VIDEOMAKER

Elias Mingoni dá vida a histórias e músicas

CULTURA Entre os trabalhos produzidos por Mingoni estão as contações de história e clipes de músicas como ‘Morar no Mato’, de Vital de Souza. (Foto: divulgação)
CULTURA Entre os trabalhos produzidos por Mingoni estão as contações de história e clipes de músicas como ‘Morar no Mato’, de Vital de Souza. (Foto: divulgação)

Na lista dos artistas contemplados pela Mostra Virtual de Mogi das Cruzes – A Arte Não Esqueceu de Você (Movi.Ar) há vários músicos, alguns desenhistas, alguns atores. Há também pessoas como Elias Mingoni, que é videomaker, ou seja, produz conteúdos audiovisuais. É ele o responsável por dar vida a alguns projetos incluídos na programação digital da Secretaria Municipal de Cultura, como as ‘Histórias do Velho Truão’, do ator Marco Guerra, os clipes de cantores como Rui Ponciano e Vital de Souza e o Tour Virtual pela Serra do Itapeti, da turismóloga Débora Mello.

A surpresa é que Elias não é mogiano no papel, na certidão. Mas é mogiano de coração: hoje aos 48 anos, vive na cidade desde os sete. Foi aqui que se encantou pela produção de vídeos, começando com a cobertura de eventos. Também atuou como repórter fotográfico na região e se tornou “presente na cena cultural”, acompanhando “artistas musicais, coletivos de dança, teatro e circo”.

Inserido nas várias expressões artísticas locais, ao perceber que a sociedade entrava num período de isolamento ele decidiu agir. Inicialmente propôs que agitadores culturais de todas as áreas enviassem depoimentos para compor um documentário sobre a pandemia do novo coronavírus. Infelizmente não houve muita adesão, mas o projeto ainda está de pé e deve sair do papel em breve.

De qualquer maneira, ao saber do lançamento da Movi.Ar, Elias Mingoni se inscreveu e foi contemplado para, em parceria com o amigo de infância e arte educador Marco Guerra, “transformar alguns contos em produto audiovisual”. O resultado pode ser visto no canal de Mingoni, Estúdio Limoeiro, no YouTube, em duas vertentes: ‘Histórias do Velho Truão’ e ‘Contos e Encontros’.

“Marco Guerra é meu amigo de infância e sempre estivemos ligados pela arte e pela amizade. Eu sempre soube que sua mãe, mesmo analfabeta, era detentora de uma grande quantidade de contos e histórias e ele herdou isso”, diz Mingoni, sobre os projetos que remontam a hábitos de antigamente, quando histórias repassadas verbalmente de gerações em gerações eram algo comum, principalmente para os ouvidos das crianças.

Exemplo da relação dos tais contos com o público infantil é outro projeto produzido pela dupla. “Na série ‘Os Filósofos Ridentes’ o Marco, na figura do palhaço Platinho, narra de forma muito lúdica as passagens de alguns filósofos e suas ligações com o riso”, conta Mingoni.

Mais uma contribuição do videomaker para a agenda digital da Secretaria de Cultura foi a edição dos vídeos de Débora Mello, para o projeto ‘Tour Virtual por Mogi das Cruzes’. “Ela apresenta a Serra do Itapeti de forma muito interessante para os turistas que quiserem vir visitar nossa Serra e conhecer seus segredos e magias, no ponto de vista de quem vive ali e conhece tudo do lugar”, define.

Todos estes projetos estão longe de serem insuficientes, mas Mingoni queria mais. “Senti a necessidade de fazer um pouco mais além do contratado e propus para a turma maravilhosa de artistas que a minha profissão colocou no meu caminho de fazer uma homenagem para nosso ícone da música mogiana, o Rui Ponciano”.

O trabalho voluntário resultou no lançamento de um clipe para a canção ‘Só’, que conta com 36 pessoas cantando, cada uma da sua casa, em respeito às regras impostas pela quarentena. Entre os rostos e vozes que aparecem estão o amigo Marco Guerra, o percussionista Paulo Betzler, o cantor e secretário municipal de Cultura Mateus Sartori e o cantor Vital de Souza e sua família.

Destacar o nome de Vital não é à toa. Conhecido por interpretar Raul Seixas, o cantor mogiano também tem canções autorais, e uma delas, ‘Morar no Mato’, assim como a de Rui, ganhou clipe com edição de Mingoni. “Não pude deixar de fazer um clipe para meu grande amigo e parceiro Vital, um cara fantástico que abriu as portas da sua casa para que pudéssemos passar horas gravando suas canções quando eu estava no início da carreira”.

Para Mingoni, “trabalhar com esses artistas” o abastece de “conhecimento e cultura”. É exatamente por isso que não pretende parar. Devem vir mais ações pela Movi.Ar, e sem dúvidas outras tantas pelo próprio Estúdio Limoeiro, que preza por “produções de baixo custo, acessíveis a todos”.

Muitas ideias, muitos projetos

Quando se interessou pela produção e edição de vídeos, em 1998, Elias Mingoni dificilmente acreditaria que duas décadas depois um curta metragem roteirizado, dirigido e editado por ele atingiria mais de 500 mil visualizações na internet. Mas isso aconteceu. Disponível no YouTube, ‘A Partida’, o filme, simboliza a caminhada profissional dele, sempre ao lado de bons amigos.

Lançado em 2016, o vídeo de sete minutos emociona ao fazer um paralelo entre uma “partida” de bolinhas de gude e o dia da despedida de dois amigos que cresceram no mesmo bairro simples na década de 1980.

“Realizamos as gravações no distrito de Sabaúna, num dia só”, recorda Mingoni, que além dos amigos contou com ajuda da companheira Lúcia Diniz, que é atriz e fez a preparação do elenco durante um mês inteiro. “O resultado dá para sentir na aceitação do trabalho no YouTube”, comemora .

Por quê é importante falar de um produto lançado há quatro anos? Porque o curta metragem reverbera nos dias atuais, de pandemia, quando o videomaker que cresceu e vive em Mogi pensa em novas filmagens de ficção.

Um dos projetos que podem sair da gaveta é um roteiro escrito há mais de 15 anos, sobre a “história de um jogador de futebol”. Além dessa ideia, a cabeça de Mingoni tem muitas outras. “Quero eternizar minha passagem por aqui com meus vídeos e minhas produções audiovisuais”, encerra ele, que antes de investir nos próprios trabalhos foi repórter fotográfico em veículos como a Folha de S. Paulo e chegou a ser representante oficial dos Pontos de Cultura do Estado.


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