CIRCUITO

Juliano Abe: “Retomada exige controle e paciência”

(Foto: divulgação)

Coordenado pelo vice-prefeito Juliano Abe, o Comitê Gestor de Retomada Gradativa de Atividades Econômicas de Mogi das Cruzes tem atuado, ao longo das últimas semanas, no acompanhamento do retorno das atividades comerciais locais. Para isso, estratégias são discutidas em reuniões por videoconferência com representantes dos mais variados setores, com o objetivo de “monitorar, retomar e sustentar todos os segmentos socioeconômicos”. A O Diário, Juliano Abe detalha o trabalho que define como “eminentemente técnico” e que tem, segundo ele, ajudado o governo estadual “a conduzir o processo de retomada”.

(Foto: divulgação)

Como é o trabalho do Comitê Gestor de Retomada Gradativa de Atividades Econômicas de Mogi das Cruzes?

Criado pelo prefeito Marcus Melo, o Comitê atua na criação, revisão e/ou validação e monitoramento de protocolos sanitários, tabulação de dados epidemiológicos e econômicos, avaliação de indicadores e de atividades econômicas e seus respectivos processos. Tudo isso é eminentemente técnico e tem ajudado inclusive o próprio Governo do Estado a conduzir o processo de retomada, como foram os casos recentes de reenquadramento das atividades de academias (da fase verde para amarela), ou a ampliação do conceito usado para permissão do consumo local em restaurante – de “ao ar livre” para “áreas arejadas”.

Existe relação do Comitê com a fiscalização e vigilância sanitária, no sentido de garantir o cumprimento das normas exigidas durante a pandemia?

O Comitê valida os protocolos junto aos diferentes segmentos, inclusive com a Vigilância em Saúde, que está representada em nosso grupo pela Paula Mateus Santos. Temos uma interface importante com a Secretaria Municipal de Segurança e seu Departamento de Fiscalização de Posturas para que este trabalho de orientação e fiscalização seja feito de acordo com o que foi validado.

Não apenas como coordenador do Comitê, mas também como vice-prefeito de Mogi, qual é, em sua opinião, a melhor maneira para a retomada controlada do comércio e dos serviços na cidade?

Paciência. A melhor maneira é nos basearmos em critérios técnicos e científicos, que nos dão segurança para esta retomada que está sendo feita de forma gradativa. Sabemos dos anseios e das expectativas dos diferentes setores da economia, mas é fundamental termos respaldo científico de como isso pode ser feito, dentro dos pilares que temos trabalhado, que são isolamento social, distanciamento e comportamento. Estamos retomando as atividades, conforme as orientações do Plano São Paulo, do governo estadual, mas não podemos nos descuidar: o novo coronavírus continua em circulação e temos de tomar as medidas necessárias para prevenção da doença.

Além de ouvir diferentes segmentos econômicos, em parceria com a Câmara Municipal o Comitê tem buscado referência do que tem sido feito em outros locais. Que boas experiências foram coletadas para reprodução em solo mogiano?

Uma das nossas principais referências têm sido o trabalho feito pela Prefeitura de São Paulo. Os protocolos sanitários firmados entre eles e os setores têm nos ajudado a construir os nossos que, claro, são adequados a partir das especificidades da cidade. Entidades e representantes de segmentos também estão nos ajudando a elaborar documentos que atendam a demanda dos setores, mas, principalmente, as questões sanitárias.

O Comitê tem se reunido com representantes de atividades que estão voltando à ativa, a exemplo dos clubes, nesta última semana. Como são essas reuniões, e quais são as áreas de atuação mais complicadas para definir o retorno e cumprir com as novas regras de segurança, higienização e distanciamento social?

São reuniões, geralmente, por videoconferência. Temos um protocolo sanitário básico para todas as atividades, que disponibilizamos no site da prefeitura no final de maio. A partir deste documento elaboramos outros, de acordo com a experiência de cada segmento. Validamos com os representantes tanto os protocolos, como os horários de funcionamento. Tudo é decidido em consenso, e não vejo um setor como mais dificultoso. Entendo que temos parâmetros a seguir e tudo é feito conforme as condições sanitárias e situação da pandemia.

De modo geral, como os comerciantes e empresários tem reagido às exigências?

Todos entendem que vivemos um período atípico e são necessárias medidas para evitar a evolução desta pandemia. Estão respondendo positivamente ao que colocamos e sempre são bastante propositivos. Precisamos trabalhar juntos para que a retomada seja feita de forma segura e possamos continuar seguindo em frente nas etapas do Plano São Paulo.

Há alguma demanda em especial para quem ficou fechado por mais tempo, como academias, restaurantes, bares, lanchonetes, barbeiros, salões de beleza e outros?

Acredito que hoje a principal demanda seja a abertura do segmento de bares, restaurantes, lanchonetes e pizzarias no período noturno. Inclusive, encaminhamos um ofício com informações técnicas e científicas para a comissão responsável pelo Plano São Paulo, solicitando a reavaliação do horário limite das 17 horas para as 23 horas.

E o que pode ser dito sobre quem ainda está fechado, como casas noturnas, teatros e centros culturais, que dependem de aglomeração?

Temos de aguardar, porque de acordo com as fases do Plano São Paulo esses segmentos ainda dependem de uma estabilização dos indicadores de evolução da epidemia. Está cientificamente comprovado que a aglomeração é um fator de disseminação do vírus e é fundamental que nos encontremos em uma situação segura para a reabertura desses espaços.

Quais os principais desafios do Comitê e também de quem está ávido pela retomada?

É preciso ter tranquilidade e entender que não se trata apenas de atender aos anseios dos setores, mas sim de retomarmos as atividades gradativamente, de maneira segura e com saúde. Temos uma pandemia em andamento, que já custou a vida de mais de 76 mil brasileiros. O que temos visto neste período é como o isolamento é importante e salvou muitas vidas, então trabalhamos com o objetivo de não retroceder a etapas anteriores.

E quais os próximos passos? O que vem por aí, agora que a cidade se enquadra na fase amarela do Plano São Paulo?

Continuamos nos reunindo com os setores econômicos e estamos à disposição para esclarecer quaisquer dúvidas da população. Estamos criando indicadores específicos em Mogi, que demonstram a nossa taxa de isolamento ou distanciamento social, como a questão da mobilidade, por exemplo. E trabalhamos também na instituição de uma ferramenta que possa garantir aos diversos estabelecimentos comerciais a autofiscalização e monitoramento contínuo de seus próprios protocolos sanitários.

De modo mais abrangente, como o senhor definiria o enfrentamento da Covid-19 em Mogi das Cruzes até o momento?

Vejo que Mogi se preparou muito bem para o enfrentamento da Covid-19. Este processo de retomada se deve muito ao trabalho feito pela cidade na infraestrutura de saúde. Devemos receber nos próximos dias mais 10 leitos de UTI para Covid-19 no Hospital Dr. Arnaldo Pezzuti Cavalcanti, em Jundiapeba, o que aumentará a capacidade de atendimento aos casos mais graves do novo coronavírus na região. Com os novos equipamentos, Mogi passará a contar com 128 leitos de UTI, dos quais 87 públicos, sendo 54 deles implantados no Hospital Municipal, em Braz Cubas, onde funciona o Centro de Referência do Coronavírus. A conduta que adotamos, no início da pandemia, foi de estruturar, preparar e fortalecer toda rede direta ou indiretamente conectada ao enfrentamento da doença. E a conduta atual é de monitorar, retomar e sustentar todos os segmentos socioeconômicos.


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