionou a Assibraff sobre isso, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem. Aliás, no dia desse fato, a empresa também não se manifestou.

Sindicância

A O Diário, na última sexta-feira (4), a Prefeitura de Mogi das Cruzes prometeu instaurar “uma sindicância para apurar as responsabilidades”, para que as “medidas cabíveis” pudessem “ser adotadas”. Nesta segunda (7), a informação repassada à TV Diário era de que o processo seria aberto até hoje (8), garantindo assim “uma apuração rigorosa dos fatos e responsabilidades”.

No entanto, ao final da tarde desta terça-feira, foi divulgada a informação de que isso ainda não aconteceu. O novo texto enviado à reportagem diz apenas que “a sindicância será instalada”, mas sem citar prazos.

Além dessa afirmação, a administração municipal esclarece que no processo “serão levantadas informações para identificar o que ocorreu, quem esteve envolvido, bem como as medidas aplicáveis ao caso”.

Embora não tenham sido descritas quais são as “medidas cabíveis”, a promessa é de que todas as respostas sejam “obtidas no curso do processo, que está em andamento”. “A sindicância certamente será utilizada como ferramenta para aprimorar procedimentos, corrigir falhas e para que casos como este não se repitam”, finaliza a prefeitura, que antes já afirmou ter exigido “da entidade responsável pela gestão da unidade protocolos mais rígidos, independentemente das constatações que a sindicância possa indicar”.

Missa de sétimo dia

No último sábado (5), O Diário mostrou que após exumação, a família realizou o sepultamento da empresária Ana Paula de Souza no Cemitério  São João Batista, conhecido como Raffo, em Suzano. A empresária de 42 anos havia sido enterrada erroneamente no Cemitério São Salvador, em Mogi.  

A missa de sétimo dia de Ana Paula será realizada nesta quarta (9), às 19 horas, na Igreja Matriz (São Sebastião), em Suzano.

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