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SAÚDE

Possibilidades de sequelas da Covid-19 existem, alerta o cardiologista Olavo Ribeiro

Larissa RodriguesPublicado em 26/03/2021 às 13:44Atualizado há 3 meses
Roque de Sá/Agência Senado
Roque de Sá/Agência Senado

Os índices de ocupação de leitos de UTI e de enfermaria destinados aos pacientes com Covid-19 são preocupantes em Mogi das Cruzes e em grande parte do Estado de São Paulo. No momento, as autoridades de saúde estão empenhadas em encontrar vagas para aqueles que estão com a doença e precisam de internação. Entretanto, o cardiologista e pneumologista Olavo Ribeiro Rodrigues alerta: é necessário pensar nos problemas que podem chegar após a infecção pelo novo coronavírus.

“Eu acho que temos que dar o máximo agora nas terapias intensivas. Temos que investir muito em cuidados intensivos, apesar de superlotados, investir em cuidados fisioterápicos e nutricionais, para evitar que daqui uns meses tenhamos um rebanho de sequelados, com lesões de traqueia, lesões neurológicas, lesões musculares”, diz.

Uma parceria entre as sociedades brasileiras de Infectologia, Terapia Intensiva e Imunologia permitiu que os pacientes que deixam os hospitais após contraírem a Covid fossem melhores instruídos. Olavo explica que, seguindo as diretrizes internacionais, essas entidades criaram um “protocolo de alta”. Com ele, todos aqueles que saem das internações recebem orientações para evitar sequelas precoces e tardias.

O documento é distribuído tanto em unidades públicas quanto nas particulares. “Graças a esses protocolos essas sequelas estão sendo bem tratadas e diminuindo”, afirma o médico. Ele, entretanto, teme pelo futuro. “Com essa segunda onda os profissionais da saúde estão chegando no limite, estão fadigados. Eu penso que pode faltar um pouco de atenção para todo mundo e as sequelas podem voltar, em decorrência da congestão hospitalar”, conclui.

Ele ressalta ainda a importância do trabalho dos fisioterapeutas, que percebendo os riscos da doença, passaram a implantar clínicas de reabilitação pós-Covid. Também seguindo protocolos, esses profissionais são capazes de reverter até mesmo as sequelas tardias – consideradas mais difíceis – com atividades físicas progressivas, visando a recuperação.

A longo prazo

No segundo semestre de 2020, as sequelas precoces eram vistas com menos frequência nos pacientes recuperados da Covid-19. Muito disso por conta de um melhor conhecimento da doença e, consequentemente, um melhor preparo e atendimento dentro dos hospitais. As medidas incluem fisioterapia precoce e suporte nutricional dentro das UTIs.

“Diante deste cenário, começaram a surgir aqueles que ficaram com sequelas tardias. Se passaram de 4 a 6 meses e alguns pacientes continuam tendo, por exemplo, fadiga muscular, dificuldade para retornar ao exercício físico, dificuldade de produzir no trabalho, dificuldade de condicionamento físico. Esses precisam da reabilitação pós-Covid”, explica o médico Olavo Ribeiro Rodrigues, que é cardiologista e pneumologista.

Mesmo que tardias, essas sequelas não são irreversíveis. Outro problema a longo prazo são notados nos pacientes que tiveram alterações comportamentais. Alguns deles ficaram deficit de atenção, com fobias, alterações de humor e até mesmo depressivos. Para estes casos, é importante destaca a necessidade de um auxílio psicoterápico. 

Médico lembra abril de 2020

Para falar sobre as possíveis sequelas deixadas pela contaminação do novo coronavírus, o pneumologista e cardiologista Olavo Ribeiro Rodrigues volta para abril de 2020. Ele lembra que foi nesta data que os primeiros pacientes de Covid-19 começaram a deixar hospitais, após internações longas, e sentirem efeitos do pós-doença.

O primeiro caso de Covid em Mogi das Cruzes foi confirmado no dia 18 de março. A partir daí começaram as internações, algumas por períodos mais curtos e outras mais prolongadas. As longas permanências resultaram em “sequelas agudas” e as lesões por conta do grande tempo em que os pacientes ficavam deitados nas macas foram percebidas. As feridas aparecem em diversas partes do corpo, como nádegas, região lombar e até mesmo no crânio.

“Isso demora muito para cicatrizar e causa muita dor nos pacientes, além de exigir um tratamento prolongado. Muitas vezes isso impede até mesmo a pessoa de sentar e de andar. Outras lesões comuns foram nas articulações, onde os pacientes desenvolveram perda de massa muscular e perderam muito a flexibilidade. Isso causa dificuldade de esticar as pernas, de caminhar e de retomar atividades”, explica o especialista.

Outro tipo de lesão, em decorrência da inatividade no leito hospitalar, foi a muscular. É possível que haja enfraquecimento da potência dos músculos respiratórios, como os músculos das costelas e o diafragma, o que culmina em fadiga muscular, cansaço e falta de ar.

Mas a contaminação pelo novo coronavírus pode causar ainda uma série de outras lesões, como as nos nervos periféricos, nos pulmões, nos rins e nos cérebros, essas consideradas mais graves. Alguns pacientes levam até 12 semanas para se recuperarem dessas sequelas e, por isso, é importante o acompanhamento mesmo depois da alta hospitalar. 

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