Seis meses após a desativação dos radares em Mogi das Cruzes, a Prefeitura emitiu um posicionamento. A fiscalização eletrônica retornará na cidade, em pontos estrategicamente revisados, com a novidade de que radares móveis não serão mais usados para autuação. Porém, ainda não há prazo para que os equipamentos sejam acionados.

Apesar dos questionamentos feitos sobre este tema por O Diário nos últimos dias, a administração municipal se posicionou apenas no próprio site, onde afirma que “está adotando uma série de medidas para aumentar a segurança nas ruas e avenidas da cidade e prevenir a ocorrência de acidentes de trânsito, principalmente com feridos ou mortos”. Em resumo, são “ações integradas de sinalização, engenharia de tráfego, fiscalização e educação para o trânsito”.

No momento, o que já está concluído é a definição estratégica dos novos “locais que passarão a ter fiscalização eletrônica de velocidade, dentro do novo contrato de prestação de serviços”. Segundo a prefeitura, todos os pontos “passaram por uma revisão técnica, que levou em conta tanto as características de cada um dos locais quanto as estatísticas de acidentes”.

Porém, não ficou claro se a negociação foi concluída com o consórcio Caminhos Seguros, como este jornal mostrou em dezembro último, ou se o êxito veio a partir de outro grupo. A única informação disponibilizada é que houve “uma economia para os cofres municipais de cerca de 30% do valor do contrato”, o que indica um desconto na negociação. Os valores, no entanto, não foram divulgados.

Consta no material da Prefeitura que “a empresa responsável pelo serviço finalizará a instalação dos aparelhos” e também buscará “a aferição junto a órgão especializado”, mas não há prazos. Já a Secretaria Municipal de Transportes “fará a implantação de placas indicativas da existência de radar na via”, serviço para o qual também não há prazo.

Uma das novidades é que a atual gestão municipal não mais utilizará o “radar estático, popularmente conhecido como 'móvel'”, para “autuação de motoristas”. Este tipo de equipamento será voltado para “ações de engenharia de tráfego, com contagem de veículos e estatísticas”.

Após a publicação destas informações, O Diário enviou novos questionamentos à Prefeitura de Mogi. Veja a seguir a relação final dos locais para fiscalização eletrônica:

Por mais segurança

 

Todas as medidas, incluindo a instalação de “faixas educativas”, foram definidas “com base em análises técnicas, que levam em conta o trabalho de campo dos funcionários da Secretaria Municipal de Transportes e as estatísticas sobre acidentes de trânsito, com base nos números do sistema Infosiga, no levantamento de ocorrências registradas pela Polícia Militar e no atendimento do Samu”, esclarece a administração municipal.

“A prioridade deste trabalho é proporcionar mais segurança viária para a população de Mogi das Cruzes e salvar vidas. Para isso, são utilizados vários parâmetros estatísticos”, afirma a secretária municipal de Transportes, Cristiane Ayres, que também explica a existência de “um trabalho técnico e de engenharia de tráfego para identificar locais com maior potencial para a ocorrência de acidentes”.

Cristiane frisa ser importante que “toda a sinalização alertando os motoristas sobre a existência do radar e do perigo de não respeitar os limites de velocidade” seja implantada. “De acordo com pesquisas internacionais, cerca de 97% dos acidentes com mortes são causados por falha humana, principalmente o excesso de velocidade. Este é um problema que é combatido diretamente pela fiscalização eletrônica, aumentando a segurança dos próprios condutores, dos ciclistas e dos pedestres”, explicou ela.

A secretária defende ainda outras iniciativas para a segurança viária, como uma parceria com o programa Laço Amarelo, do Observatório Nacional de Segurança Viária, para “levar mensagens para conscientização aos mogianos sobre o respeito à vida e sobre a necessidade de adoção de um comportamento seguro no trânsito”.