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Aluno autista é agredido em escola estadual de Mogi

A agressão sofrida por um adolescente de 13 anos, aluno autista do 8º ano da Escola Estadual Profª Helena Urbano Nagib, na Vila Cintra, em Mogi das Cruzes, deixou a família do menor indignada. O caso aconteceu no último dia 16, na sala de aula da unidade de ensino. Segundo a mãe do garoto, que […]

24 de agosto de 2022

Reportagem de: O Diário

A agressão sofrida por um adolescente de 13 anos, aluno autista do 8º ano da Escola Estadual Profª Helena Urbano Nagib, na Vila Cintra, em Mogi das Cruzes, deixou a família do menor indignada. O caso aconteceu no último dia 16, na sala de aula da unidade de ensino.

Segundo a mãe do garoto, que registrou boletim de ocorrência no 2º Distrito Policial, em Braz Cubas, ela recebeu ligação da escola às 9 horas do dia 16 pedindo para que fosse até lá porque o adolescente teria tido um distúrbio de comportamento. “Já tive que buscá-lo por motivos sensoriais causados pelo barulho, mas nunca por problema de comportamento. Fui e quando cheguei, ele veio com o nariz sangrando, me abraçou e chorou bastante”, lembra.

Ela conta que ambos foram levados para a sala do diretor, que disse que o filho teria tentado defender um amigo quando saiu machucado. “Ele falou que um amigo do meu filho estava com dor e havia pedido para alguns colegas pararem de mexer com ele, mas aí começaram a dar tapinhas na cabeça do garoto. Foi então que um deles envolveu o braço no pescoço deste aluno, meu filho foi para cima e acabou levando um soco. Mas pelo jeito que ele ficou machucado, com ferimentos no rosto, pescoço e uma contusão na mão direita, que precisou ser imobilizada, não foi apenas isso”, relata a mãe.

Saindo da escola, ela levou o filho à Delegacia de Polícia, onde foi registrado boletim de ocorrência, e em seguida ao Instituto Médico Legal (IML) para exame de corpo delito. “Como ele ficou agitado, voltamos para casa e quando meu marido chegou do trabalho, o levamos ao Hospital Santana, onde o ortopedista constatou a lesão na mão e deu atestado de cinco dias. Ele teria que voltar às aulas depois disso, mas tem tido várias crises e a psicóloga pediu afastamento de mais 20 dias”, detalha a mãe, acrescentando que os outros meninos envolvidos na confusão não teriam se machucado. 

De lá para cá, o adolescente tem ficado muito agitado e a família também avalia que não há condições de retorno às aulas neste momento, mesmo que um dos agressores tenha mudado de escola e o outro transferido para outra sala no mesmo estabelecimento de ensino. “Minha indignação é ele ter apanhado dentro da sala de aula, sem nenhum professor tomando conta da turma. Além disso, o diretor entrou em contradição várias vezes relatando o caso e ficamos sabendo que há apenas um inspetor em cada horário, que não dão conta de todos os alunos”, lamenta a mãe, completando que o filho está acompanhado as atividades escolares por meio de aplicativo.

Ela conta, ainda, que quando recebeu o diagnóstico de autismo do adolescente, em setembro do ano passado, informou a escola e a coordenadora falou dos direitos que ele tinha, como cuidador, transporte escolar e professor auxiliar, sendo que este último deveria ser solitado à Diretoria Regional de Ensino (DER). “Só que ela disse que o cuidador seria como uma babá, para crianças com sensibilidade mais severa, que não conseguem se alimentar sozinhas ou fazer a higiene pessoal, e que no caso do meu filho, ele não teria dificuldade porque fala e vai ao banheiro sozinho. Como ela falou que não via esta necessidade, declinei do cuidador. Já o pedido do professor auxiliar feito à Diretoria de Ensino foi negado”, explica.

Ao passar o filho em consulta com psiquiatra no Centro de Atenção Psicossocial (CAPSi) e Centro de Saúde Mental, que concluiu o diagnóstico de transtorno do espectro autista e transtorno de déficit de atenção com hiperatividade, a mãe chegou a perguntar sobre a necessidade do professor auxiliar. “Mas como ele já sofria com chacota, sendo chamado de gordo e por causa do jeito que se veste, a psicóloga questionou que ele poderia se sentir ainda mais constrangido”, diz. 

Procurada por O Diário, a Secretaria de Estado da Educação do Estado de São Paulo informou que repudia todo e qualquer ato violento, inclusive a prática de bullying, dentro ou fora das escolas. “Sobre a briga entre os estudantes, a direção atuou reunindo os envolvidos e seus responsáveis para uma conversa de mediação. O caso foi inserido na Plataforma do Programa Conviva SP – Placon, que monitora a rotina das escolas da rede estadual. Não houve qualquer registro de reclamação, por parte da mãe e responsável pelo referido estudante, a respeito de bullying, tanto na direção da unidade quanto na sede da Diretoria de Ensino. O aluno é contemplado pelo atendimento do professor especializado no contraturno e a escola ofereceu o serviço de um cuidador e de transporte escolar, opções declinadas pela mãe”, trouxe a nota enviada à reportagem nesta quarta-feira (24).

 

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