A juíza Erika Dalaruvera de Moraes Almeida, da 1ª Vara Criminal de Poá, determinou a prisão temporária de 30 dias de Ricardo Reis de Faria e Vieira, na noite desta quarta-feira (18), a qual foi cumprida na mesma data. Ele é um dos pais adotivos dos três irmãos que morreram queimados dentro do quarto, durante a madrugada. 

No documento de prisão, a magistrada destaca que "diante da existência de fundadas razões de autoria do investigado na prática dos delitos, bem como na materialidade" ela determina a prisão. 

O pedido de prisão foi feito pelo delegado Eliardo Jordão, responsável pela investigação no Distrito Policial de Poá. Segundo ele, as incoerências nas versões apresentadas por Vieira levaram a solicitar a medida que "não acusa ninguém, é uma prisão processual, um instrumento jurídico para viabilizar o interesse das investigações". 

Ainda na noite desta quarta-feira, o Ministério Público também tinha dado parecer favorável pela prisão de Vieira. 

O caso

Às 4h57 desta quarta-feira, o Corpo de Bombeiros foi acionado para conter um incêndio em uma residência na rua Fernando Pinheiro Franco, na Vila Real, em Poá. As vítimas eram Fernanda, 14 anos, Gabriel, 9, e Lorenzo, 2, adotados anos atrás por Ricardo e Leandro José Reis de Faria e Vieira.

Atualmente, os dois haviam se separado, e os filhos estavam na casa de Ricardo quando o fogo começou.

Para a operação foram enviadas oito viaturas dos Bombeiros, além de uma do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).

O delegado Jordão explicou que Ricardo estava dormindo em sua casa, na rua Fernando Pinheiro Franco, na Vila Real, quando acordou por conta da fumaça. Em depoimento, ele contou que tentou ir até o quarto onde as crianças dormiam, mas não conseguiu entrar. Por isso, foi à unidade da Polícia Civil para pedir ajuda.

Ao chegarem à residência, os policiais arrombaram a porta, mas também não conseguiram entrar por conta do fogo. A Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros foram acionados e ajudaram na localização dos três corpos.

O corpo de Fernanda foi encontrado no banheiro. O irmão, Lorenzo, estava no centro do quarto das crianças. Já o corpo de Gabriel estava próximo a uma janela.

"O trabalho pericial está sendo feito. O Ricardo dá essa versão e a gente ainda está na pendência para confirmar alguns detalhes. Confirmando isso, ou não, a gente consegue dar uma prévia, algum direcionamento. Neste momento, a gente trabalha com todas as possibilidades, não descarta nada. Mas até agora, a suspeita não recai sobre ninguém", afirmou o delegado na manhã desta quarta-feira (17).

De acordo com vizinhos, a família morava no imóvel havia cerca de sete meses.