EDITORIAL

Leitos hospitalares

Garantir a abertura dos 60 leitos prometido para o tratamento para a Covid-19 no Centro Especializado em Reabilitação Dr. Arnaldo Pezzuti Cavalcanti, no Distrito de Braz Cubas, será uma maneira de qualificar a rede de serviços já oferecidos neste patrimônio da saúde pública estadual.

Mesmo levando em conta o desvio no projeto inicial proposto para o prédio que será utilizado, a entrega das 30 vagas para enfermaria e 30 de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) prometida para ontem será uma boa ferramenta para o enfrentamento da pandemia no Alto Tietê. A demanda hospitalar continuará sendo um ponto de interrogação até a descoberta e a aplicação de uma vacina para prevenir o novo coronavírus.

Os leitos suprirão uma demanda urgente criada pela Covid-19. Quando se comemora o recuo das taxas de ocupação de hospitais como o Municipal de Braz Cubas e Luzia de Pinho Melo, há de se considerar o seguinte: desde março, o tratamento de outras doenças está suspenso ou represado.

Milhares de pessoas que esperavam a continuidade de consultas, exames e cirurgias para outras doenças, ou que já estavam na fila por operações eletivas, continuam doentes. O desemprego forçará ainda mais a dependência do Sistema Único de Saúde, o SUS.

Não apenas por conta desse lapso na agenda dos postos e ambulatórios, mas também porque o estresse da pandemia e a mudança da rotina de atividades sociais e físicas agravam e/ou causam problemas de saúde.

A oferta de mais leitos é item de primeira necessidade. Imagine leitor, leitora, quantas pessoas permaneceram em casa mesmo sentindo que algo não ia bem com a pressão arterial ou o funcionamento de outros órgãos, para atender à recomendação do isolamento social e não superlotar os hospitais?

Lutar pelas 60 vagas para a Covid-19 é uma urgente pauta social e regional. Elas contribuirão para o gerenciamento de vagas nos hospitais. E é preciso ser rápido: o silêncio do governo estadual sobre esse projeto é preocupante.

As vagas prometidas pelo Estado irão ocupar o espaço antes destinado ao tratamento da dependência química, uma demanda que não pode ser abandonada.

Porém, agora, trata-se de fazer escolhas. O Dr. Arnaldo é um equipamento de saúde que pode ser muito mais do que é hoje. Ao ofertar essas novas vagas, será uma peça do tabuleiro da saúde pública, assim como aconteceu no passado, com o tratamento do HIV e hanseníase.


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