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EDITORIAL

O amanhã da sociedade civil

Perder obras sociais que atendiam aposentados, crianças, doentes e outros grupos vai empobrecer a representatividade de causas de menor interesse e valia

O DiárioPublicado em 22/04/2021 às 17:49Atualizado há 2 meses

A grave ameaça ao futuro da tradicional União dos Aposentados e Pensionistas de Mogi das Cruzes, a Uapemc, se configura como um dos mais preocupantes reflexos do longo período de isolamento e distanciamento social no Brasil.

Entidades e organizações não-governamentais estão começando a contar as graves perdas legadas pelo fechamento de sede e a desarticulação entre seus membros, associados e assisitidos.

É o caso da Uapemc. Após 36 anos de fundação, o fim de suas duas principais fontes de renda - o pagamento da mensalidade de R$ 25 dos associados e os dois bailes semanais  - deixou uma dívida que beira R$ 30 mil, segundo contou o presidente da entidade, Osmir Batista, a O Diário.

Projeto nascido para defender justamente o público mais vulnerável ao coronavírus, pelo menos, até o ano passado, a Uapemc teve de cerrar as portas em março de 2020.

E começa, agora, a enfrentar os prejuízos financeiros e, tão importante quanto isso, os estruturais. A desmobilização da União dos Aposentados terá de ser enfrentada para se garantir a sobrevivência de uma organização que teve forte papel, nas últimas décadas do século passado, quando os direitos dos idosos eram violentamente violados pelo governo federal e também pelo poder público, que tinha a obrigação de defender essa parcela da população.

Várias vezes, os aposentados tutelados pela União dos Aposentados não apenas foram às ruas, como agiram judicialmente para ter os direitos constitucionais cumpridos.

Não apenas a Uapemc, mas outras associações de classe e de defesa de diferentes atores sociais foram duramente impactadas durante a pandemia, também por responsabilidade de seus gestores, participantes. Não havia preparo para o que vivemos desde o ano passado.

Daqui a alguns meses, quando as atenções começarem a se desviar do risco de morte pela Covid, a sociedade civil estará diante de outro desafio: reerguer essas células sociais, ou criar outras, para fortalecer o equilíbrio na relação entre o estado e o povo. 

Perder obras que atendiam aposentados, crianças, doentes e outras vai empobrecer ainda mais a representatividade de causas e grupos de menor interesse e valia política e econômica. 

 A resposta que se der a esse clamor da Uapemc e de entidades que já se sabe, correm o risco de sumir do mapa, vai modelar como será o amanhã da sociedade civil mogiana. 

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