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EDITORIAL

A demora da vacina

A sociedade terá de esperar as vacinas para os jovens e torcer para que as perdas sirvam para conscientizar quem segue negando a gravidade da doença e a ciência

O DiárioPublicado em 05/05/2021 às 15:58Atualizado há 1 mês

Um levantamento feito pelo portal G1 de Mogi das Cruzes, da TV Diário, expressa em números o que o acompanhamento do perfil das vítimas fatais da Covid-19 revela desde o início deste ano.

Entre o primeiro pico de alta da doença, entre maio, junho e julho do ano passado, e a segunda onda, até abril último, aumentou 30,7% a parcela de vítimas com idade entre 40 e 59 anos, e 6%, entre os mais jovens, de 20 a 39 anos, segundo balanço da Associação dos Registradores de Pessoas Naturais.

Esse dado realça o nosso noticiário dos últimosmeses, quando famílias do Alto Tietê passaram a enterrar vítimas desta faixa etária. 

Desde a noite de quarta-feira, após a morte do comediante e ator Paulo Gustavo, aos 42 anos, a frase “Para esta morte não há vacina” passou a ser replicada em redes sociais. E isso acontece no mesmo momento que detalhes do enfrentamento da pandemia são reavivados pela CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Covid, no Senado Federal. 

Um dos lances que explica o fato de o Brasil ainda estar patinando na eficiência da campanha de vacinação  contra a Covid também se tornou viral, nas redes sociais, com a hashtag Onze vezes, em alusão o número de oportunidades que o governo do presidente Jair Bolsonaro ignorou os pedidos de abertura de negociação para a aquisição de vacinas, no decorrer do ano passado.

A vacinação contra uma doença infecciosa é o caminho para interromper o ciclo de contágio. A imunização preserva vida e a economia. E, por isso mesmo, aliás, há de se manter o ritmo da aplicação das doses, e a busca ativa dos que já estão parcialmente imunizados. A proteção é maior com a dose completa.

Torna-se ainda mais urgente conscientizar os mais jovens sobre os riscos e cuidados exigidos para blindar organismo do coronavírus.

Médicos e alguns dos primeiros estudos observam que as mutações do vírus estão levando mais jovens para as UTIs, e não apenas aqueles que já possuem histórico de doenças pulmonares, diabetes, etc.

Até que se alcance a imunidade de rebanho, o uso de máscara, álcool gel e o distanciamento social são as únicas armas contra a morte e as sequelas, agora, mais complexas.

O Brasil errou no passado e hoje vê, outros países vacinando os mais os jovens. Isso não mudará da noite para o dia. A sociedade terá de esperar e torcer para que as perdas sirvam para conscientizar quem segue negando essa maldita doença e a ciência.

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