MUDANÇAS

Encerramento da janela partidária muda bancadas na Câmara de Mogi

Primeira sessão da Câmara formalizou os integrantes das comissões permanentes. (Foto: Henrique Campos)

O encerramento da janela partidária, que permitiu a troca de partidos aos vereadores que irão disputar as próximas eleições, provocou mudanças na correlação de forças entre as diferentes bancadas da Câmara Municipal de Mogi das Cruzes. Levantamento realizado por este jornal, durante o dia de ontem, concluiu que o PL, de Valdemar Costa Neto, passou a ter maior bancada, como 5 vereadores, seguido pelo PSD, de Marco Bertaiolli, com 4 vereadores, mesmo número da bancada do PSDB, do prefeito Marcus Melo. Na sequência, aparecem o MDB com 3; PT e PSB, com dois vereadores cada; DEM, PTB e Podemos, com 1 representante cada.

(Quadro: O Diário)

Ao final das mudanças, dois partidos – PC do B e PV – perderam suas respectivas representações no Legislativo mogiano, enquanto o Podemos e PTB ganharam um representante cada.

As principais alterações nas bancadas se deram com a mudança de Protássio Ribeiro Nogueira do PSD para o PSDB; de Claudio Miyake, fazendo o caminho inverso, do PSDB para o PSD. Fernanda Moreno trocou o PV pelo MDB, enquanto Caio Cunha deixou o PV e foi para o Podemos. O vereador Jean Lopes, único representante da bancada do PC do B, passou a engrossar as fileiras do PL. E o vereador Taubaté saiu do MDB para ser o único integrante do PTB na Câmara. Carlos Evaristo, após muita relutância, deixou o PSD, de Bertaiolli, e foi o PSB, de Chico Bezerra.

Justificativas

Uma das principais surpresas da janela partidária foi a saída de Protássio Ribeiro Nogueira do PSD e sua consequente filiação ao PSDB. Na última quinta-feira, ele disse ao repórter que teria, à tarde, uma reunião com o presidente do partido Marco Bertaiolli para saber se ele iria ou não disputar a Prefeitura de Mogi em outubro, como se comentava. “Eu sou um trem que gosta de ter uma locomotiva à frente da composição”, disse ele, usando uma de suas famosas metáforas.

Ontem, questionado sobre isso, Protássio foi direto: “Bertaiolli não me garantiu 100% que seria candidato, enquanto o prefeito Marcus Melo me garantiu que até já havia deixado o cargo de presidente do Condemat para se candidatar novamente à Prefeitura”, disse o vereador, que não poupou elogios a seu antigo partido, onde ele disse ter encontrado, amizade, respeito, gratidão”, e também a Bertaiolli, por quem afirmou ter “grande admiração”.

A mudança, segundo Protássio, veio após uma consulta à família, que apoiou a troca. Ele disse que foi para o PSDB para colaborar com o partido e, obviamente, buscar sua reeleição.

“Aos 66 anos, eu venho para ajudar, já que estou mais para beque de espera do que para center half”, disse ele, voltando a recorrer às suas frases muito peculiares, para demonstrar humildade perante o novo partido.

No caminho oposto, o cirurgião dentista Claudio Miyake saiu do PSDB e foi para o PSD, ao final de uma longa negociação, que foi feita especialmente via telefone, já que o vereador encontra-se internado, em um hospital da Capital, para tratamento de uma dengue.

Quem também chega ao novo partido dando demonstração de humildade é o vereador Jean Lopes que trocou o PC do B, onde ingressou, em 1992, pelo PL.

“Decidi ir para o PL na condição de soldado para ajudar o partido. Sou um simples filiado, mas como muita garra de ajudar o partido a ampliar sua bancada na Câmara. Jean lembrou de antigos amigos comunistas, como os ex-ministros Orlando Silva e Aldo Rebello, falou da importância do irmão Eliseu em sua carreira política e destacou, por fim, a amizade com Valdemar Costa Neto, Tadeu Candelária (presidente do PL) e o deputado Marcos Damásio.

Ele admitiu ter conversado com várias pessoas, entre elas o empresário Henrique Borenstein, o seu irmão Eliseu, atual ouvidor da Polícia de São Paulo, e o pastor evangélico Walter Kolher, antes de decidir pela mudança de agremiação.

Ele disse que foi incentivado pelos dirigentes a participar de ações do PL em áreas sociais, entre elas, a criação do PL Negro.

Quem também disse ter recebido incentivos de dirigentes estaduais e municipais para trocar o PV pelo MDB e atuar na área de apoio aos animais, sua maior paixão, foi a vereadora Fernanda Moreno. Apesar das conversas terem acontecido durante algum tempo, a decisão final só aconteceu “de última hora”, segundo ela.

“O partido me ofereceu todas as condições para que eu possa continuar trabalhando em favor da causa animal, dentro do MDB Animal, braço do partido ligado à defesa do setor.

Mas Fernanda teve outros bons motivos para mudar. Um deles foram as dificuldades para montar a chapa de vereadores do PV, onde ela estava praticamente sozinha, depois da desfiliação de Caio Cunha, que optou pelo Podemos para sair candidato a prefeito. No MDB, depois de ter sido eleita “na sorte”, durante o pleito passado, ela acredita que terá uma melhor estrutura na busca pela reeleição.

Entre os que mudaram com certa antecedência, os vereadores Caio Cunha, Taubaté justificaram as respectivas decisões.

Caio buscando espaço para disputar a Prefeitura e Taubaté, que prometeu não disputar a reeleição em outubro, disse que “tinha a obrigação moral de encerrar a carreira no mesmo partido onde começou e, por isso, estava se filiando ao PTB, que passou a ter representação na Câmara após o seu ingresso no partido.

Eleições

As mudanças partidárias ocorridas nas últimas horas dão bem uma prévia do que irá acontecer durante a campanha eleitoral que se aproxima. Se Valdemar Costa Neto, que passou a ter a maior bancada na Câmara, ainda não declarou seu apoio abertamente a qualquer dos virtuais candidatos já anunciados e nem mesmo admitiu a possibilidade de lançar alguém de seu partido, os grupos de Marcus Melo e Marco Bertaiolli, ainda beligerantes, terminaram a disputa empatados, com o mesmo número de vereadores em suas respectivas bancadas, embora a bancada do PSD tenha perdido um vereador em relação ao quadro anterior.


Deixe seu comentário