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ENTREVISTA

Padre Dorival: "Fé, um caminho para o equilíbrio"

A O Diário, o religioso conta como é estar a frente da Catedral de Santana

Heitor Herruso Publicado em 30/04/2021 às 15:35Atualizado há 1 mês
COMANDO  Padre Dorival revela planos para a Catedral de Santana / Foto: Eisner Soares / O Diário
COMANDO Padre Dorival revela planos para a Catedral de Santana / Foto: Eisner Soares / O Diário

No último mês, o padre Dorival Aparecido de Moraes, 67, assumiu os cargos de pároco e cura da Catedral de Santana, com a bênção do bispo diocesano de Mogi das Cruzes, dom Pedro Luiz Stringhini. A O Diário, o religioso conta como é estar a frente deste templo, considerado a sede da Diocese local. Para ele, a fé é a chave para manter a sanidade durante a pandemia. “Se esperarmos dos homens, muito pouco está sendo feito, ou quase nada”, afirma.

Qual é a importância da fé e religiosidade neste momento crítico, de pandemia?

Bom, nada tem resposta. Eu só diria que sem a fé e sem a religiosidade deve estar difícil, então esses sentimentos de um povo neste período de pandemia, a esperança que está em Deus, acho que é a única coisa que resta para cada um de nós. Se esperarmos dos homens, muito pouco está sendo feito. Deus parece estar au-sente, quando na verdade está atuando. A situação poderia ser pior, mas Deus está no controle. Quem acredita nisso está caminhando, e quem não acredita está em pânico.

Como é ser pároco da Catedral de Santana?

Na verdade eu estou sentindo agora. Mas a princípio, poderia dizer que é um cargo de grande responsabilidade. Vou precisar de muita fé, gente boa do meu lado, trabalhando. E saúde e coragem, que não me faltam, assim como projetos. Então me sinto com gratidão ao meu bispo que confiou mais esta tarefa. Acho que vou dar conta, com a ajuda de Deus e dos amigos paroquianos que me acolheram muito bem.

As atividades religiosas presenciais voltaram a ser permitidas. Como foi retornar aos encontros presenciais? 

Foi marcante. O povo estava com sede, o povo estava com fome de estar em comunidade, de encontrar os irmãos, de celebrar a eucaristia, de ouvir a palavra do senhor. O calor humano é fundamental. O estar presente é fundamental. Então foi bem participativo. Cumprimos todos os protocolos exigidos e foi muito bacana.

E quais são os planos para atrair o frequentador às missas virtuais, que continuam?

Olha, se Jesus não for a atração, não serei eu, ou nenhum outro padre, ne-nhum outro bispo. Então nós estaremos no ar. Quem tiver de fato sede, e impossibi-litada a idade ou outras situações de saúde, acho que pode aguardar, e nós estamos presentes por meio das multiplataformas da Catedral de Santana. De segunda a sexta, às 8 e às 12 horas, pelo Facebook, aos finais de semana pela Igreja na Mídia, Instagram e outros canais. 

As missas que o senhor preside, aliás, são concorridas. Como tem sido a participação desde que assumiu a Catedral?

Como eu disse, tem sido de grande participação. Fui muito bem acolhido e me sinto amado. Isso me impulsiona a prosseguir o projeto, essa confiança que o senhor bispo colocou em minhas mãos. O povo está participando bem, louvando e minhas missas, não sei se são as mais concorridas, mas estou celebrando sempre às 9 horas, às 17h30 e às 19 horas, sendo que a missa da Rosa Mística rezo o terço às 18 horas todo dia 15 de cada mês e há também a Missa de Cura e Libertação, que tem maior frequência.

Pretende promover alguma mudança na Catedral? Se sim, o que deve ser alterado?

O horário a gente fez alguns ajustes. Mas mudanças na Catedral, não. A igreja está pronta. A-gora é só, de fato, uma coisinha ali, aqui, acolá. Faltam alguns afrescos, algumas coisas, mas isso com o tempo a gente vai vendo se de fato é necessário. O som, que era o grande clamor do povo, nós já estamos trocando, com uma empresa de renome internacional, que já fez trabalhos para o Vaticano, e estamos em fase de testes.

O senhor tem a intenção de alterar de alguma forma o crucifixo central da catedral? Ou promover alguma outra mudança no altar?

Quem sabe com o tempo... Por ora, fica como está.

Já há plano para melhorias e reformas no prédio?

Ainda não. Minha ação primeira está sendo o som, a implantação de algumas pastorais, mas reforma no prédio, não acredito que vai ser feito já, até porque recentemente isso foi feito. 

Das obras previstas para a Catedral, o que já foi feito e o que falta fazer?

Nós precisamos fazer banhe-iros adequados, pois não temos ainda dentro da igreja, para facilitar para pessoas mais idosas. O escritório paroquial também precisa ser acertado, mas faremos isso com toda a prudência, com todo o carinho do mundo.

Há novidades sobre a possibilidade de restauração da imagem de Santana?

Olha, a imagem de Santana é de 1611. Para mexer nela tem que ser alguém muito especialista. Do contrário, fica como está. Não temos nenhuma previsão no momento para tal restauração.

O senhor sente resistência para alguma de suas ideias?

Não, porque não prego ideias. Prego ideal de vida, que é o que também busco.

Em julho de 2020 a festa de Santana não foi realizada. Neste ano o senhor acha que será possível fazê-la, talvez com a presença de esquema drive thru e/ou alguma outra medida de segurança?

Ainda não pensamos nisso. Estamos pensando sim, na novena, na parte espiritual, que com certeza teremos. Mas até lá, vamos aguardar como está essa situação pandêmica do mundo, e sobretudo, em nosso país.

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