Diário Logo

Notizia Logo

Galpão Arthur Netto reabre focado na cultura e política na rua Rui Barbosa, em Mogi

Fechado em dezembro de 2019, pouco antes do tsunami pandêmico revirar o mundo e, particularmente no Brasil, durante o desmonte do Ministério da Cultura, o Galpão Arthur Netto de Cultura e Cidadania reabre nesta sexta-feira (30), a partir das 19h, na mesma rua Rui Barbosa, porém, no número 248, no Jardim Santista, região central que […]

29 de junho de 2023

O Diário

Fechado em dezembro de 2019, pouco antes do tsunami pandêmico revirar o mundo e, particularmente no Brasil, durante o desmonte do Ministério da Cultura, o Galpão Arthur Netto de Cultura e Cidadania reabre nesta sexta-feira (30), a partir das 19h, na mesma rua Rui Barbosa, porém, no número 248, no Jardim Santista, região central que se projeta como novo ponto de comércio e serviços de Mogi das Cruzes.

Desativado após uma carreira de 13 anos iniciada quando a Cia. do Escândalo se propôs a encontrar teto próprio para o fazer teatral, o Galpão Arthur Netto entregou as chaves em período de desalento, provocado pelo flagelo e o desencentivo à cultura na cidade e país, como se lembra Manoel Lucena Mesquita Júnior, que responde pelo  território cultural.

Importante sempre o registro: esse projeto homenageia, no título, o ator e publicitário Arthur José  Netto, morto em setembro de após ser covarde e gravemente ferido numa madrugada de final de semana em um dos crimes bárbaros ocorridos na cidade na segunda metade dos anos 2000.

O espaço findou, fisicamente. no encalço do encerramento de outro xará, o Casarão da Mariquinha, localizado no Largo Bom Jesus (São Benedito).

“Fechamos em um momento em que estávamos muito decepcionados com o poder público da época. Mas o projeto continuou em parcerias com Contadores de Mentira (de Suzano) e ações surgidas na pandemia, como editais (Lei Aldir Blanc), o que possibilitou algumas realizações”, recorda-se ele, que até pouco tempo, também incursionou pela gestão pública municipal, na Secretaria de Cultura.

O Galpão – ou a alma e o espírito de empreender – não cessou. Foi mantido em atividades online e, numa outra estrada, da colheita da semeadura lançada durante mais de uma década, com a formação e descoberta de dezenas de nomes em áreas como a música, dança, circo, teatro, cultura popular e outros.

Permaneceu em uma espécie de dormência (sem esmorecimento) que termina amanhã (veja uma das reportagens sobre as oficinas ministradas por integrantes do projeto de forma online).

Pelo local passou um público estimado em mais de 100 mil pessoas em eventos locais, regionais e internacionais. Outro balanço se dá com a formação direta em oficinas e cursos de mais de 5 mil pessoas (dados do próprio Galpão).

Desde 2019, quando esse tablado ainda recebeu Festival Dente de Leão durante 19 dias e com 35 atrações, ex-frequentadores e artistas em carreira consolidada e lapidados em vivências e aprendizagens oferecidas ali, incentivavam: quando o Galpão volta? A mudança deo governo federal, com a recriação do Ministério da Cultura, tem peso na decisão, evoca Manoel.

O que virá

Se até o final da década passada, a vocação e execução se firmaram na circulação de obras e projetos, formação cultural e de público e residência artística, o projeto que surge por meio de um conselho gestor (Manoel Mesquisa, Pedro Zapa, Victor Gonçalves, Fabrício Guimarães e Roberta Regato) e consultivo (integrado por 10 pessoas) alarga a proposta.

Manoel Mesquita observa que objetivos foram reformulados para agregar, na programação efetivamente e na tomada de posicionamento político sobre temas como a utilização da cultura como agente de transformação social e humana, a partir do desenvolvimento e apoio a causas como a pauta LGBTQIA+, a igualdade racial e de gênero, com ênfase ao combate aos direitos da população negra e das mulheres, e outros. Além disso, haverá janela específica para a Arte e Saúde.

“No nosso entender, a política precisa ser tratada como a arte em construção do bem comum”, afirma o produtor e profissiional do teatro, gabaritando o resssurgimento do Galpão, instalado em um imóvel alugado uma casa acima do antigo endereço, em região central e em notadas mudanças em função da refrigeração imobiliária e de políticas como a transformação do prédio da Prefeitura (antiga Braz Cubas) em um serviço voltado para a tecnologia, a inauguração do Urupema Shopping e a revitalização da Vila Helio.

Quem celebra a volta

A programação de abertura do Galpão Arthur Netto nesta sexta-feira, foi escolhida para tirar o conceito de diversidade desta nova fase para a realidade “Teremos a Valéria Custória, uma cantora e produtora preta, além de artistas de expressões como o circo e a música como ponte para a saúde, e a cultura popular, com o presença do grupo Umbigo de Yayá”, diz, ao citar as atrações da noite de reabertura (veja abaixo).

Neste final de semana, a casa já tem uma programação que está sendo elaborada e poderá ser acompanhada nas redes sociais do Galpão Arthur Netto (clique aqui).

Custeio

Na reabertura, os responsáveis pelo Galpão Arthur Netto deverão divulgar uma plataforma que busca atrair colaboradores fixos e periódicos. A idéia é garantir a sustentação financeira de um espaço que terá custo perene mensal estimado em cerca de R$ 15 mil.

No horizonte próximo está a captação de recursos públicos para a manutenção do território cultural que oferecerá, à cidade e ao público, agenda de espetáculos, oficinas, cursos, festivais.

Boa notícia

A reabertura do Galpão Arthur Netto vem somar o polo cultural tocado por gestores solos e alternativos na cidade como a Escola da Ousadia, Studio F e a AJPS Escola de Artes. Todos, em locais como o César de Souza e o Centro – o que é um ponto forte para promover a descentralização da oferta de produtos culturais à cidade que, diz o IBGE, tem 449 mil habitantes e apenas um teatro, uma pinacoteca e um centro cultural públicos e em funcionamento (todos na mesma região).

Agenda do Galpão Arthur Netto

Amanhã (30)

19h – recepção

19h30 – Música com Valéria Custódio

20h – Cerimonial com intervenções artísticas

Circo – Studio F

Teatro – Fábio Sassaki

Cultura Popular – Umbigo de Yayá

21 h – Música com Victor Kinjo e Eduardo Colombo

Sábado (1º de julho)

16h – Brenô – Show Acústivo

17h – Sarau do Galpão

Domingo (2)

16h – Show Jonathan Silva

17h – Roda de Capoeira Angola com o professor Canoa

18h – Sarau da Diversidade – organizado pelo Fórum Mogiano LGBT

Fonte: Galpão Arthur Netto Cultura e Cidadani

 

 

Veja Também