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O “sanfoneirinho” que recebeu milhares de likes em vídeo com o padre Robson

Em vídeo com milhares de reproduções nas redes, padre Robson Oliveira, do Divino Pai Eterno, apresenta Theo de Sá, morador de Salesópolis

6 de fevereiro de 2024

Ao lado do avó e integrantes da Folia do Divino, do distrito onde Nossa Senhora dos Remédio é padroeira, Theo Cowboy se destaca e é um dos alunos da Orquestra de Sanfoneiros de Salesópolis | Divulgação

Reportagem de: O Diário

O padre goiano Robson de Oliveira Pereira já tinha terminado a missa que seria campal, mas foi transferida para o interior da Igreja de Nossa Senhora dos Remédios, em Salesópolis, por cautela, após as previsões de fortes ventos no último dia 19. Despedia-se das dezenas de pessoas que rezaram com ele. Foi aí que o produtor de conteúdo Eduardo dos Santos, do Igreja na Mídia, teve a ideia: gravar um vídeo com o religioso da Congregação do Santíssimo Redentor que fez nome por haver sido reitor da Basílica do Divino Pai Eterno e foi acolhido pela Diocese de Mogi das Cruzes em agosto passado, e o sanfoneirinho Theo José Moraes de Sá, o Theo Cowboy, que havia chamado a atenção durante a celebração concorrida.

 Em liturgias com a presença dos Seresteiros de Deus,  música, a viola e a cena sertaneja tecem petisco evangelizador a mais.

Clique aqui para acessar o link do vídeo de Theo e o padre Robson de Oliveira.

Têm notoriedade as missas  com o grupo da cidade-berço do rio Tietê, sempre convidado para apresentações em outras paróquias da região. Os ritos ganham público com as músicas valorizadas pelo som da viola, do violão e… da sanfona (e presença) do pequeno Theo.

Pois o vídeo do sanfoneiro-mirim e do padre influencer se tornou um dos que possuem maior número de reproduções e comentários em redes sociais do conhecido religioso. 

Bateu, nesta semana, a marca das 500 mil reproduções e mais de 20 mil comentários e reações o engajamento daquele momento singelo em uma das redes do padre: a gravação da canção Consagração à Nossa Senhora (de Fátima M. Gabrilli). No vídeo, Theo toca a sanfona que mal cabe entre os seus braços e o religioso se mostra admirado com o talento da criança que tem um sonho: no futuro, em certa medida, ser como ele. Na verdade, ele quer ser um padre sanfoneiro. 

Os dois entoam o hit em um oratório, com N.S. dos Remédios, de azul, ao fundo. O mais novo, visivelmente, tímido, vai dando conta do convite – o negócio dele é mais a música instrumental, o canto mesmo começou a soltar há pouco tempo.
Moradores dos Remédios e de Salesópolis têm uma relação  antiga com tradições que unem a religião e a música. Por isso recebem convites para circular no roteiro católico do Alto Tietê.

A história de Theo Cowboy, apelido gravado na sanfona, pode vir a reviver tradições sonoras da cidade e região voltadas, no passado, às raízes da vida do campo e caipira (hoje nem tão acentuada assim).

Foi acompanhando os pais, Luana e Douglas, e o folião da Folia dos Remédios, o avô dele, José Roberto de Sá, que esse interesse foi se fortalecendo, cristalizando, a partir dos 6 anos. Hoje, ele tem apenas 8.

Filho único, a mãe, Luana, administra as redes sociais e a agenda do garoto que pode estar revivendo uma chama ancestral. Com lastro familiar em Paraibuna, Theo possui quatro tios-avós que eram sanfoneiros. E o avô que é um folião do Divino e o leva para as visitas que preparam o festejo ao Espírito Santo.

Dos primeiros presentes pedidos no Natal – um violãozinho, uma sanfona, o garoto foi tomando gosto e acrescentando elementos caipiras que ninguém próximo da família, hoje, empunha. “Ele não é fã de cantar as músicas atuais. Gosta do sertanejo mais raiz”, diz a mãe, acrescentando que o filho passou a pedir e a usar, “por vontade dele, não nossa”, o chapéu, a bota e as roupas típicas do cowboy ainda mais novo. 

Foi um pulo para ganhar o apelido: Theo Cowboy.

Apesar da ligação com a música sertaneja, a paixão atual, paixão mesmo, é por Luiz Gonzaga [1012-1989], o Rei do Baião e compositor de Asa Branca, artista que ele descobriu sozinho ao buscar, nas redes sociais, por músicos do instrumento que faz sucesso em regiões do Sul e do Norte e Nordeste do país, e em cidades que preservam o som único da sanfona. 

