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ARTIGO

Animais não são brinquedos

Alessandra AlvesPublicado em 01/04/2021 às 18:26Atualizado há 2 meses

Na Páscoa, muitas famílias costumam presentear as crianças com o famoso coelhinho. Mas, quando passa a empolgação, nem sempre são tratados com o direito e o amor que merecem e acabam simplesmente sendo descartados como lixo. Muitos são deixados em lixeiras, praças e parques, onde acabam morrendo de frio, fome, atropelados ou atacados por outros animais em situação de abandono ou mesmo pelo ser humano, que ainda cultiva em seu interior a indiferença ao próximo, principalmente aos de outra espécie, agredindo e matando tudo que respira e vive.

Incrível não é, que uma festa religiosa que deveria simbolizar a ressurreição interna, a liberdade, a esperança, o amor e o respeito ao próximo, acabe por incentivar o desprezo e o abandono de seres tão frágeis e inocentes. As pessoas, ao darem animais de presente, continuam financiando o mercado da exploração, da futilidade e crueldade, muitas vezes sem perceber que estão sendo os algozes, os responsáveis diretos por um sistema macabro e ultrapassado em que vidas são vistas como meros brinquedos.

 Nesta época, muitos pet shops fazem grandes divulgações para aumentar as vendas de coelhos. Pais e mães são influenciados e acabam comprando por impulso, simplesmente para agradar a seus amados filhos.

E já começa tudo errado para esse peludinho. Geralmente o coelho já chega em uma gaiola e este definitivamente não é o lugar ideal para criar esta espécie. Como eles são saltadores, ficar preso pode trazer sérios problemas para as articulações, causar stress e obesidade, levando inclusive à morte. Eles também precisam ter contato com a terra, onde possam correr, cavar tocas para se esconder e descansar. A alimentação deste tipo de animal é diferente e além da ração específica, precisam de frutas e verduras. Não basta deixar a ração em um pote, é preciso ter um acompanhamento diário, além de levar em veterinários especializados.

Ou seja, é preciso ter em mente que adotar um animal é um assunto que deve ser muito bem pensado, pois requer cuidado, tempo e gastos financeiros.

Os coelhos, assim como quaisquer outros animais, não devem ser usados como presentes. As crianças perdem o interesse, e os pais irresponsáveis decidem doar sem critério algum ou simplesmente os abandonam. A triste verdade é que o coelho não está preparado para se defender quando jogado a própria sorte e para a grande maioria, o resultado é o sofrimento seguido de morte.

O ideal é deixar o fofo coelhinho só no simbolismo e na imaginação das crianças.

E vamos lembrar que abandono é crueldade e a crueldade é crime previsto em lei. Seja responsável e ético.

Alessandra Alves é empresária e presidente do Grupo Fera, que defende a causa animal

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