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DE VOLTA

Grafite do mogiano Jaum, Lalala Dog retorna com força total

Após hiato de dois anos, o simpático cachorro está de volta, mais uma vez alegrando a paisagem de Mogi das Cruzes

Heitor HerrusoPublicado em 08/10/2021 às 17:06Atualizado há 2 meses
Eisner Soares
Eisner Soares

A Lalala Dog surgiu em 2013, e pouco tempo depois, virou febre. Não é exagero dizer que era comum encontrar um grafite dessa série, assinado por João Ricardo, o Jaum, em todos os cantos de Mogi das Cruzes. Vários deles ainda resistem, como um que alegra um muro próximo à passagem subterrânea Osvaldo Crespo de Abreu, no Centro da cidade. E a própria Lalala Dog resiste. Após um hiato, acaba de retornar, com força total.

Desde a última reportagem de O Diário sobre o desenho, quando o animado cachorro pôde ser visto na série ‘Todxs’, da HBO, dois anos se passaram. Durante este tempo, o artista focou em outra atividade: o comércio. Proprietário de uma concessionária de usados e seminovos na rua Dr. Deodato Wertheimer, ele, no entanto, foi forçado a fechar as portas devido a pandemia de Covid-19.

Cansado de ver o movimento e as vendas caírem, Jaum preferiu “não ter mais a loja de carros comuns, de mercado”, e passou a enxergar uma oportunidade. “Fechei em janeiro, por questões financeiras. Comecei a vender só carros antigos, setor que eu já trabalhava, mas não exclusivamente”, explica ele.

Pela internet, seguiu vendendo para colecionadores carros como Chevette, Passat, Mercedes-Benz e outros modelos, principalmente da década de 1970. Trocou o pátio alugado, onde cabiam cerca de 20 veículos, pela garagem de casa, onde consegue estacionar dois, apenas.

Em uma nova matéria sobre a Lalala Dog, é fundamental citar esta etapa da história de Jaum. Afinal, logo no primeiro dia em que não precisou mais atender presencialmente em horário comercial, ele voltou a desenhar os traços caninos. Corpo reto, orelha pontuda, dois olhos, sorriso, visual colorido. Estava lá, de novo e mais uma vez, agora atualizada, a criação baseada na Dalila, cachorra resgatada das ruas pela família dele e que faleceu em 2013.

Entre a publicação de anúncios de venda de carros e o atendimento a possíveis clientes, Jaum encontrou inspiração para produzir novamente. E com muita intensidade. A primeira etapa foi “evoluir o desenho” e repensar o trabalho.

A pintura em paredes continua, mas o foco está em outras formas de arte, cada vez mais personalizadas, originais e únicas. O mogiano conta que tem trabalhado nas redes sociais, sobretudo no Instagram, “a venda de ilustrações e pinturas comerciais” que transformam pessoas em “Lalala’s”.

“Não na mesma frequência do auge, mas a movimentação aumentou direto, de gente perguntando, se interessando, fazendo orçamento”, avalia Jaum, que entre agosto e setembro diz ter vendido “umas 20 obras”, entre “ilustrações, telas maiores e pinturas em parede”. 

Inspirado pelo novo momento, o mogiano foi além do grafite na parede e também vende camisetas e outros produtos. Todos os contatos são feitos pelo Instagram. É por lá que os interessados podem contratar uma versão especial da Lalala. Diferente do início, o objetivo de Jaum não é mais a quantidade.

“No começo era legal fazer Lalala’s todos muito simples e em todo lugar. Hoje tenho outra ótica. Se passaram oito anos e o mundo é outro. Estou mais velho,  tenho uma filha pequena...”, elenca Jaum, aos 38 anos.

Exemplo dessa nova fase é uma pintura em um muro de em César de Souza. O contratante tem uma Brasília amarela, e por isso o cachorro aparece ao lado do icônico carro, no grafite. 

Mas a maioria dos pedidos é por “ilustrações pequenas”, em “papel canson, tamanho A4, feito com caneta fosca ou Bershka” e com direito a moldura especial. 

Em alguns casos, como para a decoração de muros inteiros, é preciso solicitar um orçamento personalizado. Porém, também há a possibilidade de adquirir adesivos, que são vendidos a partir de R$ 5. Como existem opções acessíveis, ao que tudo indica a nova fase do simpático cachorro tem tudo para, mais uma vez “colonizar” a cidade, como aconteceu há oito anos.

 Nova fase tem exposição e outros projetos

Para Jaum, o sucesso da Lalala Dog se dá pela simplicidade do desenho. “Não precisa de entendimento profundo sobre a arte. Quem olha logo vê que é um cachorro, e pode gostar ou não. Não precisa refletir ou entender o contexto. Por mais que esteja com mil roupas e acessórios diferentes, é um animal animado, normalmente dando risada”, analisa.

Oito anos após a primeira “versão” do grafite, hoje o interesse dele está em “conseguir fazer a diversificação do personagem”. “Transformar qualquer pessoa em Lalala é um desafio pra mim. Quero participar de eventos com pintura ao vivo, voltar a fazer oficinas de grafite com crianças e todo tipo de contato com escolas”.

Diferente do início, quando “não planejou a carreira da Lalala”, agora Jaum traçou um plano. Ele conta com exclusividade que fará uma exposição, entre janeiro e fevereiro de 2022, no Centro Cultural de Mogi das Cruzes. Será a quarta mostra com o simpático cachorro, já que o mogiano o exibiu no Mogi Shopping em duas ocasiões (2014 e 2018), no Shopping de Suzano em 2015 e na Estação Literária de Guararema em 2016.

“Vou produzir materiais inéditos. Serão pelo menos 15 telas, e farei dois painéis ao vivo”, adianta Jaum, que é enfático ao dizer que a “Lalala voltou e é para ficar”. “Estou com olhar mais apurado e mais técnica”, finaliza o artista, animado também com outros projetos que estão por vir. 

  

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