Luana afirma que, me casa, o forró pouco era ouvido. Não era até o Theo se encantar com a vigor do ícone do forró e da cultura musical nordestina. 

A presença nas missas e atividades na Paróquia de Nossa Senhora dos Remédio é “sagrada”.

Depois de ganhar a primeira sanfona, que também pode ser chamada de acordeon ou gaita (como dizem os sulistas), os pais o colocaram em uma escola de música em Mogi das Cruzes. A distância, no entanto, era um fator que dificultava. 

Mais recentemente, o ensino da foi assumido pelos mestres Rafael (do Restaurante da Fazenda, de Salesópolis) e o professor Braguinha, que estão formando, na cidade, uma Orquestra de Sanfona.

Theo gosta da música, mas tem como compromisso a Igreja. A mãe garante que não é algo forçado pelos pais. “Nós o deixamos muito à vontade, mas quando há um outro evento, de música, mas tem missa, a opção dele, é a missa. Não queremos influenciar”, indica.

Na família, segunda ela, também não há registro de membros que tenham seguido a vocação religiosa.

E o Theo, o que diz?

Theo é criança de 8 anos. Ainda vencendo a timidez, mas já constando no currículo a participação em programas de televisão, como o Balanço Geral, do Rinaldo Gottino, que rendeu a ele, como presente, uma sanfona, ele fala, em breve conversa após uma partida de futebol com os amigos, que ainda está aprendendo a tocar. Mas, tem uma meta: ser músico, sanfoneiro pelo o que tudo indica.

 Navega em ambiente que inspira por incentivar a música, a descoberta. E influencia o meio. Com dois amigos, criou o Trio Xote da Terra. Os dois outros forrozeiros são Gui (triângulo) e Matheus (zambumba).

Músico, Theo já é. Também é rezador e folião do Divino. Padre sanfoneiro? É cedo para saber. O futuro dirá.

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Desde outubro, padre Robson de Oliveira integra a Diocese de Mogi das Cruzes.

Na trilha de Chico do osório, Orquestra de sanfona forma músicos

O sanfoneiro e professor de música, Rafael de Faria, abre as dependências do Restaurante Da Fazenda, em Salesópolis, todas as terças-feiras, para as aulas gratuitas de acordeon, num projeto que poderá fazer história no Alto Tietê: a Orquestra de Sanfoneiros.

Jovens de diferentes idades, sendo 16 homens e duas mulheres, fazem parte do grupo que tem o Theo Cowboy, e outros músico, como o Rodrigo, de 13 anos, que se destaca pelo talento ao desfiar as notas do instrumento que também cativou Rafael, quando ela tinha 20 anos.

Esse gosto pela sanfona o levou a estudar no Conservatório de Mogi das Cruzes, a aprender a ponto de se tornar mestre. Ao lado de um outro sanfoneiro considerado como um dos melhores do país, o Braguinha, que reside em São José dos Campos, há um ano, Rafael começou a formar a base da Orquestra que tem se apresentado informalmente, mas se preparar para uma estreia oficial, na Festa de São José, o padroeiro de Salesópolis.

As aulas são gratuitas e as sanfonas do acervo do professor são emprestadas a quem quiser aprender – aliás, meninos e meninas interessadas podem se engajar no projeto.

“Em algumas regiões, há orquestras, mas, a nossa, deve ser a primeira do Alto Tietê”, intui Rafael, engenheiro de formação que há 15 anos toca o restaurante, onde, todo domingo, tem uma sanfona animando as tardes dos frequentadores.

Ele mesmo não toca. Deixa isso para músicos como o Celso Sanfoneiro, Rafa Melo, Luizinho (que toca com o Sérgio Reis), Velasques e outros.

Salesópolis tem tradição na formação de sanfoneiros e teve como um expoente, o Chico do Ozório, que também formou netos e filhos. “É uma tradição, na região, que cativa qualquer um que ouve uma sanfona, um instrumento com sonoridade única”, afirma o mestre.

Sobre Theo Cowboy, Rafael ressalta que ele ainda tem 8 anos, mas possui diferencial: “Se todas as mães fossem como a mãe do Theo, o mundo estaria muito melhor. Ela o acompanha, incentiva. O Theo poderá ser um grande sanfoneiro, senão por ele mesmo, que ainda é criança, pelo incentivo da mãe”. As pessoas interessadas em aprender a tocar sanfona podem entrar em contato pelo telefone 4696-1338. As aulas são gratuitas. (E.J.)

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