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ESPORTE

Maciel Santos, um campeão de Mogi de olho na próxima medalha

Campeão de bocha nas Paralimpíadas de Londres, em 2012, Maciel Santos, que vive e treina em Mogi, se prepara para ir aos jogos de Tóquio

Natan LiraPublicado em 25/06/2021 às 11:02Atualizado em 26/06/2021 às 15:52
Eisner Soares
Eisner Soares

As mais de duas décadas de dedicação à bocha e diversos títulos nacionais e internacionais, incluindo a medalha de ouro nas Paralimpíadas de Londres, em 2012, fazem de Maciel Santos, aos 35 anos, um dos atletas mais promissores da região nas Paralimpíadas de Tóquio, este ano. A dedicação é de um iniciante, com treinos intensos, sobretudo nessa reta final para a disputa, em que a experiência o ajuda a entender a importância de estar preparado. 

Maciel tinha apenas 10 anos de idade quando um amigo que fazia fisioterapia com ele falou sobre a bocha. A modalidade havia chegado em terras brasileiras há menos de dois anos. Até mesmo a oferta de material para a prática era escassa, por isso o grupo treinava com bola de fisioterapia, à época, no Clube dos Paradesportos de São Paulo, na capital. 

“Eu percebi que era aquilo mesmo que eu queria. Foi amor à primeira vista. A minha família toda se empenhou para me dar força, para me ajudar. Eles viram o esporte como uma forma de desenvolvimento e para me dar autonomia. A gente viaja bastante, e então era uma forma de inclusão social”, conta. 

A primeira disputa oficial como atleta foi ainda no primeiro ano de treinos, no Campeonato Brasileiro de Bocha. O primeiro título regional foi em 2001 e o nacional no ano seguinte. A conquista o levou à convocação para a Seleção Brasileira de Bocha. Aos 15 anos, Santos foi aos Estados Unidos representar o Brasil. 

A dedicação aos treinos também demandou uma mudança de cidade. Mogi das Cruzes tinha Dircel Pinto, o campeão paralímpico na modalidade, e foi a ele que Santos foi indicado para treinar. Morador de Embu das Artes, ele então passou a treinar na terra do Caqui atendendo à solicitação da Seleção Brasil, em preparação para uma disputa internacional. Em 2013, o atleta escolheu Mogi para viver com a esposa Daniela e os filhos Mateus e Miguel.  

“Eu treinava no Clube Náutico e depois no Hugo Ramos, até que em 2011 houve o convite para a gente montar uma equipe, a Associação Esportiva de Mogi das Cruzes.  A nossa meta era de que eu eu fosse campeão paralímpico em 2012 e foi o que aconteceu. Depois eu descobri que as Paralimpíadas de Londres registraram o maior público da história. Foi muito emocionante”, relembra. 

Mas o torneio deste ano vai ter um desafio diferente para Santos. Será a primeira vez que ele participa de uma Paralimpíada sem a presença do treinador e amigo Dircel Pinto, dono de quatro medalhas de ouro nas Paralimpíadas. Ele morreu em abril do ano passado, vítima de um problema cardíaco. 

“O Dirceu sempre foi o meu ídolo. Ele é o meu Ayrton Senna da bocha. Desde que eu estou em Mogi ele sempre orientou. Quando eu estava fazendo algo errado, ele me ajudava a montar outra estratégia. Vai ser uma disputa bem diferente. Além da pandemia, sem ele vai ser muito mais difícil”, conta. 

A preparação atual do atleta, que não parou durante a pandemia, conta com treinos no Centro de Paradesporto de Mogi, bem como com a Seleção Brasileira, na capital. As Paralimpíadas de Tóquio começam em 24 de agosto e vão até 5 de setembro.

TÍTULOS MACIEL SANTOS 

Atualmente 3° colocado no Ranking Mundial

Títulos Internacionais

Campeão Paralímpico de Londres 2012

Bicampeão Para-Panamericano, Toronto 2015 e Lima 2019

Tricampeão da América 2013, 2017 e 2019

Campeão Sul-americano 2014

Títulos Nacionais 

16 vezes campeão Brasileiro, invicto a 14 anos 

14 vezes campeão Regional 

10 vezes campeão Paulista 

5 vezes eleito melhor atleta Paralímpico de bocha 

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