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Vídeo mostra secretário Toriel com arma durante ação em ocupação de Mogi

Desde o final de semana, passaram a circular mensagens trocadas em grupos de WhatsApp e publicações em redes sociais com o vídeo que mostra uma discussão entre moradores e o secretário municipal de Segurança Pública, o delegado Toriel Sardinha, durante a operação realizada na última sexta-feira (3), pela Prefeitura de Mogi das Cruzes, no terreno […]

6 de junho de 2022

Reportagem de: O Diário

Desde o final de semana, passaram a circular mensagens trocadas em grupos de WhatsApp e publicações em redes sociais com o vídeo que mostra uma discussão entre moradores e o secretário municipal de Segurança Pública, o delegado Toriel Sardinha, durante a operação realizada na última sexta-feira (3), pela Prefeitura de Mogi das Cruzes, no terreno municipal da Vila São Francisco, ocupado por moradores há mais de um ano.

Na filmagem, o secretário retira a arma da cintura durante a discussão, enquanto moradores protestam ao fundo.

Na sexta-feira, em cumprimento a uma determinação judicial obtida pela Prefeitura, agentes municipais derrubaram 113 unidades que estavam sem moradores. 

A Prefeitura espera uma autorização judicial para fazer a retirada dos moradores da área invadida, e pretende oferecer às famílias abrigo provisório (leia mais)

Não há data, por enquanto, para a desocupação do núcleo que não possui infraestrutura como rede de água e energia elétrica. Desde o ano passado, a gestão tenta recuperar a área destinada à atividade industrial e defende a desocupação voluntária das famílias.

Nas redes sociais, uma petição online pede a exoneração do secretário sob o argumento do uso de violência durante a operação.

Esta não é a primeira vez que um vídeo circula na internet mostrando discussão entre o secretário e moradores, durante desocupações na cidade. No último dia 13 de abril, as imagens mostravam a abordagem realizada em ocupação na Vila Oropó, para interromper o processo de invasão ilegal que ocorria em Área de Proteção e Recuperação de Mananciais (APRM), de propriedade do Incra.

Outro lado

A Secretaria de Comunicação e Transparência explicou que, até o momento, nenhum abaixo-assinado desta natureza (pedindo a exoneração do secretário de Segurança) foi protocolado na Secretaria de Governo. Segundo a Prefeitura, o trabalho de desfazimento foi pacífico ao longo de toda sexta-feira (3), inclusive com o auxílio de muitos ocupantes da área e diálogo. “O episódio registrado foi pontual e não reflete todas as oito horas de trabalhos executados no terreno, com o desfazimento de mais de 100 unidades inacabadas e/ou desocupadas”, trouxe a nota enviada a O Diário na noite desta segunda-feira (6).

Ainda de acordo com a nota, a operação realizada nesta sexta-feira (3/) consistiu no desfazimento de 113 unidades inacabadas e/ou desocupadas, sem indício de utilização recente, na área invadida da Vila São Francisco, sem envolver transferência ou remoção de pessoas.

“A ação foi feita em cumprimento à decisão e mandado judicial emitidos pelo juiz da Vara da Fazenda Pública de Mogi das Cruzes, Bruno Machado Miano, que autoriza a Prefeitura a demolir construções inacabadas e também desabitadas e, ainda, autoriza o município a impedir novas ocupações no local. Como descrito nos documentos emitidos pela Justiça local, a ação serve como forma de evitar novas invasões, evitar o uso dessas construções por terceiros, como esconderijo ou local de prática de ilícitos, melhorar o planejamento daquela área e impedir a comercialização dessas construções, criando-se um loteamento clandestino. A ação contou com a participação de cerca de 100 pessoas, entre funcionários da Prefeitura, oficiais de Justiça e também policiais, que prestaram apoio. Os desfazimentos só foram feitos após constatação por parte dos oficiais de Justiça de que as unidades estavam efetivamente desocupadas”, acrescenta a nota encaminhada a este jornal.

Ainda de acordo com a Secretaria de Segurança de Mogi das Cruzes, a ação do desfazimento na Vila São Francisco respeitou todas as regras e legislação vigente, sendo necessário o uso de condutas mais enérgicas apenas em situações de ameaças, como a que foi registrada. “Neste caso, o secretário da Pasta agiu para garantir a segurança de todos os presentes e logrou êxito: depois das ameaças proferidas contra os servidores, a ação preventiva evitou qualquer tipo de agressão”, completa a nota.

Segundo a administração municipal, o último levantamento realizado no mês de fevereiro por suas equipes apontou a existência de 193 unidades desocupadas no local. “A Prefeitura aguarda autorização judicial para proceder com a desocupação da área como um todo, razão pela qual ainda não há data para que ela ocorra. Quando do advento, será ofertado acolhimento temporário a quem precisar. A Administração reitera que a situação da Vila São Francisco é totalmente imprópria e não oferece o mínimo de segurança ou dignidade às pessoas que lá estão. Por isso, segue defendendo a desocupação voluntária do local. Desde que a invasão foi identificada, a Administração vem prestando atendimento social às pessoas que lá estão, mediante a oferta de itens essenciais, como cobertores, água, cestas básicas, além de inscrições no Cadastro Único, em programas de transferência de renda, bem como cadastros no programa Mogi Conecta, para dar às pessoas oportunidade de inserção no mercado de trabalho”, considera a nota.

Por fim, a Prefeitura afirma que equipes da Secretaria Municipal de Educação também estiveram na área para verificar in loco se havia crianças fora da escola e forneceu orientações com relação ao registro de crianças no Cadastro Municipal Unificado, para acesso às vagas em creche.
 

 

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