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ARTIGO

Lapsos da história

"A Amazônia é nossa riqueza sim, mas os problemas ambientais estão muito além dela e da mesma forma que o novo marco do saneamento cria as condições para melhorar a eficiência das companhias estatais de água e esgoto no Brasil"

José Francisco CaseiroPublicado em 23/04/2021 às 11:52Atualizado há 2 meses

Quem poderia imaginar. Há poucos dias completamos 521 anos do Descobrimento do Brasil. Sim, no dia 22 de abril de 1.500, Pedro Álvares Cabral aportou no que hoje conhecemos como litoral baiano e escreveu ao rei português sobre as riquezas e as belezas da nova terra. Uma maravilha. Mais de meio milênio se passou e ainda o País patina em questões básicas para o bem-estar dos brasileiros, como saúde e educação. Setores fundamentais para o desenvolvimento econômico e cultural de qualquer nação.

Se em 521 anos o Brasil falhou em educação e saúde, o que imaginar de investimentos em outros setores importantes para proporcionar um grande desenvolvimento do País e garantir a qualidade de vida aos seus habitantes. 

Já falamos sobre os gargalos que impedem o crescimento, o avanço consistente do Brasil.  Não há progressos nas reformas tributária e política e o avanço na infraestrutura segue sendo como fundamental para o desenvolvimento socioeconômico, medida que proporciona melhoria no ambiente de negócios, na competitividade das indústrias, além de fomentar mais investimentos e geração de empregos.

Na linha do tempo há ausência de investimentos na rede de transporte de todo o Brasil, melhorias nos setores de energia elétricas, de gás e de telefonia. Itens indispensáveis para deixar todos os segmentos competitivos e em busca do mesmo objetivo, de levar ao crescimento para o Brasil.

A lei do gás, por exemplo, foi sancionada no mês passado pelo governo. Mas, como tudo praticamente no Brasil, falta acelerar a regulamentação da mesma para que se crie no País um ambiente de negócios atrativo para investidores brasileiros e estrangeiros. 

É uma medida que visa ampliar a concorrência e reduzir o preço do produto. 

O governo brasileiro precisa dar outros passos certeiros para melhorar a infraestrutura, campo essencial para o crescimento da produção e aumento da capacidade competitiva da indústria nacional.

O marco legal do saneamento também está aí para ser um grande vetor para a melhoria da qualidade de vida dos brasileiros. Passados 521 anos, duas guerras mundiais, quarta revolução industrial e tecnologia nas nuvens, e mais de 100 milhões de brasileiros ainda vivem em residências que não têm coleta de esgoto, expostos à doença e com a disseminação de poluentes para cursos d’água e contaminação dos recursos naturais. 

Isso não foi falado na Cúpula do Clima, nesta semana, onde mais uma vez ficou evidente o receio dos investimentos no Brasil. A Amazônia é nossa riqueza sim, mas os problemas ambientais estão muito além dela e da mesma forma que o novo marco do saneamento cria as condições para melhorar a eficiência das companhias estatais de água e esgoto no Brasil – que hoje dominam o setor -, além de aumentar a participação de companhias privadas no segmento, é preciso ter seriedade para cuidar de tudo que envolve a natureza a qual, apesar dos desmandos, continua a ser o nosso grande diferencial frente ao mundo.

E para piorar ainda mais a situação, tem a pandemia que afeta todo mundo. Só que, mais uma vez, estamos para trás e com comprometimento da cadeia econômica e social. Poderíamos estar em uma melhor situação se os nossos governantes decidissem por um outro caminho e a população tivesse a oportunidade de ser vacinada contra a Covid-19 com maior rapidez e já estivesse mais protegida. 

A conclusão é que, sem uma condução certeira, seguiremos muito atrás de nações que surgiram depois. Infelizmente, boa parte dos brasileiros nem se lembra do que aconteceu no dia 22 de abril de 1.500. Talvez o fato explique porque o Brasil segue patinando e tenha índices de desenvolvimento terríveis em relação aos países mais desenvolvidos.  

José Francisco Caseiro é empresário e diretor do Sistema Fiesp/Ciesp no Alto Tietê

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