Pressionado, em texto publicado no Facebook no final da tarde desta segunda-feira (11), Caio Cunha (PODE) reconhece como sendo “repugnante, infantil, desnecessária, irresponsável, imatura, desagregadora e constrangedora” a atitude de seu recém-nomeado secretário-adjunto de Esportes, Reinaldo Barreiros, nas redes sociais, onde publicou fotos e textos antidemocráticos. Contudo, não fala em ceder aos pedidos de revogação do nome para a Pasta, afirmando que irá analisar as denúncias.

O cargo de secretário-adjunto não existia na administração de Marcus Melo (PSDB). A pasta tem um orçamento anual estimado em 0,83% do total de Mogi. A cidade teve, pelos últimos quatro anos, apenas um nome à frente da Pasta, o do titular, que até agora não foi anunciado.

As publicações feitas por Barreiros, que alterou o acesso de seu Instagram de “público” para “privado” após a grande repercussão de suas declarções polêmicas, o mostram com armas na mão e com mensagens de apoio a ditadura militar e ao presidente Jair Bolsonaro, a quem, segundo ele, "daria a vida", se necessário.

Todo esse conteúdo “vai contra aquilo” o que o prefeito defende “como uma política madura e inclusiva”, segundo explica Cunha. “Sou contra qualquer tipo de extremismo e tudo que afaste a possibilidade do diálogo”, disse o prefeito.

Ele conta também, na última sexta-feira, dia 8, ter conversado por três horas com o gestor, que “reconheceu o erro e demonstrou esforço no amadurecimento de seu posicionamento de quase três anos atrás”. Ele afirma ter deixado claro “que tal comportamento não será tolerado” em seu governo.

As palavras não cumprem o que pede lideranças e representantes de setores como a educação e a cultura nos comentários do post do chefe do Executivo. Pessoas de diferentes idades, orientações sexuais e profissões pedem pelo afastamento de Barreiros, o que não foi confirmado até o momento. Leia mais sobre os questionamentos feitos pelos mogianos.

Cunha, no entanto, discursa: “Vivemos em uma democracia. Eu repudio qualquer tentativa de colocá-la em xeque. Destaco que o problema não está na decisão de apoiar o político A ou B ou C, mas na forma no teor do discurso, cujo conteúdo é lamentável”.

E reforça, assim como fez durante todo o período pré-eleitoral, que “o diálogo é fundamental”. Só que as conversas parecem não ter acontecido, já que ao final do texto há uma menção importante: “as redes sociais também precisam ser avaliadas antes de uma contratação”.

Uma lição que não foi seguida pela equipe do novo prefeito e equipe, que pretendem “mudar o Brasil a partir de Mogi”. Barreiros é “um dos 12 denunciados pelo esquema de rachadinha no Núcleo de Avaliação Estratégica (NAE) da Alesp”, como aponta o UOL em uma reportagem publicada pelo jornalista Demétrio Vecchioli em julho de 2020. 

Sobre este tema, Cunha tinha dito no sábado, dia 9, após a publicação de uma reportagem de O Diário, que “nada consta” na certidão negativa do gestor, que seria mantido no cargo. Agora, após pressão social, ele mudou a resposta: “embora sua Certidão Negativa não aponte condenações, nossa equipe está analisando com profundidade para uma tomada de decisão com justiça e verdade”.

Por fim, prefeito desmente o que circula entre os comentários nas redes sociais. Diferente “do que disseram”, Reinaldo Barreiros não foi contratado “por indicação política”, e sim “por suas competências técnicas”, como a formação no curso de extensão em Gestão de Projetos e a conclusão do curso de Gestão e Marketing Esportivo.

Entre posts polêmicos e denúncias de rachadinha, para Cinha “ficam alguns aprendizados”. O primeiro é “cuide para que uma inflamação momentânea não manche sua história”. O segundo é “a imagem que você expõe na internet é a definição que as pessoas terão de você”. E o terceiro é o já citado necessário cuidado com os perfis de seus possíveis contratados.

Leia o texto publicado por Caio Cunha (PODE) na íntegra:

SOBRE O SECRETÁRIO ADJUNTO 

Repugnante, infantil, desnecessário, irresponsável, imaturo, desagregador e constrangedor... essa é minha opinião sobre as publicações feitas por Reinaldo Barreiros, secretário-adjunto de esportes.

Tais publicações vão contra aquilo que defendo como uma política madura e inclusiva. Sou contra qualquer tipo de extremismo e tudo que afaste a possibilidade do diálogo.

Na última sexta-feira (8) conversei por 3 horas com o Reinaldo, que reconheceu o erro e demonstrou esforço no amadurecimento de seu posicionamento de quase três anos atrás. Deixei claro que tal comportamento não será tolerado em nosso governo.

Vivemos em uma democracia. Eu repudio qualquer tentativa de colocá-la em xeque. Destaco que o problema não está na decisão de apoiar o político A ou B ou C, mas na forma no teor do discurso, cujo conteúdo é lamentável.

Promovo e defendo que o diálogo é fundamental. Acredito que a coragem está com aqueles que chamam os extremos para uma mesa de centro e decidem pelo bem comum. Aliás, isso foi um marco na nossa campanha eleitoral, quando conseguimos unir representantes de perfis ideológicos diferentes em um projeto em comum.

Como defensor do diálogo, dialoguei. Como não -extremista e crente que o ser humano possa evoluir em seus atos, acredito na oportunidade de amadurecimento.

Já sobre denúncias de "rachadinha" e outros casos com a justiça, embora sua Certidão Negativa não aponte condenações, nossa equipe está analisando com profundidade para uma tomada de decisão com justiça e verdade.

Lembrando: O Reinaldo foi contratado por suas competências técnicas. Não por indicação política, como disseram.

Mesmo com a situação ainda não resolvida, ficam alguns os aprendizados para todos: 1- Cuide para que uma inflamação momentânea não manche sua história. 2-  A imagem que você expõe na Internet é a definição que as pessoas terão de você. 3- As redes sociais também precisam ser avaliadas antes de uma contratação.