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EDITORIAL

O fracasso das concessões das estações da CPTM em Mogi

Será difícil para a CPTM encontrar interessados em administrar os espaços de estações que há muito tempo esperam por reformas e outros tipos de melhorias

O DiárioPublicado em 09/03/2021 às 16:21Atualizado há 3 meses
Eisner Soares / O Diário
Eisner Soares / O Diário

O que era previsível - embora não esperado - acabou por acontecer: a concorrência aberta pela Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) para exploração dos espaços internos e serviços nas estações de Jundiapeba, Mogi das Cruzes e Estudantes, servidas pela Linha 11-Coral, terminou sem interessados.

Nenhuma empresa demonstrou interesse na proposta da estatal, que agora já admite a hipótese de voltar a insistir no plano de parceria, mesmo que seja preciso promover algumas mudanças no edital para torná-lo mais atrativos aos olhos dos investidores da iniciativa privada.

Após a primeira e fracassada investida, a CPTM já deve estar sabendo que não será nada fácil atrair interessados em dividir com ela a administração das estações.

Por mais que ocorram alterações na proposta, haverá dificuldade em encontrar interessados pelas condições atuais das três estações. Ao contrário de inúmeras outras, como a de Suzano, por exemplo, as unidades da empresa em Mogi são antigas e há muito tempo demandam por reformas.

Por absoluto desinteresse da companhia e do próprio governo estadual, essas estações não recebem melhorias e, pior que isso, tal estado de abandono somente contribui para agravar ainda mais os problemas existentes em cada uma delas.

Quem se aventurar a participar do leilão de concessão sabe que terá de investir bastante antes de começar a colher os frutos de tais obras. Algo que, convenhamos, não é nem um pouco animador nestes tempos difíceis e bicudos, agravados pela pandemia, queda de movimento nos trens e riscos evidentes de contaminação nos transportes públicos.

Tudo isso contribui para dificultar a execução dos planos da CPTM para a cidade. A empresa está colhendo os frutos da indiferença com que sempre olhou as estações de Mogi. Abandonados, à espera de obras, sempre prometidas mas nunca executadas, os espaços que recebem diariamente milhares de usuários vão continuar da forma como estão, enquanto os ocupantes dos gabinetes refrigerados da empresa, em São Paulo, tentam encontrar fórmulas mágicas para resolver seus problemas.

Só que fórmulas mágicas não existem. Tanto nos serviços públicos e, muito menos, na área dos negócios.

Ou a CPTM resolve dar a Mogi a atenção que suas estações sempre mereceram, com obras e serviços antes de nova concorrência, ou novos fracassos poderão vir por aí. Basta esperar para se conferir, embora nenhum mogiano, em sã consciência, torça para que isso aconteça.

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