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Câmara convoca secretário de Segurança para explicar uso de arma em desocupação

A Comissão de Segurança Pública da Câmara de Mogi das Cruzes decidiu, por unanimidade, convocar o secretário municipal de Segurança, Toriel Sardinha, a comparecer à sessão ordinária do Legislativo na próxima terça (14) ou quarta-feira (15), às 15 horas, para dar explicações sobre sua ação durante a demolição de barracos na Vila São Francisco, na […]

7 de junho de 2022

Reportagem de: O Diário

A Comissão de Segurança Pública da Câmara de Mogi das Cruzes decidiu, por unanimidade, convocar o secretário municipal de Segurança, Toriel Sardinha, a comparecer à sessão ordinária do Legislativo na próxima terça (14) ou quarta-feira (15), às 15 horas, para dar explicações sobre sua ação durante a demolição de barracos na Vila São Francisco, na última sexta-feira (3), quando puxou a arma da cintura em discussão com um morador. 

Em vídeos que circulam na internet, Sardinha mostra o revólver a um dos ocupantes da área, enquanto moradores protestam ao fundo, dizendo que a pessoa teria problemas de saúde. O vídeo foi exibido no pequeno expediente da Câmara desta terça-feira (7) e o assunto ganhou repercussão também na sessão, inclusive dividindo a opinião dos vereadores.

O primeiro inscrito para falar no pequeno expediente, Iduigues Ferreira Martins (PT), presidente da Comissão de Segurança Pública da Casa, avaliou a atitude do secretário como ‘chocante e desnecessária’. “Destoou do contexto. A Guarda Municipal já estava armada e se ele, como líder, fez isso, imagina o que os comandados são capazes de fazer? Este é o segundo episódio de confusão com moradores de áreas invadidas envolvendo o secretário em uma ação truculenta. No Oropó, ele já entrou em luta corporal com um deles e foi convocado a vir à Câmara para dar explicações. Agora, está sendp convocado novamente por sacar a pistola para outro. O problema habitacional não é um problema de violência e sim de política pública de moradia”, destacou.

Na sequência, a vereadora Inês Paz (PSOL) explicou que a invasão ocorreu no período da manhã, quando, segundo ela, vários moradores do local tinham saído para levar os filhos à escola ou para trabalhar, por isso os barracos estavam desocupados e acabaram sendo demolidos. “A ação ocorreu de forma agressiva e sem diálogo. Aqueles barracos não estavam desocupados. Acontece que as pessoas que moram neles trabalham, mesmo que em trabalhos informais, e não sabiam da ação, que aconteceu sem qualquer aviso”, apontou.

Da bancada do Podemos, partido do prefeito Caio Cunha, os vereadores Policial Maurino e Marcos Furlan saíram em defesa de Sardinha. “É preciso ouvir os dois lados da história e hoje (7) fui conversar com o secretário. Ele disse que a confusão começou quando um pseudo líder da ocupação pulou o muro da estação de trem e começou a tumultuar, xingando a equipe da Prefeitura, que estava lá para dar segurança ao mandado judicial, com a presença de oficiais de Justiça que demarcaram os 113 barracos, sem ninguém morando dentro, para demolição. Este líder saiu correndo em direção a um monte de ferramentas para voltar em direção ao secretário que, para se defender, sacou a arma, e não apontou para ninguém, como estão dizendo”, contou.

Furlan criticou o vídeo que circula na internet. “Mostra a situação por apenas um ângulo, sem a parte que antecedeu esta ação do secretário. Este é um tema delicado e a Prefeitura agiu por conta de decisão judicial, mas infelizmente, não há respeito com algumas decisões judiciais e houve este incidente lamentável. Nesta situação, os dois lados precisam ser ouvidos”, defende.

No local

Segundo o vereador Maurino, o secretário voltou à área da Vila São Francisco nesta terça-feira (7). Procurada por O Diário, a Secretaria Municipal de Segurança informou que a visita faz parte do trabalho de monitoramento constante realizado pela Prefeitura. “Também serviu para o planejamento do trabalho de retirada do restante dos materiais resultantes do desfazimento de barracos sem ocupação e que não puderam ser retirados na última semana”, trouxe nota enviada a O Diário.

Já sobre a convocação ao secretário para prestar explicações na Câmara, na próxima semana, a respeito do uso de arma durante a desocupação, a Prefeitura informa que ainda não recebeu oficialmente o documento. “Assim que isso ocorrer, a demanda será analisada”, afirmou.

 

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