Gaeco corrige valor de gasto da Prefeitura de Mogi com álcool em gel e fala em investigação abrangente

ORÇAMENTO Secretário afirma que jazigos foram construídos por empresa que apresentou menor valor. (Foto: arquivo)
ORÇAMENTO Secretário afirma que jazigos foram construídos por empresa que apresentou menor valor. (Foto: arquivo)

Os promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), órgão da Procuradoria Geral da Justiça, afirmam que houve um erro na divulgação da operação Mercadores da Morte, que cumpriu 16 mandados de busca e apreensão em Mogi das Cruzes, na quarta-feira última. Porém, isso não muda os rumos das investigações sobre os contrato para a construção de 600 jazigos e a compra de 540 embalagens de cinco litros de álcool gel.

No detalhamento sobre a operação foi divulgado que a Prefeitura teria pago R$ 97 mil pelo álcool em gel, quando, na verdade, o valor foi de R$ 63,3 mil. Apesar do retificação, dois promotores ouvidos por este jornal informam que o erro não altera a apuração da denúncia iniciada pelo Ministério Púlbico do Tribunal de Contas, que poderá ter outros desdobramentos.

Segundo eles, não há evidências de envolvimento do prefeito Marcus Melo (PSDB) na suspeita rechaçada pela administração municipal, no mesmo dia do recolhimento de documentos e outros registros em endereços municipais.

Em entrevista a O Diário, os promotores do Gaeco que estão à frente da Operação Mercadores da Morte explicaram que não houve equívoco nos valores de contratos, que embasam a denúncia, mas uma falha na nota divulgada à imprensa. O valor que constou na denúncia e no pedido de expedição de busca foi o correto: R$ 63,3 mil. Por isso, destacou um deles, “isso não muda nada”.

O Ministério Público confirma que por enquanto as investigações têm dois pilares: os contratos de aquisição do álcool em gel e o que se refere ao gasto de R$ 1,2 milhão para a construção de 600 jazigos, uma obra feita no início da pandemia da Covid-19, quando ainda não se sabia qual seria a demanda nos cemitérios da cidade.

Foram cumpridos mandados de busca nas secretaria e nas casas dos titulares de Saúde e de Obras. A investigação envolve as empresas que fizeram “contratos espúrios”, segundo o Gaeco. Nenhum nome investigado foi divulgado, mas a empreiteira que construiu os 600 jazigos foi a Fasul Engenharia.

De acordo com os promotores, a investigação não foi motivada por denúncias específicas feitas contra a Prefeitura, mas sim do próprio Ministério Público do Tribunal de Contas, que tem acompanhado os contratos emergenciais firmados por administrações municipais durante o enfrentamento da pandemia. “Porém, para chegar a deflagrar a operação e expedir mandatos de buscas é porque há indícios de irregularidades nesses contratos verificados”, reforça um dos promotores que não divulgaram os nomes por uma questão ética, embora ambos estejam atuando nesse procedimento.

Após a análise do material – computadores e celulares recolhidos -, o grupo deve começar a ouvir as pessoas envolvidas. “A investigação prossegue normalmente e pode ser que se alastre a partir de agora”, afirmou uma das autoriedades.

A Secretaria Municipal de Assuntos Jurídicos apontou os erros na informação sobre o valor pago pelo álcool em gel, no início da noite de quarta-feira, e aguardava, durante a semana, a confirmação se teria ou não acesso aos autos para um posicionamento sobre o assunto.


Deixe seu comentário