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Agricultores apontam prejuízos de pedágio à produção rural

Mais uma despesa que afetará diariamente os agricultores de Mogi das Cruzes e região e poderá pesar no bolso também dos consumidores finais. Esta é a avaliação dos produtores rurais da cidade sobre a possibilidade de cobrança para circulação pelas rodovias Mogi-Dutra e Mogi-Bertioga. Os estudos para implantação de pedágio no sistema free flow – […]

5 de junho de 2023

Reportagem de: O Diário

Mais uma despesa que afetará diariamente os agricultores de Mogi das Cruzes e região e poderá pesar no bolso também dos consumidores finais. Esta é a avaliação dos produtores rurais da cidade sobre a possibilidade de cobrança para circulação pelas rodovias Mogi-Dutra e Mogi-Bertioga.

Os estudos para implantação de pedágio no sistema free flow – com o valor calculado de acordo com a distância percorrida – foram retomados no início deste ano, por determinação do governador Tarcísio de Freitas (Republicamos), que durante sua campanha eleitoral, no ano passado, disse ser contra a proposta em entrevistas a O Diário e à TV Diário.

Na avaliação de Ademir de Siqueira, 51 anos, que produz hortaliças, principalmente couve manteiga, alface e repolho, no distrito de Taiaçupeba, o ramo alimentício será totalmente prejudicado com a cobrança, assim como todo tipo de produção. “Haverá aumento de custo que terá que ser repassado, tornando assim menos desejável o produto que temos a oferecer, pelo alto custo que ele passará a ter”, explica.

Ela lembra que Mogi das Cruzes é produtora de hortaliças, frutas e legumes, sendo que a maioria dos agricultores faz entregas em São Paulo. “Seria mais um pedágio, fora os insumos que já temos. É mais um custo que vai impactar no preço final dos produtos na ponta, para os consumidores, porque com certeza terá que ser repassado. Isso já é um ponto negativo, portanto, o pedágio será prejudicial desde a compra de insumos até o transporte e entrega de produtos”, explica.

Siqueira também destaca que os produtores da região também é fornecedora de hortifrutis para o litoral. “Então, neste caso, o pedágio na Mogi-Bertioga também vai acarretar no preço do transporte, na logística, que ficará cada vez mais cara, e também prejudicará muitos lojistas do litoral que vêm para Mogi das Cruzes fazer suas compras. É o caso do pessoal do litoral que vem fazer compras na Cobal, por exemplo”, destaca. 

Por fim, o agricultor de Taiaçupeba prevê impacto do pedágio ao consumidor. “Ele também terá que bancar isso, portanto, esta cobrança é mais um custo parar todos e ninguém aguenta pagar mais pedágio. Isso só trará prejuízos à produção e ao desenvolvimento de Mogi das Cruzes e toda a região”, alerta.

Também produtor rural, Josemir Barbosa de Moraes, conhecido como Miro, da região de Jundiapeba, avalia que os pedágios nas rodovias com acesso a Mogi, vão trazer muita preocupação para todos, principalmente aos setores ligados à economia, como os agricultores. “Somos contra e já sabemos dos grandes prejuízos não só no custo do transporte dos nossos produtos, mas de uma forma geral. A área empresarial de Mogi também vai sofrer muito com isso”, considera.

Moraes, que integra a Associação dos Produtores Rurais de Jundiapeba (Aprojur) e é presidente da cooperativa Coopavat, produz cebolinha, espinafre, repolho, acelga e beterraba e destaca que a Mogi-Dutra é a principal via de escoamento da produção local e regional. “A estrada é a melhor opção de saída de Mogi e, apenas em Jundiapeba, são cerca de 400 agricultores, então, será um prejuízo enorme pagar o pedágio, todos os dias, na ida e volta a São Paulo, já que levamos nossos produtos, principalmente, ao Parque Dom Pedro. Isso encareceria muito a produção deste setor, que já é tão complexo. Podemos até perder fregueses, porque a mercadoria fica mais cara”, lamenta, acrescentando que a categoria pretende se unir a outras lideranças da cidade para barrar a proposta.

Retomada de estudos

Os estudos para cobrança aos motoristas nas rodovias Mogi-Dutra e Mogi-Bertioga foram retomados no início deste ano, após a proposta de pedágio nas vias ter sido suspensa em 22 dezembro de 2021.

Alto Tietê abastece várias regiões

Considerada cinturão verde do Estado de São Paulo, a região do Alto Tietê – que abrange Mogi das Cruzes, Biritiba Mirim, Salesópolis, Arujá, Ferraz de Vasconcelos, Guararema, Itaquaquecetuba, Poá, Suzano e Santa Isabel – é responsável pelo abastecimento da capital paulista e de várias outras partes do Brasil. 

Desta forma, estradas como as rodovias Mogi-Dutra e Mogi-Bertioga são os principais acessos utilizados diariamente para escoamento e destinação de toda a produção agrícola.

Segundo informações da Secretaria de Estado da Agricultura, apenas no Alto Tietê, o número de unidades de produção agropecuária soma 4.528 propriedades, com área cultivada de cerca de 61.827,8 hectares. 

O Sindicato Rural de Mogi das Cruzes aponta que a região é a maior produtora nacional de folhas verdes, a região também cultiva vegetais, bulbos, raízes e tubérculos.

Também de relevante importância no cenário nacional, a safra de caqui dos tipos rama forte, giombo e fuyu das cidades do Alto Tietê, que representa 55 mil toneladas ao ano, equivale a 55% de toda a produção nacional.

Já a nêspera produzida na região, com 850 toneladas anuais, representa 80% do cultivo do país.

O Alto Tietê concentra, ainda, 80% dos produtores de cogumelos comestíveis, dos tipos champignon, shiitake, shimeji branco e preto, pleurotus, porto belo e do sol.

Há números significativos também no cultivo de flores em vaso – 1,8 milhão de vasos anuais -, flores para recorte (3,5 milhões de pacotes/ano) e plantas para decoração (mais de 2,5 mil variedades).

Além disso, a região é a segunda maior na produção de orquídeas e hortênsias. (C.O.)

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