POLÊMICA

Estado mantém praça de pedágio em Mogi

AÇÃO Integrantes do movimento Pedágio Não realizaram diversos protestos contra a proposta. (Foto: arquivo)

Previsto para o início de março, o vice-governador Rodrigo Garcia deverá receber integrantes do movimento Pedágio Não para tratar da instalação de uma praça de cobrança prevista no projeto de concessão das rodovias litorâneas. Na oportunidade, serão entregues as assinaturas de moradores da região, físicas e pela internet, desfavoráveis à medida. Até o início do próximo mês, os 70 postos de coleta e a petição online continuarão recebendo as assinaturas.

Anteontem, o deputado estadual Marcos Damasio (PL) e o empresário Paulo Boccuzzi, um dos articuladores do Pedágio Não se reuniram com o vice-governador e ouviram dele que os estudos tocados pela Agência de Transportes do Estado de São Paulo (Artesp) deverão apontar uma nova localização para a cobrança da tarifa que reduza em 90% o impacto financeiro inicialmente projetado.

Garcia teria se mostrado ciente da reação popular mantida desde meados do ano passado, quando começaram a ser divulgados os detalhes da nova praça de pedágio, prevista, inicialmente, para o quilômetro 45 da rodovia Mogi-Dutra.

Apesar disso, ele não acenou com a retirada da praça de cobrança do projeto. Afirmou, porém, que haverá uma redução do impacto financeiro aos usuários e para Mogi das Cruzes, com a implantação do pedágio em um trecho de divisa entre municípios.

O agendamento de um novo encontro, desta vez, com outros integrantes do movimento, foi comemorado por Boccuzzi. “O deputado Marco Bertaiolli nos procurou e nós estamos abertos a todos os esforços em favor dessa luta”, disse.

O Diário antecipou na edição de quinta-feira última que um dos locais estudados para instalação do pedágio fica no trecho da Mogi-Dutra, entre Mogi das Cruzes e Arujá, que está sendo duplicado. Mas há outras possibilidades, embora tecnicamente questionáveis, como a Mogi-Bertioga.

No primeiro encontro com Rodrigo Garcia, na noite de quinta-feira, não se falou sobre aonde a praça de cobrança deverá ser instalada. Somente a conclusão e a divulgação dos estudos da Artesp esclarecerão esse ponto. Boccuzzi teme que a região que vier a ser afetada com o pedágio não tenha o mesmo poderio de organização dos bairros da serra. “O movimento Pedágio Não deverá se manter articulado”, comentou, citando que os argumentos técnicos e jurídicos serão de valia para os desdobramentos possíveis a partir das definições que serão feitas pela Artesp.

O vice-governador comentou sobre a mobilização mogiana. “Ele citou a articulação popular e política do movimento Pedágio Não como um fator importante”, disse o líder. Para ele, com a manutenção do pedágio, será importante acompanhar a divulgação da nova localização. “O Pedágio Não estará à disposição da comunidade que será afetada”, acrescentou Boccuzzi, admitindo que a luta contra o pedágio no quilômetro 45 ganhou força pelo histórico de mobilização dos bairros da região da Serra do Itapeti.

Além do encarecimento do custo de vida e da produção de toda a cadeia econômica da cidade (indústria, comércio, agricultura e prestação de serviços), o principal argumento é a inexistência de uma contrapartida que justifique a inclusão da Mogi-Dutra em um lote de concessão que irá atender as cidades do litoral. Pelo que se sabe do projeto, algumas intervenções pontuais, como a duplicação da Estrada do Pavan, estão previstas, mas nada que se converta em conquistas reais para a mobilidade da cidade.

No último sábado, durante protesto contra o pedágio, os manifestantes garantiram que a campanha continuaria com a mudança do ponto de instalação para outro local da cidade.


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