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ARTIGO

Economiquês*

o que podemos observar é uma crise econômica se avizinhando, com uma alavancagem da bolsa, parte por investimentos estrangeiros, parte por domésticos

Marcus QuintanilhaPublicado em 01/03/2021 às 18:01Atualizado há 4 meses

Fiquei curioso, face das matérias superficiais sobre os impactos econômicos da pandemia que aflige o mundo. Dessa curiosidade nasceu esse texto.

Primeiramente precisamos entender o cenário mundial. O Brasil passa o seu PIB em endividamento para manter a roda girando em 2020. Ok! Japão e Grécia possuem 2 vezes seu PIB de endividamento - mas não que sirva de exemplo. Somente para não começar assustando o leitor.

O que isso significa? Que aquele investimento no tesouro direto que você fez ou vai fazer estará financiando isso, mas os riscos são os mesmos do “Brasil” quebrar. Não se preocupe (ainda). 

Temos um equilíbrio macroeconômico ocorrendo no país que é a inflação crescendo. Me parece que, com a recessão, no momento, faça sentido, até porque a inflação é reflexo do consumo que é reflexo do auxílio, que vai acabar e devemos equilibrar em baixa: sem muita atividade econômica pelo medo gerado na pandemia.

O PIB descreveu pouco mais de 4% em 2020. Impressionante para quem sabe que 75% dele vêm do setor de serviços e que a agricultura e pecuária representam cerca de 5%, arredondando.

Você que acha que o agro é pop, ele representa menos que os aluguéis para o PIB, mas somando aos aluguéis imputados - aqueles que você não paga, mas usa seu imóvel.

Para completar, a indústria representa 20% dessa fatia. Então vemos que o impacto foi bastante amenizado pela injeção do auxílio na economia, que nos rendeu aquele endividamento do início do texto.

Tudo isso representa a teia econômica, de difícil síntese, mas que tento elencar aqui. Na Bahia, temos 4 míseros percentuais representativos do PIB do Brasil e São Paulo, 32%.

Só por curiosidade, em 2020, temos 67% das famílias brasileiras endividadas e em 70% com seus cartões de crédito.

Sem querer fazer um paralelo, após a gripe espanhola, findada em 1919/1920, tivemos um crescimento na bolsa de valores americana.

De 1924 a 1929 disparou 300%, até sua queda em outubro de 1929, levando os valores das ações às cinzas.

Não quero fazer previsão direta, mas o que podemos observar é uma crise econômica se avizinhando, com uma alavancagem da bolsa, parte por investidores estrangeiros, parte por domésticos, sem querer amargar os 2% a.a.

Tudo isso é só a sombra do que está por vir. Mas vamos aguardar cenas dos próximos capítulos.

Marcus Quintanilha Filho é economista

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