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A noite em que a terra tremeu em Mogi: verdade ou fake news?

Ainda sob o impacto da tragédia e desolação provocadas pelo terremoto que atingiu a Turquia e proximidades, provocando milhares de mortes, vale lembrar o dia em que a terra também tremeu em Mogi das Cruzes. Apesar das informações oficiais da Prefeitura, à época sob o comando do prefeito Junji Abe, há quem duvide até agora […]

19 de fevereiro de 2023

Reportagem de: O Diário

Ainda sob o impacto da tragédia e desolação provocadas pelo terremoto que atingiu a Turquia e proximidades, provocando milhares de mortes, vale lembrar o dia em que a terra também tremeu em Mogi das Cruzes.

Apesar das informações oficiais da Prefeitura, à época sob o comando do prefeito Junji Abe, há quem duvide até agora que tal fato tenha realmente ocorrido na proporção que lhe foi atribuída.

A informação oficial divulgada pela Prefeitura dava conta de que um tremor de terra, de 5,2 graus na escala Richter, teria acontecido no dia 22 de abril de 2008.

A cidade teria sido, digamos, quase uma espécie de epicentro do fenômeno, a mais abalada de toda a região.

Foi atribuída ao tal abalo, a causa do rompimento de uma tubulação do Semae, que passava pela lateral superior da ponte sobre o tio Tietê, na avenida João XXIII, caminho para César de Souza.

Causado ou não pelo tremor de terra, que teria alcançado até mesmo a estrutura de concreto da velha ponte, o certo é que o problema com a tubulação de ferro, que transportava água para aquela região, acabou por deixar 20 mil pessoas sem abastecimento.

Mas não foi somente isso: um painel de vidro de um prédio localizado nas proximidades do Mogi Shopping também caiu.

E um muro de um condomínio na avenida Japão, praticamente do outro lado da cidade, igualmente desabou.

Foi uma noite agitada em   Mogi das Cruzes, a ponto de fazer com que as duas universidades da época – Braz Cubas e UMC-, assim como escolas estaduais do município dispensassem seus alunos antes do término das aulas.

Toda a confusão teria começado por volta de 21 horas, quando o tremor ainda mais forte teria sido registrado a 270 km da costa brasileira, em uma profundidade de mais de 10 km do Oceano Atlântico.

Foram apenas alguns segundos, conforme registraram os sismógrafos dos institutos especializados em detectar tais incidentes. 

Mas suficientes para que os reflexos fossem sentidos em vários pontos da região Sudeste do País, até no Paraná.

Mas o Alto Tietê teria sido o local mais atingido e onde o tremor de terra e seus efeitos apareceram com maior evidência.

Aquele teria sido o maior tremor sentido no País nos últimos 10 anos e ainda continua sendo, já que depois dele, não se tem lembrança de algum outro com tal magnitude.

Apesar dos sustos que provocou em municípios como Santos e São Paulo, não houve vítimas fatais e o estrago maior, se realmente foi causado pelo fenômeno, ocorreu em Mogi, onde os funcionários do Semae trabalharam durante toda a noite para que o abastecimento da zona Leste da cidade fosse restabelecido antes das 8 horas da manhã do dia seguinte, quando o tremor se tornou o principal assunto em todas as rodas de conversa e residências mogianas.

O terremoto em Icó

Conta o consultor político e escritor Gaudêncio Torquato:

O Centro Sísmico Nacional, poucos dias após entrar em funcionamento, detectou sinais de um grande terremoto na região de Icó. Enviou um telegrama à delegacia de polícia da cidade, no Ceará, com a seguinte mensagem:

“Urgente. Possível movimento sísmico na zona. Muito perigoso. 7,5 na escala Richter. Epicentro a 3km da cidade. Tomem medidas e informem resultados”.

Somente uma semana depois, o Centro Sísmico recebeu um telegrama com os seguintes dizeres:

“Aqui é da polícia de Icó. Movimento sísmico totalmente desarticulado. Richter tentou fugir, mas foi abatido a tiros. Desativamos as zonas. Todas as prostitutas estão presas. Epicentro, Epifânio, Epicleison e os outros cinco irmãos estão detidos. Não respondemos antes porque teve um terremoto da porra aqui”.

E o carro “se atolou-se”

Outra de Gaudêncio Torquato: Walfredo Paulino de Siqueira foi um típico coronel da política pernambucana. Escrivão de polícia, comerciante, deputado, industrial, presidente da Assembleia, vice-governador de PE. Uma figura folclórica. Certo dia, dois eleitores discutiam sobre o uso da partícula “se”. O exemplo era com um automóvel que ficara preso em meio a um atoleiro. O primeiro afirmava que a forma correta de se expressar era dizer: “O carro atolou-se”; o outro insistia que não; o correto era “o carro se atolou”.

Consultado, Walfredo deu a sentença salomônica:

– Escutem aqui, meus caros. Se os pneus que ficaram presos foram os dois da frente, o correto é dizer que “o carro se atolou”. Se foram os pneus traseiros, a gente fala assim: “o carro atolou-se”. Mas, acontecendo de ficarem presos os quatro pneus, os de frente e os de trás, então, meus filhos, a forma correta mesmo é “o carro se atolou-se”… 

No fio do bigode

Nos tempos em que o fio de bigode servia como aval de muitos  negócios, Waldemar Costa Filho assumiu a  Prefeitura de Mogi das Cruzes para seu primeiro mandato (1969-1972), às voltas com o principal financiador de sua campanha, realizada durante boa parte do ano de 1968. Acerta daqui, aperta dali, acabaram combinando que a dívida seria paga com a casa da avenida Voluntário Fernando Pinheiro Franco, que Waldemar havia construído logo após deixar o emprego de muitos anos na Mineração Geral do Brasil, de integrantes da família Jafet, seus grandes amigos. E foi assim que Manoel Bezerra de Melo e sua família acabaram se mudando, em seguida, para a casa de tijolinhos vermelhos do final da principal avenida de Mogi das Cruzes.

 

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