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Artista acusa direção de escola estadual de homofobia e racismo

Espetáculo “Re-Existência” era performado na Escola Estadual Prof. Cid Boucault, mas vice-diretora pediu que a peça fosse interrompida

21 de março de 2024

Entidades se manifestaram em apoio ao artista após episódio na escola | Reprodução/Redes Sociais

Reportagem de: Fabricio Mello

O artista Thiago Ferreira está acusando a direção da Escola Estadual Professor Cid Boucault, localizada em Jundiapeba, distrito de Mogi das Cruzes, de praticar homofobia e racismo após ter a apresentação do espetáculo “Re-Existência” interrompida. Segundo ele, a vice-diretora da unidade pediu que a performance fosse interrompida por estar “incitando o homossexualismo” e “com o demônio no palco”. O caso foi denunciado e um boletim de ocorrência foi registrado.

A peça foi exibida na escola na terça-feira (19). Segundo os relatos de Ferreira, após cerca de 40 minutos de apresentação, a vice-diretora teria interrompido o show e o chamou para uma conversa. Ela teria pedido que a performance fosse “interrompida imediatamente”.

“[Ela] disse que teríamos que interromper o show imediatamente pois estava recebendo críticas de alguns alunos, e que nós estávamos com demônio no palco, que uma aluna disse que quando uma das nossas bailarinas – mulher negra e grávida – dançava no palco, aquilo era a própria manifestação do demônio e que nós estávamos incentivando o homossexualismo,” contou o artista.

Vale ressaltar que o termo “homossexualismo” não é recomendado para se referir às relações homossexuais, uma vez que o sufixo “ismo” é ligado a doenças e outras patologias. Por isso, é preferido o termo “homossexualidade” pelos membros da comunidade LGBTQIA+.

A fotógrafa Lethicia Galo, convidada por Ferreira para registrar a peça, também compartilhou relatos sobre o episódio. De acordo com ela, apenas alguns alunos estavam “incomodados” com a apresentação e que os mesmos caçoavam da peça com “gestos e sons preconceituosos”, mas se tratava de uma minoria entre os presentes.

A peça “Re-Existência” trata-se de uma performance com elementos de sincretismo, dança, música, canto e poesia. Ela aborda temas da cultura afro-brasileira, diversidade sexual e identidade de gênero.

Outro lado

Em nota, a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo informou que repudia qualquer tipo de discriminação ou intolerância religiosa, dentro ou fora do ambiente escolar.

Seguindo projeto pedagógico que inclui atividades envolvendo diversidade cultural, a escola abriu espaço para apresentação de uma peça teatral formada, em grande parte, por jovens atores, ex-alunos da escola. A apresentação teatral, que incluiu dança, fez com que alguns alunos se sentissem desconfortáveis. A direção da escola, além de encaminhar a todos os pais e responsáveis uma carta com explicações sobre a apresentação, está recebendo pessoalmente aqueles que solicitaram mais informações.

A secretaria encerra afirmando que a direção escolar promoverá rodas de conversa para conscientização sobre a importância do combate a todo tipo de discriminação, com objetivo de resolver conflitos e melhorar convivência no ambiente escolar. Ação será realizada com apoio do Conviva e do psicólogo da unidade, e sob orientação da Diretoria de Ensino de Mogi das Cruzes

Entidades repudiam

Após a repercussão do episódio na escola estadual, entidades e representantes dos movimentos se manifestaram em repúdio.

O Fórum Mogiano LGBT+ publicou uma nota em suas redes sociais manifestando solidariedade ao artista e ao restante do elenco. “É lamentável e inaceitável que tenham sido alvos de atitudes discriminatórias baseadas em preconceito de racismo religioso e LGBTfobia,” escreveu a entidade, que pediu que as autoridades tomem uma postura frente ao ocorrido.

O MAIS (Movimento Ativista Independente de Suzano) e a Frente LGBTQIAP+ de Suzano também se manifestaram através das redes sociais. Na publicação, as entidades ressaltaram a importância de “um ambiente escolar antirracista e antilgbtfóbico”, além de se solidarizarem com o elenco.

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